Recent Posts

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Resolvi (é, de novo) abrir os comentários e provavelmente eles vão permanecer assim por um bom tempo (quer alguém comente, quer não).
Mudei também o layout, chega de matar olhos alheios, certo?
Tudo isso porque resolvi fazer um blog novo, uma espécie de portifólio, e quando terminá-lo, edito o post e coloco o link aqui, oks? :)) Mas isso não quer dizer que eu vou largar esse aqui não, ow! Aquele é só para textos e fotografias mais relacionados à minha pseudo carreira de jornalista~~.


Enfim, só isso. :( xx


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

WAT

Your past life diagnosis:

I don't know how you feel about it, but you were male in your last earthly incarnation.You were born somewhere in the territory of modern Ireland around the year 950. Your profession was that of a banker, usurer, moneylender or judge.
Your brief psychological profile in your past life:
Bohemian personality, mysterious, highly gifted, capable to understand ancient books. With a magician's abilities, you could have been a servant of dark forces.
The lesson that your last past life brought to your present incarnation:
Your task is to learn, to love and to trust the universe. You are bound to think, study, reflect, and to develop inner wisdom.
Do you remember now?

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

“Você acaba onde tem que acabar”
É na primeira ferida que você aprender a gostar da dor.
“Você acaba onde tem que acabar”
Sem medo agora, vai até o fim.
“Você acaba onde tem que acabar”
Mais fundo.
“Você acaba onde tem que acabar”
Mais.
“Você acaba onde tem que acabar”
Gravado à faca no meu cérebro.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

espasmos

    E então o sinal se pôs vermelho; parou na avenida chuvosa de Botafogo. As luzes frias da orla não se misturavam com as luzes quentes, com aquele sinônimo tão conhecido de “amor” e “família” do shopping agora natalino, tal qual óleo e água. Papais Noéis emagrecidos pela crise carregavam nas costas seus sacos já não mais tão cheios enquanto rostos cansados voltavam do trabalho, seguindo a coreografia. Era só mais um outro final de dia.
Ligou o som, desligou o som. O sinal abriu, correu, outro sinal fechou. O curto caminho do trabalho pra casa sempre esticava quando era sexta-feira, com aqueles infelizes sortudos atravessando a ponte para mais um final de semana feliz na casa de praia. `Tá aí algo que ela nunca entendeu – casas de veraneio para moradores da Avenida Atlântica; todos branquelos até que se toque o sino.
    Assisti Manuela brigar com o controle da garagem para, depois de alguns palavrões, finalmente entrar. Vi-la deixar o cigarro de filtro vermelho cair no tapete do carro, assim como a vi se abaixando com cara de dor para o pegar. O hábito de se estressar com um trabalho sedentário e de pular refeições para rechear-se de cigarro e café a tornaram fina, quase tão transparente quanto sua presença a olhos nus; a corpos diluídos.
    Subiu afobada as escadas de casa, desviou de algumas baratas, combinou consigo mesma de dedetizar a casa (mas não esse mês, a conta de telefone veio alta de novo. Talvez fosse hora de acabar com os trotes por um tempo...), enfim, entrou em casa sem bater. Para alguém assim, entrar em casa sem bater é o alarme da solidão (mesmo que para alguém assado seja a prova da independência...); para essa ''pessoinha'', independência havia se tornado ilhamento.
    Entrou chutando o salto e acendendo outro cigarro. As vezes me pergunto o quê causa à Manuela tanto estranhamento em sua capa de ser humano. Ela não é feia, se é que você me entende... ela só não é... ela (ou ele, ou o quê seja). Penso até mesmo que se fosse para categorizar a menina em alguma espécie, ela seria uma outra, uma nova. Nem a nem b, um x. Ou melhor, um x não, um x não porque todo mundo é x entre quatro paredes, ela seria um ∏, mas um desses sem valor, sem raiz quadrada.
De qualquer forma, lá ela estava jogada, no meio da sala, fumando feito uma puta de esquina, com as pernas abertas feito bailarina, a mente vazia enquanto a fumaça tomava conta do pequeno quadrado de seu conjugado.
    Os minutos dançavam lentamente, sem nunca sair do compasso, embalando a fumaça nessa valsa constante, tal qual oxigênio. Inspirava, expirava, piscava; existia. “O quê você faz da vida?” “Qual o seu nome?” “O que você pretende fazer quando 'w' acabar?” “O quê...” “Como...” Moveu os dedos dos pés, alongou as pernas, atrofiou-se. “Quem é você?” E assim mais um ato se acabava, a mão alcançava o isqueiro e logo todos voltavam das pequena pausa para apreciar um outro, fresco, inédito ato de inalar e exalar mais de 4.500 substâncias prejudiciais à saúde.
    É difícil dizer o que se passa na cabeça de alguém quando o assistimos fumar, assim tão compenetrado. É difícil dizer o que se passa na cabeça de alguém que passa por nós com cara de cu. É difícil dizer o que se passa na cabeça de quem senta ao seu lado oito horas por dia, de quem te pariu, de quem dorme em sua cama... mas uma coisa é certa, nada é.



















                                                                                 chega

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009


Foi em 13 de Outubro de 83. Eram suas bodas de rubi. A Terra girava certa como sempre e ironicamente era Primavera quando vi Vovó mudar. Ela secou num piscar de olhos, como planta que a gente deixa de regar só porque se esqueceu de onde diabos deixou o regador e suas folhas vão secando pouco a pouco, do verde para o amarelo, até caírem duras, secas, mortas.
Folha a folha até restarem-se apenas os galhos, nus e magros. E com a Vovó foi bem assim, como se um dia eu fosse dormir com ela rechonchudamente alegre e brilhante, e no outro acordasse com ela apagada, oca.
Eu tinha lá pelos meus nove anos, com meu vestido azul rodado e os cabelos amarrados, quando atendi ao pedido de mamãe e fui chamar a Vó Nena para partir o bolo e tirar mais um bocado de fotos. Corri pelo corredor repleto de fotografias dela com o Vô Velho, com a fome me apressando e fui logo enfiando a cara pela porta entreaberta.
Vó Nena estava sentada na cama, parada com a cara congelada de dor. Em seu colo estava uma pequena caixa de sapatos entupida de papéis e outras coisas.
Ela segurava forte o que parecia ser uma carta, suas unhas bem polidas quase rasgando o papel. Parei na porta por um tempo, quase como se também estivesse congelada de dor, se é que eu sabia o que isso significava naquela época. Entrei e sentei-me ao seu lado, puxando a caixa para mim. Vovó segurou meu pulso, me fazendo parar no meio do caminho. Seus olhos brilhavam com lágrimas, fixos no armário com a porta aberta.
“Eu estava procurando os brincos que seu avô me deu em nosso primeiro aniversário de casamento. Eu não me lembrava bem onde eles estavam, mas sabia que havia os guardado até hoje, por aqui, em alguma caixa. Não sei por que, mas senti que talvez devesse procurar na parte dele do armário... estúpida idéia, não é mesmo, meu docinho?” Ela se virou para mim e eu apenas confirmei com a cabeça, fazendo minhas tranças balançarem, acompanhando a primeira lágrima gorda que rolava por seu rosto. “Todos esses anos e eu nunca toquei em nada dele, respeitei seu espaço, honrei com minha parte do trato. E hoje, logo hoje, meu maldito destino me prega esta peça... o destino é algo muito azedo, sabia, querida? É, é azedo sim, não há desculpas. Se não lhe azeda na entrada, com certeza o fará na saída.”
Olhei para a caixa e vi a foto do Vô Velho ainda moço, com uma mulher ao seu lado. Bonita, ela parecia ter vindo ‘dum’ daqueles filmes ou da televisão, tão diferente da Vó... ela não tinha jeito de vó, não tinha jeito de mãe e eu nunca tinha visto uma mulher assim, ao menos não tão de “perto”. Hoje eu sei que ela tinha jeito de mulher, de mulher que a gente não encontra dentro de casa. Pensei que talvez ela fosse uma tia minha ou coisa que o valha, mas vovó não me deixou perguntar, apenas me abraçou forte, com seus cabelos loiros e bem penteados se esfregando em meu rosto, com seu cheiro de massa de bolo. Até hoje, nessa fatídica tarde de Agosto, me lembro da vovó quando alguém assa um bolo. Cheiro de casa.
De qualquer forma, vovó apenas me abraçou e me prometeu que um dia, quando eu estivesse mais velha e não fosse mais menina, mas sim uma mulher feita, um dia eu entenderia. Mas que agora era hora de guardar a caixinha especial e esquecer a idéia imbecil dos brincos, pois estava na hora de partir o bolo e comemorar o casamento deles. Ela resmungou mais algumas outras coisas sobre casamento, confiança e traição, mas só o que ficou gravado na minha cabeça oca de criança, foi que mulher que era mulher, cheirava a desejo, não a massa de bolo, pois só assim, sendo verdadeiramente mulher, que se é amada.
Não dei muita bola a nada que ela tinha dito, nem mesmo isso, porque toda essa história de amor e mulher e traição não significavam nada para mim quando comparados à Emília ou o Balão Mágico. Então eu só sorri e disse a ela que estava tudo bem chorar, por que eu sabia que era choro de felicidade e que quando é assim, de felicidade, faz bem chorar, por que só lembra a gente do quanto somos felizes. Ela então sorriu para mim, secou as lágrimas com seu lenço e levantou para se ajeitar em frente ao espelho. Dei uma última espiada na caixa em cima da cama e estendi minha mão a ela, e assim passei de volta pelo corredor recheado de memórias em quadros.

Vovó entrou na sala e encarou Vô Velho por um bom tempo, os quatro olhos fixos uns nos outros, como arma mirando num alvo, gelados e pontiagudos. Vovô baixou a cabeça, suspirando enquanto ela dançava pela sala entre os convidados com a mesma desenvoltura de sempre. Finalmente fomos até a mesa no quintal, onde estavam o bolo e todas as outras coisas que não podíamos comer antes do “Parabéns” porque era coisa feia e falta de educação... ou consideração, que seja. Fiquei bem ao lado deles, ansiosa por aquele brigadeiro, tentando tirar uma lasquinha com o dedo ou coisa que o valha. Vi vovó encostar a boca pintada de vermelho na orelha de seu marido e sussurrar “Eu sei de tudo.”. Ele apenas engoliu forte a saliva, fazendo seu pomo de Adão se mexer e assim a festa continuar, sem mais interrupções. Ou talvez eu que simplesmente não tenha notado mais nada depois que caí de cara no brigadeiro que só ela sabia fazer.
E foi a partir dali, assim, que vi Vó Nena secar, pouco a pouco, se esvaziar feito bexiga de festa sem ninguém nunca entender o porquê. Mas os anos se passaram e como já era de se esperar, os dois já se foram e eu cresci sem muito revisitar o quê havia acontecido naquela tarde. Sem muito pensar naquilo até hoje.
E então chegou 16 de Agosto de 2002. Um dia comum, uma tarde qualquer, típica de Rio de Janeiro. Saí cedo do trabalho devido ao enjôo infeliz que não arredava o pé de mim. Era pouco depois da hora do almoço quando passei a chave pela porta, largando minhas coisas pela mesa e seguindo para o quarto. Na pequena mesinha ao lado da cama, achei o celular do meu marido. Diogo era uma verdadeira cabeça de vento que sempre se esquecia de tudo, mas nunca de carregar o celular consigo como se sua vida dependesse de tal coisa. Meu estômago dançou dentro da minha barriga, piorando a náusea que vinha azedando meu dia desde manhã. Estiquei-me até o celular e peguei-o com ligações perdidas e mensagens recebidas. Abri o flip, sentando em nossa cama de casal impecavelmente arrumada. Várias das ligações, todas as mensagens eram de uma Simone. Elas vomitavam paixões e apelidos carinhosos e clichês, com um fogo que nunca havíamos sentido. Pois não, eu não, mulher com o mínimo de respeito não iria me rebaixar a tal nível de abrir meu corpo para tais fantasias, ao menos não em voz alta. Mulher que é mulher de verdade, mulher que se preze, se respeita, não é mesmo?
Que seja! Nada disso fazia diferença agora que meu coração gelou, comigo sentada na cama com a cara congelada de dor. Do nada, não sei por que, lembrei daquela tarde de Outubro na casa da Vovó. Agora eu já não era mais menina, era mulher feita, construída o suficiente para aguentar a chuva de concreto que caía lentamente, mensagem a mensagem, sobre minhas estruturas. Agora eu era grande o bastante para entender. Maldita tarde de calor, maldito forno chamado Rio de Janeiro. Maldita gravidez com todas as suas complicações e enjôos e frescuras. Tudo por que o destino é assim, azedo, e já não era hora de ele vir dar seu toque de limão em minha vida. Naquela tarde típica de Agosto, eu sequei. Engoli forte minha saliva, tentando umedecer as idéias, apertando o maldito aparelho, tentando voltar no tempo e o lembrar de levar o celular, o lembrar de não perder meu regador, de não errar, de não me deixar secar. Mas não, agora era hora de guardar aquela caixinha especial e deixar o destino azedar de vez a minha saída, solar meu bolo.
Mas antes eu deixei ali, na prova do crime, como nota de rodapé na notícia - “eu sei de tudo.” E então nossa porta bateu...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

dance me to the end of love

De todas as minhas resoluções de segunda-feira, a única que quero realizar é me abrir... mas apenas o suficiente para deixá-lo tentar entrar. 


Não tem jeito, para baixar minha guarda, só na base da porrada.

the couch


Percorri o mesmo corredor de semanas atrás. O ar condicionado congelando minha pele deixada à mostra, chamando minha atenção para os pêlos arrepiados nos meus braços daquelas cicatrizes em linha. Percorri o mesmo caminho de semanas atrás. Os mesmos rostos tristes do elevador, o mesmo silêncio cortante das portas trancadas. Pacientes pacientemente tornando-se meros números nos prontuários; doenças e tragédias e ferimentos auto-infligidos, escondidos sob a pele corada da vida carioca.
Percorri os mesmos sentimentos de semanas atrás. O medo despertando o quê quer que existisse dentro da minha barriga. O excesso de comida, a falta de controle, o excesso de nojo, a falta de amor próprio. Só estou tentando ser a melhor garota que posso.
Porque é quando achamos que tudo melhorou, que somos tomados por surpresa. É quando comemoramos aliviados e relaxamos que a corda aperta e perdemos o ar.
As mesmas paredes geladas da cama que não é sua, dessa vida que não é nossa. A mesma vista pra favela, onde você só assiste inquieto, sentado no seu novo trono de dor, um animal por um, subindo e descendo o morro da vida... vivendo enquanto você continua preso nesse matadouro cinco estrelas.
Percorri as mesmas certezas de semanas atrás. O sorriso novo em folha, os olhos inchados escondidos pela maquiagem, os quilos ganhos. O excesso de talento para a falta de palco. Só estou tentando ser a melhor filha que posso.
Porque é quando tenho certeza que ganhei, que explodem o pódio. É quando aprendo a chutar, que engolem o alvo. É quando eu acho que você melhorou, que você me machuca.
As mesmas facadas que eu tinha aprendido a esquecer, a mesma dor para prender o choro que eu já nem conhecia mais. As mesmas lágrimas que afogam o sorriso que tão recentemente aprendi a imitar das revistas que você colecionava para mim ou das novelas que nunca consegui assistir.
Percorri as mesmas dúvidas de anos atrás. Quando a única certeza que não podia derrubar era de nunca ser boa o bastante. O excesso de gordura, a escassez de beleza, a falta de jeito pra viver, a tendência a querer sofrer... a bipolaridade que herdei de você.
Percorri as mesmas alegrias de anos atrás. Quando abrir caminho para aquilo que posso controlar é trancar o quê você enfia em mim. Quando eu achava ser dona de mim, dona da minha dor, dona de todo o espetáculo.
E você não consegue mais sorrir.
Ela continua a cansar-se, duvido que ela sequer consiga mentir agora.
Ninguém mais consegue te divertir.
E eu continuo a cansar-me, duvido que eu sequer consiga burlar a fome agora.
Então eu como. Repouso os olhos na comida para não ter que pousá-los em você.
Tento trocar os cigarros pelas calorias, para engordar e tentar alegrar você.
Abro mão de perder mais uns quilos para ganhar algum sorriso seu.
Tento trocar o controle por mais umas mordidas para tentar confortar você.
Para engordar e tentar esconder.
Que de tudo, o que menos posso aguentar, é me ver pesar.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

without words

de tanto querer, aprendi a não sentir
mas pior que sofrer, é apenas existir
de tanto pedir, aprendi a só esquecer
e pior que lembrar é não querer viver


sem palavra alguma, como um bolo na garganta
aprendi a engolir, aprendi a crescer, mentir
sem dar nenhum passo, feito um diabo, santa
firo o que protegia, feito mae, feito cria


e foi de tanto precisar que aprendi a cortar
cortar o cordão umbilical, aprendi a perdoar
como qualquer santo de pau oco saberia de cor
é melhor quebrar a imagem a moer um animal só


sem palavra alguma, tal qual um câncer, sujo
aprendi a andar sem ti, sem rédeas, no imundo
sem dar nenhum passo, feito bandido perdoado
começo por mim, sem ti, sem medo, consertado.

domingo, 15 de novembro de 2009

"A amizade é semelhante a um bom café; uma vez frio, não se aquece sem perder bastante do primeiro sabor."


- Imannuel Kant

domingo, 1 de novembro de 2009

le donne hanno perduto la guerra

Não escrevo há muito tempo. Já não marco mais outros encontros furtivos, na calada da noite, com o papel e a caneta para mais uma sessão coruja de terapia de choque. Apenas os deveres matinais, onde nem mais reconheço minha cursiva, registrando velozmente o quê deveria calcar minha base forte o suficiente para me transformar em uma boa profissional um dia
Mas não, há uma multidão por aqui. Há muito gente querendo sair, implorando para sair e eles precisam de ar, é preciso abrir algum caminho. Mas não, apenas bloqueio com meus canhões e uns poucos pobres soldados, coitados. Meu cotidiano maquinal tanto fez que alcançou seus objetivos – já não mais sinto, apenas máquina sou.

E dessa multidão amorfa, essa massa de indigentes, sempre me visita Carolina. Ela coça, arranha, cutuca, rasga minhas paredes até que eu abra alguma brecha. Abro caminho para minha bala hipodérmica predileta.
De todos eles, só a Carolina eu não consigo abafar. Logo ela?, eles diriam; pois logo ela.

Carolina passou a madrugada fazendo origami, sentada ao meu lado. Não conversávamos; de descartável já nos bastava a vida. Palavras não são tais como papéis; palavras não são recicláveis. Uma vez postas fora, não há jeito; nada lhes muda a forma, permanecem pontiagudas até o fim.
Então permanecemos caladas. Ela com os olhos nos papéis e eu sem os meus.
Sentada no chão com as pernas abertas, sua coluna está mais arqueada que o normal. A menina, coitada, carrega meu fardo. É o preço de se ter uma voz num quarto tão silencioso.
Mas Carolina não se acanha. E dentre tulipas e baleias, constrói-me uma casa. E a pinta. E me entrega. Uma casa onde ficar, sem precisa se alimentar. Uma casa assim, estreita, pequena, onde uma pessoa assim tão grossa e repugnante como eu não entraria...
E Carolina não come, apenas sorri. Alcança o copo d’água e se alimenta de minhas fábulas. Carolina é minha ídola.
E as horas passam e seu corpo dói, mas ela não pára para pensar; ela não abre a boca. Respira fundo e vai, forte. Minha heroína.

Mas então chega a hora de pôr o lixo fora, e as palavras de alguém alcançam o quarto. E são pontiagudas, gordurosas, com cheiro de salgadinho. E as horas passam, cadê a força? Carolina tropeça nas palavras e corre para a cozinha, seguindo o mapa antigo para o tesouro valioso. E cai. De novo.
E eu permaneço aqui, sem olhos. Não seguirei Carolina, não, não dá. Ainda preciso entrar na casa.

sábado, 10 de outubro de 2009

i've bled and i bleed to please you...


E eles iriam se encontrar ocasionalmente pelas ruas de Botafogo, fingindo sorrisos, distribuindo afagos, compartilhando cigarros; e eles iriam tentar conversar, tentar doar uns minutos de seu dia para quem costumava lhe significar a vida.
Mas então as gargantas secariam, as palavras sumiriam; os motivos se desfariam no ar frio e parado daquele lugar supostamente tropical.
E mais dias se passariam; mais a distância aumentaria, os cheiros se apagariam, as memórias se esvaziariam e a vida seguiria.
Novos amigos viriam, amores inéditos estreariam nas novas noites de sextas e o gosto da pipoca não lhe pareceria mais tão insosso; é a vida.
Um comeria desesperadamente, o outro aprenderia a passar fome. Um estragaria seus pulmões, o outro aprenderia a beber sem procurar um motivo pra sorrir; é essa a vida?
E eles iriam trocar mensagens, desejos de boa sorte, notificações de saudade. E eles iriam tentar, tentar pelos velhos tempos; tentar porque é o que se resta a fazer quando não se quer ficar.
Mas então tudo seria em vão, quando aceitar e aprender a nadar na nova maré é tão mais difícil que cravar as unhas na areia movediça de outrem.
E mais noites nasceriam; menos a tristeza apareceria e o álcool diluiria tudo que fosse sólido demais para ficar.
Novos sonhos seriam sonhados, os antigos desperdiçados. Um pronto para ser preenchido enquanto o outro cai esgotado.

E então eles se encontrariam, nus e secos pelas ruas hoje tão molhadas de Botafogo, nem tentariam fingir sorrisos. Se abraçariam sem vontade, se tocariam sem afeto; é sempre assim que se acabam as parcerias? Combinariam sessões de filmes inteligentes, sair para beber, qualquer coisa que evitasse o diálogo, o confronto. E combinariam, e cobrariam, e combinariam novamente, sem nunca sair, até um deles desistir, e o outro acolher o melhor que estava por vir.
E antes da estação mudar, o abraço quente diário se transformou em letras na tela do seu computador; a dor abriu espaço para o esquecimento, logo você, com essa sua mente tão cheia de nada, a oficina perfeita pro diabo, logo você... me entende?



E antes que eu pudesse evitar, você já tinha ido. Antes mesmo de eu notar, disso eu já havia esquecido. Antes que eu pudesse me importar, já havíamos crescido; o outono chegou e eu até sei para onde você tem ido... apenas não quero te seguir pra lá.
E assim mais de nossos dias se passariam e na próxima tarde cinzenta em que virasse uma daquelas de nossas esquinas, eu te encontraria mas não pararia. Engolimos pólos opostos, ou iguais, não sei, nunca entendi de Física, mas sei que hoje o que você tem repele o que é meu e não adianta tentar, nada mais disso é seu.



E antes que eu pudesse me envergonhar disso, minha boca assume. Como um orgão que é mutilado e se regenera, com o tempo o espaço que era teu fora preenchido. E o que veio, foi. O que foi, em breve vai ser esquecido, pode sorrir, não está entre meus planos viver a te perseguir.
E seu cheiro está na fumaça de cada cigarro, seus passos soam pelo quarto, sua risada atrapalha cada momento de silêncio, mas... você, você não; você? Nunca. Você? Já passou. A você? Só resta o adeus.



Boa sorte, sentirei saudades...

sábado, 3 de outubro de 2009


E eu tenho esse problema, que eu venho comentando sobre desde o começo dessa semana, comentando com as pessoas com quem eu estudo, é; enfim, eu tenho essa mania, que é bem mais um problema, de acabar imitando aquilo que eu estou lendo quando escrevo. E quando penso também. 
Meu Deus, acaba virando um emaranhado de períodos que não acaba mais, e tudo com as vírgulas mal colocadas, as metáforas se misturando com as símiles e tudo ficando bem pobre e de um extremo mau gosto no final das contas. Mas é que eu não consigo florear, enxugar, fazer ficar legível, bonito, melhorar o que penso; não consigo. Acho que tem algum defeito no canal de comunicação entre o quê penso e falo com o quê vai parar no papel (ou na tela do computador, de qualquer forma). Acho até que vou acabar dividindo isso em diferentes posts (já que hoje em dia dividir em capítulos seria tão útil quanto ilustrar um livro em braile, se é que você me entende) e trocar a ordem, postar primeiro o final para por último colocar o começo e assim a primeira parte ficar em cima, como as coisas devem ser. 
É que nem depoimento de Orkut; odeio quem manda aqueles depoimentos gigantescos divididos em vários pequenos textos de 1200 (ou seriam 1400?) caracteres cada um, sempre o número necessário de depoimentos pra encher a sua página. Aliás, será que eu posso escrever sobre Orkut? Por essas e por outras que eu não tenho futuro nenhum nisso, mas, vem cá, se a Brooke Sheilds ou seja lá como se escreve o sobrenome dessa criatura da Lagoa Azul, enfim, se a guria pode tirar foto nua (e toda cheia de óleo e ‘danadeza’, valha-me) aos dez anos de idade e tal ir para numa exposição extremamente pornográfica e não ser considerada pornografia infantil, deixe-me escrever o quanto de diabo eu quiser sobre Orkut e Twitter e tudo isso que hoje eu não vivo sem. É arte, minha gente, é arte. Cada um vende o que tem.
Mas de qualquer forma, como eu bem ia dizendo, eu tenho esse problema de acabar imitando quem eu estou lendo. Mas nem me importo, é bom que pelo menos alguma coisa eu estou escrevendo. Sinto que desde que resolvi pôr meu cérebro para funcionar de sete à hora-que-ainda-me-aguento-de-pé todo o resto de originalidade, ou até mesmo de criatividade, de que eu possa um dia ter usufruído foi por ralo abaixo, feito cabelo que cai durante o banho. Se bem que cabelo cai às pampas e nem por isso a gente fica careca, mas é. Pelo menos eu estou escrevendo.
E comecei isso aqui, que eu nem sei o quê é, meio assim que pra não esquecer, no que era para ser meu trabalho de sociologia, mas veja só – Weber é um pé no teu saco. Ou na minha vulva e nos teus colhões, como você bem o queira. É um cara prolixo, desses que sabem encher linguiça como ninguém, que te consome sessenta páginas do teu dia com algo que no final do capítulo você descobre que é mentira, ou pior – que não importa. A importância disso na minha formação eu não encontrei idem, mas vai saber. Sou só mais uma aluna de dezoito anos que nada sabe de coisa alguma. Pra alguma merda isso deve vir a me servir um dia; o livro como um porta copo pra minha vodka, vai saber.
Mas de qualquer forma, só comecei aqui pra não esquecer. Bem o quê, eu não sei, mas se deixasse ficar passeando pela minha cabeça, não ia ter carneiro que ia aguentar pular tanta cerca. Eu sempre penso nas horas erradas e sempre depois das dez. Agora já são quase duas da matina, dessas bem frias que deixam teu Rio com cara de paulista, e eu aqui com o rabo sentado na frente desse computador Lentium 200 rodando na base da manivela, escrevendo sabe-se Deus sobre o quê, quando eu bem poderia estar examinando o espírito do capitalismo. 
Mas resumidamente...
De coração? Cheguei nem ao perispírito daquilo.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

amores breves de metrô


I decided today to change my ways
Instead of a bus I got in a subway
Morning's over I'd soon sink into bed
That was all 'till something cracked inside my head


When I got to my station
Elis was our soundtrack
Such a sweet interruption
The sounds of your steps


I swear I already know your smell
It's like we were related
I mean well, look at our feet man
They're even coordinated


(...)


Well, yeah I can't dance with those two left feet
But I can see us moving correctly to the beat
There's no way out now, we're connected
No one ever had it, I swear, I stole their romantic crap


'Cause I can see us marrying, yeah
And having red head wise kids
Laughing at people's idiocy
'Cause we're better than 'em, I mean, we're you and me


(...)


I'd even let you mess my comics,
touch my stuff, as long as you kept me company.
If you only said hello.


Jéssica Happatsch


terça-feira, 8 de setembro de 2009

like spinning plates


you set your saturdays on fire
your mondays and sundays too
you breathe in such a great life
while everyone breathes back to you


i stand a little tower of pisa
glued to bed from nine to five
i relive those same old lies
just so i keep my groove fine


but we used to be so alike, partners in crime
it's such a shame you had to go, i played my part
where've you been my friend while it all fell apart
it's such a shame you had to live, don't leave don't...


you used to cry every rehearsal
over your older sister's hard ways
i would hold you till you choke
then we'd laugh it all away


but now i stand still on the bed
every day like the same old wreckage
i'm packed to be shipped next morning
my guns're heading to your home


cause we used to be so alike, partners in crime
it's such a shame you had to go, i'll be alright
where've you been my friend while i fell apart
it's such a shame you'd have to go, now close your eyes


cause when you think you've had enough
brothers turn into enemies as the war begins
when you think you'll be strong enough
there'll be no road back to your old beliefs
they've gone away, you're free to breathe 


well we used to be so alike, partners in crime
it's such a relieve you had to live, now goodbye
where've you been my friend while i remained fine
it's such a shame i couldn't leave before the fire started

sábado, 18 de julho de 2009


Algumas pessoas têm reclamado do tamanho da minha fonte mas é que, veja só, minha caligrafia também é assim toda pequena, meio apertadinha, então eu queria algo que assemelhasse-se à ela, entendes? :)
E veja só, poderia ser bem pior.

xx