Muitos reis, muitos reis mas nenhum de ouro. Nenhuma dama e aquele valete vermelho ou abóbora, nunca soube muito bem, com aquele balãozinho ali embaixo. Era muito amada e não havia nenhuma outra dama entre elas. Mas também nenhum obstáculo seria vencido.
Em suma, apenas a certeza do óbvio, quase que uma desnutrição do incerto. Nada de ouro no meio de uma bando de merda; nada alem de suas mentiras em penas brilhantes e pássaros. E sabe-se Deus mais o que diabos.
Recent Posts
Mostrando postagens com marcador momentos kodak. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador momentos kodak. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 31 de março de 2011
terça-feira, 15 de março de 2011
aqui, agora e de verdade.
Postado por
qseumabrastemp
Aqui.
Apenas o eu, fantasiado de Morfeu.
Nada além do véu, do suor e do breu.
Apenas o eu, a única coisa que me pertenceu.
A coisa única que sempre foi nunca.
Única
Sempre
Nunca
Coisa apenas.
Agora.
Apenas o eu, como havia de sempre ser.
Não amanhã ou depois, apenas deitar-se e nada ver.
Montar e ser montada, tudo sentir e nada viver, nenhuma gota reter.
Apenas o eu, apenas ser.
O agora, não o ontem; não o amanhã que não pode chegar.
Nas lembranças, criança, apenas deitar a cabeça quando chapada conseguir voltar
Somente, única e apenas e tão docemente, somente se for para não sonhar.
Se enganar
Montar
Cair
Deixar a guarda alcançar
Apenas o agora
única e apenas e tão docemente
Somente ganhar.
E de verdade.
Apenas o eu, sempre tão teu.
Respira fundo, boneca, deixa ir.
Let the good air out, let the trip in.
Deixa sangrar, pequena, mas let it be.
E dividida entre Beatles e Rolling Stones
entre o bem e o mal, o que se quer e o que se pode
Seja apenas você, apenas o que se pode vender
Seja ele, se apague, vire ela.
Vista a capa que mais lhe convir
Mas não deixe nunca, ninguém
Não deixe ninguém nunca descobrir.
Apenas o eu, fantasiado de Morfeu.
Nada além do véu, do suor e do breu.
Apenas o eu, a única coisa que me pertenceu.
A coisa única que sempre foi nunca.
Única
Sempre
Nunca
Coisa apenas.
Agora.
Apenas o eu, como havia de sempre ser.
Não amanhã ou depois, apenas deitar-se e nada ver.
Montar e ser montada, tudo sentir e nada viver, nenhuma gota reter.
Apenas o eu, apenas ser.
O agora, não o ontem; não o amanhã que não pode chegar.
Nas lembranças, criança, apenas deitar a cabeça quando chapada conseguir voltar
Somente, única e apenas e tão docemente, somente se for para não sonhar.
Se enganar
Montar
Cair
Deixar a guarda alcançar
Apenas o agora
única e apenas e tão docemente
Somente ganhar.
E de verdade.
Apenas o eu, sempre tão teu.
Respira fundo, boneca, deixa ir.
Let the good air out, let the trip in.
Deixa sangrar, pequena, mas let it be.
E dividida entre Beatles e Rolling Stones
entre o bem e o mal, o que se quer e o que se pode
Seja apenas você, apenas o que se pode vender
Seja ele, se apague, vire ela.
Vista a capa que mais lhe convir
Mas não deixe nunca, ninguém
Não deixe ninguém nunca descobrir.
Marcadores:
auto-indulgencia,
emaranhado de palavras,
esse turuturuturu...,
estrada,
flores,
momentos kodak,
outubro,
poemas,
post-secret,
random
·
segunda-feira, 14 de março de 2011
Postado por
qseumabrastemp
Minha vida tem dado voltas e voltas e umas outras reviravoltas ainda mais loucas. É mãe descobrindo o que já havia descoberto três vezes em sua vida, é amor acabando num fim sem fim, coisas que seriam eternas saindo pela tangente por que agora a santa resolveu virar vadia. Não sou obrigada, não posso com isso. Minha vontade é de enfiar uma granada no rabo de cada um e esperar que o Bruno Mars pegue-a por eles? Ou não? Não sei.
Mas já que um dos meus zilhares de signos - pois sou bem dessas que acreditam tanto em Zodíaco que sabem muito bem que suas luas e águas e linhas do destino são todas guiadas por mais de um signo. E sempre pelos mais filhos da puta, é claro. De qualquer forma, já que um dos meus signos diz que amo mudanças, resolvi que abraçaria todas e ainda causaria mais algumas. Larguei a faculdade de Jornalismo. Quis sumir do mundo, mas só consegui sumir do de alguns; quer dizer... Comecei teatro, me encontrei na vida. Dei um tapa na cara de quem eu juro que é o amor da minha vida só para depois de menos de uma semana eu encontrar a criatura bêbada e toda caída pelo chão da boate enquanto eu, que achei que experimentar um doce era a boa, tava era muito feliz e não vendo problema algum em coisa nenhuma e bem... nos pegamos.
Agora você vem e me pergunta: o que mudou? Sempre menti na faculdade e em todos os trabalhos à ela relacionados. Sempre fui uma grande atriz aqui em casa e pelas esquinas da vida também. Agora só vou me profissionalizar, não? Não mesmo. É mais difícil do que eu esperava e, novidade, eu sou uma merda. Resultado? Gamei mais ainda. É mesmo a paixão da minha vida. Peguei a Facha, a fancha e a porra toda e joguei tudo pro ar; era hora de ser feliz.
Mas mudar? O que mudou? A Facha continua a mesma coisa e a fancha quem sempre foi de verdade - uma versão mais aloprada de mim. Mas a grande graça nisso é que ela odeia esse "eu" e veja só, agora ela é ele e elevado ao cubo, no mínimo. Como isso me afeta? Em muitas, muitas partes. Estou lá querendo curtir minha viagem e minha boate e a porra da minha vida e o resultado? Tô caindo na dela de novo. Dia seguinte? Depois de me encontrar jogada no chão do meu quarto depois de ter pegado carona - ou um táxi, ainda não sei - e ter passado por uma padaria e não saber como acordei com dinheiro a mais, fui beber. Por que ressaca ou bad trip você cura assim: bebendo mais. Qualquer outro problema também. Pois então. Resolvi ligar para ela que agora era minha amiga de balada? Ligar e resolver e dizer que não, sua louca, sua lunática, não estou puta. Eu te conheço, não estou puta pois já esperava algo do tipo. Então oh... relaxa e goza, só não empata mais outras fodas da sua amiguinha. E olha ela, quem nunca gostou de beber, toda com voz de ressaca e falando que ia era beber mais por que queria que o planeta bem que se explodisse. Pois bem. Que se explodisse enquanto eu pegava o elevador e ia atrás de minha amada cervejinha de Domingo.
Conversa vai, conversa vem... quem liga? E bêbada? Ela. Fala várias coisas aleatórias, nega todas as merdas que falou na madrugada anterior e do nada me pergunta onde estou e o quê estou fazendo. Tensão. Também estava vindo para essas bandas. Tensão aumenta; todos corre. Ok, levantei pois resolvemos que íamos era beber em outro lugar. Tudo lindo, tudo numa nice. Bati um papo maroto com um engraxate que me chamou para o Cabaret do Alex e foi aí que eu pensei que mais bizarro não ficava - mentira. Vadia me liga dizendo que está perdida em Ipanema e pedindo ajuda. Mas hein? Em que parte do Livro da Vida está escrito que eu sou obrigada, hein? Quer dizer... me aponta que eu apago, sério.
Tudo bem, pior não fica mesmo. Fui para casa. Quem entra no MSN? Sim, sou repetitiva e por isso você adivinhou - ela. Continua insistindo de que não lembra de nada e quando fui tentar ajudar a sua memória a dar um refresh nas coisas mais leves, o quê ela fez? Lançou uma desculpa, umas farpinhas aqui e ali e depois ainda afirmou que era para fingir que nada havia acontecido pois agora que as brigas passaram poderiam sair para beber e nos divertir.
Caguei. Solenemente. Quase que enquanto andava e olha que tenho prisão de ventre. Mas como alegria de pobre, preta e gay dura pouco... ela me manda SMS na manhã seguinte, ainda como se nada, nunca, ever tivesse sequer cogitado a possibilidade de acontecer. Sou obrigada? Alguém me manda uma luz?
Não sei. Tudo que sei é que não dá para poetizar esse momento da minha vida. Mas tudo bem, alguma hora eu volto e tento ser mais profunda nisso tudo e fingir que aconteceu com outra pessoa por que é, gosto assim, viu? Quando não trepam e nem saem de cima. Sejamos todos iôiôs uns dos outros por que a vida foi feita para viver, certo?
Mas já que um dos meus zilhares de signos - pois sou bem dessas que acreditam tanto em Zodíaco que sabem muito bem que suas luas e águas e linhas do destino são todas guiadas por mais de um signo. E sempre pelos mais filhos da puta, é claro. De qualquer forma, já que um dos meus signos diz que amo mudanças, resolvi que abraçaria todas e ainda causaria mais algumas. Larguei a faculdade de Jornalismo. Quis sumir do mundo, mas só consegui sumir do de alguns; quer dizer... Comecei teatro, me encontrei na vida. Dei um tapa na cara de quem eu juro que é o amor da minha vida só para depois de menos de uma semana eu encontrar a criatura bêbada e toda caída pelo chão da boate enquanto eu, que achei que experimentar um doce era a boa, tava era muito feliz e não vendo problema algum em coisa nenhuma e bem... nos pegamos.
Agora você vem e me pergunta: o que mudou? Sempre menti na faculdade e em todos os trabalhos à ela relacionados. Sempre fui uma grande atriz aqui em casa e pelas esquinas da vida também. Agora só vou me profissionalizar, não? Não mesmo. É mais difícil do que eu esperava e, novidade, eu sou uma merda. Resultado? Gamei mais ainda. É mesmo a paixão da minha vida. Peguei a Facha, a fancha e a porra toda e joguei tudo pro ar; era hora de ser feliz.
Mas mudar? O que mudou? A Facha continua a mesma coisa e a fancha quem sempre foi de verdade - uma versão mais aloprada de mim. Mas a grande graça nisso é que ela odeia esse "eu" e veja só, agora ela é ele e elevado ao cubo, no mínimo. Como isso me afeta? Em muitas, muitas partes. Estou lá querendo curtir minha viagem e minha boate e a porra da minha vida e o resultado? Tô caindo na dela de novo. Dia seguinte? Depois de me encontrar jogada no chão do meu quarto depois de ter pegado carona - ou um táxi, ainda não sei - e ter passado por uma padaria e não saber como acordei com dinheiro a mais, fui beber. Por que ressaca ou bad trip você cura assim: bebendo mais. Qualquer outro problema também. Pois então. Resolvi ligar para ela que agora era minha amiga de balada? Ligar e resolver e dizer que não, sua louca, sua lunática, não estou puta. Eu te conheço, não estou puta pois já esperava algo do tipo. Então oh... relaxa e goza, só não empata mais outras fodas da sua amiguinha. E olha ela, quem nunca gostou de beber, toda com voz de ressaca e falando que ia era beber mais por que queria que o planeta bem que se explodisse. Pois bem. Que se explodisse enquanto eu pegava o elevador e ia atrás de minha amada cervejinha de Domingo.
Conversa vai, conversa vem... quem liga? E bêbada? Ela. Fala várias coisas aleatórias, nega todas as merdas que falou na madrugada anterior e do nada me pergunta onde estou e o quê estou fazendo. Tensão. Também estava vindo para essas bandas. Tensão aumenta; todos corre. Ok, levantei pois resolvemos que íamos era beber em outro lugar. Tudo lindo, tudo numa nice. Bati um papo maroto com um engraxate que me chamou para o Cabaret do Alex e foi aí que eu pensei que mais bizarro não ficava - mentira. Vadia me liga dizendo que está perdida em Ipanema e pedindo ajuda. Mas hein? Em que parte do Livro da Vida está escrito que eu sou obrigada, hein? Quer dizer... me aponta que eu apago, sério.
Tudo bem, pior não fica mesmo. Fui para casa. Quem entra no MSN? Sim, sou repetitiva e por isso você adivinhou - ela. Continua insistindo de que não lembra de nada e quando fui tentar ajudar a sua memória a dar um refresh nas coisas mais leves, o quê ela fez? Lançou uma desculpa, umas farpinhas aqui e ali e depois ainda afirmou que era para fingir que nada havia acontecido pois agora que as brigas passaram poderiam sair para beber e nos divertir.
Caguei. Solenemente. Quase que enquanto andava e olha que tenho prisão de ventre. Mas como alegria de pobre, preta e gay dura pouco... ela me manda SMS na manhã seguinte, ainda como se nada, nunca, ever tivesse sequer cogitado a possibilidade de acontecer. Sou obrigada? Alguém me manda uma luz?
Não sei. Tudo que sei é que não dá para poetizar esse momento da minha vida. Mas tudo bem, alguma hora eu volto e tento ser mais profunda nisso tudo e fingir que aconteceu com outra pessoa por que é, gosto assim, viu? Quando não trepam e nem saem de cima. Sejamos todos iôiôs uns dos outros por que a vida foi feita para viver, certo?
Marcadores:
auto-indulgencia,
emaranhado de palavras,
esse turuturuturu...,
estrada,
momentos kodak,
outubro,
random
·
domingo, 23 de janeiro de 2011
Nas frestas da hora exata
Postado por
qseumabrastemp
Dizem que sempre sentimos a morte por perto, o que de certa forma realmente faz alguma lógica. Não acredito que ele nunca tenha sentido antes do choque, da notícia e das respostas, assim como não acredito que não sejam todos nós que sinta a maldita por perto a cada novo dia que abrimos os olhos; a cada novo dia que temos a menos na contagem final. Ela está sempre ali e ele sempre soube, procurou; espalhava aos sete ventos e mares e tantos mais que queria era apressar seu encontro e que o resto pudesse ir para o inferno. Eu, apesar da tempestade que sou, sempre quieto fiquei, apenas assistindo, sorrindo, negando e perdoando.
E assim, sempre meio que a perseguindo, meio que lá no fundo querendo fugir dela e sim procurando por só um pouquinho de atenção ou um abraço ou um agrado qualquer, chegou o dia. O dia em que ele, coitado, tão frágil e leve tal qual um anjo ou uma pena ou uma esperança qualquer, ele viu que poderia ir. Poderia ir e sem deixar muito por aqui; tristeza, saudade ou qualquer coceira dentro de um outro alguém. Mas para um, aquele um, esse um que é eu, pois veja bem que merda, ele queimaria um todo a cada cigarro fumado no desespero, a cada dose empurrada para dentro apenas para ser jogada para fora na manhã por vir. Frágil feito a esperança de que algo assim tão deles pudesse, quem sabe, um dia realmente vir a dar certo para sempre e ser como nos filmes que assistiam juntos, nas canções que deixavam rolar altas entre um cigarro e uma trepada e um e outra; só sair daquelas expectativas tão adoradas, ele soube. Ele sentia, certeza. Até mais nada daquilo e nem dele deixar de ser.
Tão parado e calmo, quieto como nunca e ainda mais leve, meu Deus, por dias ele ficou. Silencioso, a respiração falha e pesada, cada fôlego como um novo esforço maior que as tragadas antes tão sagradas, assim não acredito que ele não tenha sentido ela por perto. Mesmo calado, adormecido ou quase ido, não acredito que não tenha pensado a todo segundo "Pois é, meu Deus, fudeu. Agora eu vou". Ele podia não falar, mas certeza eu tinha de que ouvia. E no silêncio branco preenchendo e sobrevoando aquele quarto gelado, eu bem sabia que em sua cabeça neurônios mastigavam a notícia, o desfecho já escrito com quase a data e local decididos. Ele sabia que iria, ele sabia.
Mas ele sempre procurou por isso, não é o que diziam? Não é o que ele mesmo dizia? As noites vividas, os zilhares de maços e corpos e bagulhos e pintos e vaginas e a porra toda que viria no meio, por cima, por trás, entre dedos ou línguas e entranhas. Amores, desamores, ressacas, bad trips, corações partidos e remendados, pregas perdidas, enfim. Tudo aquilo, seu mundo. Tudo aquilo só não mais ido que ele.
Ele, esse anjo tão frágil e pequeno e translúcido; mal compreendido, quase não amado e tão idolatrado. Ele, esse ele, meu Deus, meu tudo e o tudo de todos e o nada de mais alguns e tanta coisa e ainda assim coisa alguma. Ele, meu Deus, e ele? E se ele tiver indo? E nunca mais eu ouvi-lo vindo, nunca mais existir um voltando? Um telefone tocando e aquela voz tão gostosa e nervosa, tremida e rouca pelos tantos cigarros que agora eu me pergunto, "será que ele ainda os terá?". Meu anjo não muito organizado e domado ou bem montado seria sem aqueles vinte. E muito menos com capa, com plástico separando dois corpos para impedir o livre trânsito das almas, não é o que ele dizia? E sem tudo, sem festa, sem eira nem beira? Santo que não do pau oco? E agora? Não haveria mais aquela voz me cantando "vem logo, meu caro, vem que já estou a te esperar com café e braços." E lábios, e dores, cicatrizes e segredos adoecidos, tudo junto. O corpo inteiro e todas as ziguiziras. E se mais nada disso eu tivesse?
Mas a morte, essa companheira constante, a única certeza que tenho na vida, aquela que anda de mãos dadas com a maior das incertezas de quatro letras, pois é, ela resolveu ir passear. E me dar um pouco mais do meu anjo, agora ainda mais frágil e translúcido mas sempre tão lindo. Meu anjo em breve estaria vindo, pois é. Daquela voz e braços e tudo o mais eu ainda teria... até não mais o ter.
E ele, aquele que eu julgava conhecer do avesso mais que conheço meus filmes e músicas favoritos, ele já não era mais aquilo. Já não era mais nada. Era uma folha em branco, molhada, prestes a se desmanchar. E eu, meu Deus, sempre tão afoito e afobado e grosseiro, eu o rasgaria em um simples abraço. Eu e meu cheiro de cigarro, da vida que ainda levava, agora ainda mais desesperada, eu com meu cheiro e essência de eu. Eu o rasgaria, meu Deus.
Distância, distância. Mas eu deveria mostrar apoio, não é mesmo? Parecia tudo agora uma corrida contra o tempo; uma corrida injusta, não dava para trapacear com ele assim tão aos trapos. Era tempo de correr e mostrar o que era amor, "mas amor não, é proibido. Você não precisa selar teu suicídio assim, rapaz", mas amor sim. Mais amor sim.
E então o vi, ali, tão incerto e perdido de si mesmo quanto eu e minhas lembranças poderíamos estar. Sentamos os dois, cada um em sem mundinho, em seu próprio espaço. Sentamos os dois e o ouvi, cada medo novo, cada dúvida e as inseguranças e tudo aquilo que o mantinham perfeito, ainda que todo novo e em branco, ainda que tão outro. Mas aqueles olhos não mudavam, nem a voz já não mais tão rouca pela falta de nicotina que tanto o desesperava. Ouvi-o e permanecemos ali, quietos e barulhentos, certos da incerteza de que seria cada novo passo. E eu permaneceria ali a cada droga pesada e carne que se enfraquecesse, mesmo que o nunca mais viesse para o amor. E tentou vir.
Nunca mais as peraltices, nunca mais os pênaltis a pagar, os cigarros a fumar, as noites a trepar. Nunca mais, nunca mais. Nunca mais o meu amor de pecador a sujar suas novas asas de anjo, nunca mais. Mas eu permaneceria ali, meus olhos cansados mereciam assistir àquele milagre. Das cinzas nunca mais jogadas despretenciosamente da ponta de uma bala, dali renasceria aquele; aquele que seria sempre meu, o meu aquele. Sem capas, sem distâncias, sem nojos ou receios. Meu, para todo o sempre... meu.
E os dias vieram e as mudanças passaram e as inseguranças novamente vestiram outras vestes e os dias se foram e eu permaneci ali. Eu, com a minha voz rouca de nicotina, apenas para ligar para ele e implorar "anda, meu anjo, vem logo. Vem logo que eu 'tô te esperando e cansado de rezar. Anda, se apressa, meu caro. Vem que a nossa hora vai passar e é a minha que está a chegar."
(inspirado livre e loucamente nas minhas viagens sobre a descoberta de CF de sua doença e o anjo que ele deve ter tido, aquele moreno de quem ele tanto falou Depois de agosto).
E assim, sempre meio que a perseguindo, meio que lá no fundo querendo fugir dela e sim procurando por só um pouquinho de atenção ou um abraço ou um agrado qualquer, chegou o dia. O dia em que ele, coitado, tão frágil e leve tal qual um anjo ou uma pena ou uma esperança qualquer, ele viu que poderia ir. Poderia ir e sem deixar muito por aqui; tristeza, saudade ou qualquer coceira dentro de um outro alguém. Mas para um, aquele um, esse um que é eu, pois veja bem que merda, ele queimaria um todo a cada cigarro fumado no desespero, a cada dose empurrada para dentro apenas para ser jogada para fora na manhã por vir. Frágil feito a esperança de que algo assim tão deles pudesse, quem sabe, um dia realmente vir a dar certo para sempre e ser como nos filmes que assistiam juntos, nas canções que deixavam rolar altas entre um cigarro e uma trepada e um e outra; só sair daquelas expectativas tão adoradas, ele soube. Ele sentia, certeza. Até mais nada daquilo e nem dele deixar de ser.
Tão parado e calmo, quieto como nunca e ainda mais leve, meu Deus, por dias ele ficou. Silencioso, a respiração falha e pesada, cada fôlego como um novo esforço maior que as tragadas antes tão sagradas, assim não acredito que ele não tenha sentido ela por perto. Mesmo calado, adormecido ou quase ido, não acredito que não tenha pensado a todo segundo "Pois é, meu Deus, fudeu. Agora eu vou". Ele podia não falar, mas certeza eu tinha de que ouvia. E no silêncio branco preenchendo e sobrevoando aquele quarto gelado, eu bem sabia que em sua cabeça neurônios mastigavam a notícia, o desfecho já escrito com quase a data e local decididos. Ele sabia que iria, ele sabia.
Mas ele sempre procurou por isso, não é o que diziam? Não é o que ele mesmo dizia? As noites vividas, os zilhares de maços e corpos e bagulhos e pintos e vaginas e a porra toda que viria no meio, por cima, por trás, entre dedos ou línguas e entranhas. Amores, desamores, ressacas, bad trips, corações partidos e remendados, pregas perdidas, enfim. Tudo aquilo, seu mundo. Tudo aquilo só não mais ido que ele.
Ele, esse anjo tão frágil e pequeno e translúcido; mal compreendido, quase não amado e tão idolatrado. Ele, esse ele, meu Deus, meu tudo e o tudo de todos e o nada de mais alguns e tanta coisa e ainda assim coisa alguma. Ele, meu Deus, e ele? E se ele tiver indo? E nunca mais eu ouvi-lo vindo, nunca mais existir um voltando? Um telefone tocando e aquela voz tão gostosa e nervosa, tremida e rouca pelos tantos cigarros que agora eu me pergunto, "será que ele ainda os terá?". Meu anjo não muito organizado e domado ou bem montado seria sem aqueles vinte. E muito menos com capa, com plástico separando dois corpos para impedir o livre trânsito das almas, não é o que ele dizia? E sem tudo, sem festa, sem eira nem beira? Santo que não do pau oco? E agora? Não haveria mais aquela voz me cantando "vem logo, meu caro, vem que já estou a te esperar com café e braços." E lábios, e dores, cicatrizes e segredos adoecidos, tudo junto. O corpo inteiro e todas as ziguiziras. E se mais nada disso eu tivesse?
Mas a morte, essa companheira constante, a única certeza que tenho na vida, aquela que anda de mãos dadas com a maior das incertezas de quatro letras, pois é, ela resolveu ir passear. E me dar um pouco mais do meu anjo, agora ainda mais frágil e translúcido mas sempre tão lindo. Meu anjo em breve estaria vindo, pois é. Daquela voz e braços e tudo o mais eu ainda teria... até não mais o ter.
E ele, aquele que eu julgava conhecer do avesso mais que conheço meus filmes e músicas favoritos, ele já não era mais aquilo. Já não era mais nada. Era uma folha em branco, molhada, prestes a se desmanchar. E eu, meu Deus, sempre tão afoito e afobado e grosseiro, eu o rasgaria em um simples abraço. Eu e meu cheiro de cigarro, da vida que ainda levava, agora ainda mais desesperada, eu com meu cheiro e essência de eu. Eu o rasgaria, meu Deus.
Distância, distância. Mas eu deveria mostrar apoio, não é mesmo? Parecia tudo agora uma corrida contra o tempo; uma corrida injusta, não dava para trapacear com ele assim tão aos trapos. Era tempo de correr e mostrar o que era amor, "mas amor não, é proibido. Você não precisa selar teu suicídio assim, rapaz", mas amor sim. Mais amor sim.
E então o vi, ali, tão incerto e perdido de si mesmo quanto eu e minhas lembranças poderíamos estar. Sentamos os dois, cada um em sem mundinho, em seu próprio espaço. Sentamos os dois e o ouvi, cada medo novo, cada dúvida e as inseguranças e tudo aquilo que o mantinham perfeito, ainda que todo novo e em branco, ainda que tão outro. Mas aqueles olhos não mudavam, nem a voz já não mais tão rouca pela falta de nicotina que tanto o desesperava. Ouvi-o e permanecemos ali, quietos e barulhentos, certos da incerteza de que seria cada novo passo. E eu permaneceria ali a cada droga pesada e carne que se enfraquecesse, mesmo que o nunca mais viesse para o amor. E tentou vir.
Nunca mais as peraltices, nunca mais os pênaltis a pagar, os cigarros a fumar, as noites a trepar. Nunca mais, nunca mais. Nunca mais o meu amor de pecador a sujar suas novas asas de anjo, nunca mais. Mas eu permaneceria ali, meus olhos cansados mereciam assistir àquele milagre. Das cinzas nunca mais jogadas despretenciosamente da ponta de uma bala, dali renasceria aquele; aquele que seria sempre meu, o meu aquele. Sem capas, sem distâncias, sem nojos ou receios. Meu, para todo o sempre... meu.
E os dias vieram e as mudanças passaram e as inseguranças novamente vestiram outras vestes e os dias se foram e eu permaneci ali. Eu, com a minha voz rouca de nicotina, apenas para ligar para ele e implorar "anda, meu anjo, vem logo. Vem logo que eu 'tô te esperando e cansado de rezar. Anda, se apressa, meu caro. Vem que a nossa hora vai passar e é a minha que está a chegar."
(inspirado livre e loucamente nas minhas viagens sobre a descoberta de CF de sua doença e o anjo que ele deve ter tido, aquele moreno de quem ele tanto falou Depois de agosto).
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Postado por
qseumabrastemp
i watch the sky changing colors and my skin burns
the sand, the scratches and the bites - they all become one
i watch you changing colors and my bones, they burn
it's you shifting souls again, wearing different faces again
but everything will dissolve into a magnificent paint
or even fireworks as they explode over the covers
a fever melts your disguises as i hold you closer
your sweet little lies, lullabies, implode my walls
i watch the days run over and my fingers ache
another chance i wasted over a drunk passing dog
i watch you run cheap and something almost hurts
it's you writing better lullabies again, new lies in vain
but everything will dissolve into a thin brief void
or even something even saints would avoid
a fever melts my will as you remain farther
my sweet little will, over, implodes my hopes
the sand, the scratches and the bites - they all become one
i watch you changing colors and my bones, they burn
it's you shifting souls again, wearing different faces again
but everything will dissolve into a magnificent paint
or even fireworks as they explode over the covers
a fever melts your disguises as i hold you closer
your sweet little lies, lullabies, implode my walls
i watch the days run over and my fingers ache
another chance i wasted over a drunk passing dog
i watch you run cheap and something almost hurts
it's you writing better lullabies again, new lies in vain
but everything will dissolve into a thin brief void
or even something even saints would avoid
a fever melts my will as you remain farther
my sweet little will, over, implodes my hopes
Marcadores:
auto-indulgencia,
emaranhado de palavras,
esse turuturuturu...,
estrada,
momentos kodak,
outubro,
poemas
·
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
merda, merda, merda, merda...
Postado por
qseumabrastemp
Eu deveria ser proibida de querer pessoas. Assim que minha mente resolvesse que eu havia encontrado um novo amor ou uma obsessão, alguém travestido de papai noel apareceria e me carregaria pelos cabelos para a cadeira elétrica. E o tronco, a fogueira, injeção letal, serra elétrica... a porra toda. Chumbinho também serve, de preferência misturado num risoto de camarão ao molho de pinga. Quero morte na certa.
Cada vez que eu pensasse em me deixar sorrir revivendo palavras, cheiros, qualquer coisa... alguém viria e me atingiria com um hadouken. É sério. Pensei em amar? Trocarei logo por trabalhar, me exercitar, andar... Qualquer verbo que eu pudesse conjulgar sem envolver a bagunça que carrego por dentro. Na mente? Somento evolução, solamente essa merda.
É só que eu me fodo tanto - e fodo tanto com tudo - que estou até pensando em começar a oferecer workshops sobre o assunto: Aprenda Com Jéssica Happatsch Em 24 Horas Como Seguir Se Fudendo a Vida Toda. It's quite a gift, mate. Woody Allen adoraria me conhecer e tomar as escolhas dessa minha vida como inspiração.
Mas o ano só está começando, certo? Estamos na primeira semana útil e se à meia noite e um eu berrei foda-se e não fiz plano algum, penso foda-se agora e monto uma lista para cumprir até aquele dia 31.
O que é meu eu dou para quem eu quiser, seja a vagina ou o coração. Vou ter meu próprio imposto e pagar e parar de procurar por uma mão. Vou seguir forever alone together with my pussy por essa vida e se eu quiser gemer alto, que eu não deixe me calarem com a razão.
Esse ano serei uma puta de respeito e satisfarei meus próprios desejos, seja com o amor da minha vida, o namorado da amiguinha ou a puta amiga de profissão me esperando ali na esquina.
Cada vez que eu pensasse em me deixar sorrir revivendo palavras, cheiros, qualquer coisa... alguém viria e me atingiria com um hadouken. É sério. Pensei em amar? Trocarei logo por trabalhar, me exercitar, andar... Qualquer verbo que eu pudesse conjulgar sem envolver a bagunça que carrego por dentro. Na mente? Somento evolução, solamente essa merda.
É só que eu me fodo tanto - e fodo tanto com tudo - que estou até pensando em começar a oferecer workshops sobre o assunto: Aprenda Com Jéssica Happatsch Em 24 Horas Como Seguir Se Fudendo a Vida Toda. It's quite a gift, mate. Woody Allen adoraria me conhecer e tomar as escolhas dessa minha vida como inspiração.
Mas o ano só está começando, certo? Estamos na primeira semana útil e se à meia noite e um eu berrei foda-se e não fiz plano algum, penso foda-se agora e monto uma lista para cumprir até aquele dia 31.
O que é meu eu dou para quem eu quiser, seja a vagina ou o coração. Vou ter meu próprio imposto e pagar e parar de procurar por uma mão. Vou seguir forever alone together with my pussy por essa vida e se eu quiser gemer alto, que eu não deixe me calarem com a razão.
Esse ano serei uma puta de respeito e satisfarei meus próprios desejos, seja com o amor da minha vida, o namorado da amiguinha ou a puta amiga de profissão me esperando ali na esquina.
sábado, 25 de dezembro de 2010
Postado por
qseumabrastemp
vem comigo que teu alimento vai esfriar
o sangue vai secar
a chance vai passar e outra vez
vem comigo que tua cama tá pronta
meus braços a te esperar
vem antes desse shot se gastar
vem comigo que o calor é pra ser teu
pisa nesse coração feito palco num breu
vem antes do dia amanhecer
e voce vem
vem sempre
e sempre veio
eu que não vejo
me chama que eu preciso de um alimento
o sangue não quer parar
a chance já passou e tantas vezes
me chama que eu já não tenho mais cama
me dá teus braços a me enrolar
me chama antes de eu me desencantar
me chama pra ti, por qualquer calor
me deixa dançar sobre ti, onde for
me chama que é pra me amanhecer
o sangue vai secar
a chance vai passar e outra vez
vem comigo que tua cama tá pronta
meus braços a te esperar
vem antes desse shot se gastar
vem comigo que o calor é pra ser teu
pisa nesse coração feito palco num breu
vem antes do dia amanhecer
e voce vem
vem sempre
e sempre veio
eu que não vejo
me chama que eu preciso de um alimento
o sangue não quer parar
a chance já passou e tantas vezes
me chama que eu já não tenho mais cama
me dá teus braços a me enrolar
me chama antes de eu me desencantar
me chama pra ti, por qualquer calor
me deixa dançar sobre ti, onde for
me chama que é pra me amanhecer
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
today's highlight
Postado por
qseumabrastemp
história no tumblr
Marcadores:
auto-indulgencia,
emaranhado de palavras,
esse turuturuturu...,
momentos kodak,
outubro
·
terça-feira, 12 de outubro de 2010
no, she doesn't regret a thing.
Postado por
qseumabrastemp
I like sweet things, pastels colors, cotton candies and long drunk dreams
I like aching while I wait and goodbyes because that's what I'm made of.
I like reruns when the ticket's price's too high, you know I'd never bet low.
I like myself a few of them and a lot. I like things and then I hate them but I,
well, I know I'll like them even more.
I don't like promises when they sound like mere rotten chains and vain
while they jump out of your sore lips in a heartbeat and so thoughtlessly
only to remain ringing in my ears, crawling through a poor and itching me.
I don't like long cold goodbyes when it's your hand waving me away but,
well, I don't like the sound of your steps.
I want Almodóvar writing my script, Piaf singing it away in pure joy and tears
I want the best actors to recite my lines but I'll keep the lies all mine, only mine
I want French love affairs and never ending trips to the sky and to trip on you
And on him and on all of them and I want to feed my hunger in your arms but,
well, I want more than they're willing to fake.
I don't want to learn from mistakes, I'd only cherish them like mother like son
I don't want to stop to take a breath and admire the sight, life's way too short
And I don't want to come back here ever again, it's only once and with feelings
I don't want to reach to you and I don't want to let you go but you, filthy whore...
I'm getting sick of your cheap burns and it's getting late, I can't miss the next.
There'll be thousand others and pictures to remind them all and kisses and all
there'll be better touches, plenty of fucks, worse lips but there'll be none, dear
there'll be none who'll take your place.
It was good while it lasted the first time. Good and painful.
And it's being great now that it's ending for the second time.
But life is too short and I'm afraid there'll be no next round.
I like aching while I wait and goodbyes because that's what I'm made of.
I like reruns when the ticket's price's too high, you know I'd never bet low.
I like myself a few of them and a lot. I like things and then I hate them but I,
well, I know I'll like them even more.
I don't like promises when they sound like mere rotten chains and vain
while they jump out of your sore lips in a heartbeat and so thoughtlessly
only to remain ringing in my ears, crawling through a poor and itching me.
I don't like long cold goodbyes when it's your hand waving me away but,
well, I don't like the sound of your steps.
I want Almodóvar writing my script, Piaf singing it away in pure joy and tears
I want the best actors to recite my lines but I'll keep the lies all mine, only mine
I want French love affairs and never ending trips to the sky and to trip on you
And on him and on all of them and I want to feed my hunger in your arms but,
well, I want more than they're willing to fake.
I don't want to learn from mistakes, I'd only cherish them like mother like son
I don't want to stop to take a breath and admire the sight, life's way too short
And I don't want to come back here ever again, it's only once and with feelings
I don't want to reach to you and I don't want to let you go but you, filthy whore...
I'm getting sick of your cheap burns and it's getting late, I can't miss the next.
There'll be thousand others and pictures to remind them all and kisses and all
there'll be better touches, plenty of fucks, worse lips but there'll be none, dear
there'll be none who'll take your place.
It was good while it lasted the first time. Good and painful.
And it's being great now that it's ending for the second time.
But life is too short and I'm afraid there'll be no next round.
Marcadores:
auto-indulgencia,
emaranhado de palavras,
esse turuturuturu...,
momentos kodak,
outubro,
poemas,
random
·
catecismo em nilópolis
Postado por
qseumabrastemp
"o copo pode estar vazio, mas seu coração sempre está cheio."
"já posso sentir o álcool percorrendo meus capilares."
"quase uma brastemp!"
"odeio quando fazem o semi-conhecido."
"os dez mandamentos."
"você quer ajuda?"
"você não quer isso, é sério! você não quer! menino, isso tem pimenta!"
"não cheira, só bebe."
"isso vem da onde? de malibu?"
"vou parar de beber quando fizer dezoito."
"e eu fico tipo: GET A LIIIIFE!"
"vocês fazem catecismo? eu fiz catecismo em nilópolis. - isso daria um livro."
"como no final de um filme, aí a gente olha para o céu e a câmera se afasta e aparece "fim"."
"tenho dezenove anos e não vivi minha vida em sua plenitude. mas eu moro aqui perto, então eu sempre volto."
"Deus é pai! Deus é maior! Deus é maaaaaaior!"
"Você é a Cris, né? Eu sou a... mas a senhora não vai lembrar de mim. A senhora vai lembrar de mim? Por favor, lembre de mim, porque eu vou lembrar de você."
"Ele é um pequeno Mussolini."
"Ah..."
"Se eu já sei como será lá... com gente sentada em bancos na chuva. Fico na chuva daqui, no banco daqui."
"no meu bar, nãããão!"
"apertar.''
Preciso me lembrar as outras tão melhores e fazer um livro. É, vou fazer um livro e o título será "catecismo em nilópolis".
"já posso sentir o álcool percorrendo meus capilares."
"quase uma brastemp!"
"odeio quando fazem o semi-conhecido."
"os dez mandamentos."
"você quer ajuda?"
"você não quer isso, é sério! você não quer! menino, isso tem pimenta!"
"não cheira, só bebe."
"isso vem da onde? de malibu?"
"vou parar de beber quando fizer dezoito."
"e eu fico tipo: GET A LIIIIFE!"
"vocês fazem catecismo? eu fiz catecismo em nilópolis. - isso daria um livro."
"como no final de um filme, aí a gente olha para o céu e a câmera se afasta e aparece "fim"."
"tenho dezenove anos e não vivi minha vida em sua plenitude. mas eu moro aqui perto, então eu sempre volto."
"Deus é pai! Deus é maior! Deus é maaaaaaior!"
"Você é a Cris, né? Eu sou a... mas a senhora não vai lembrar de mim. A senhora vai lembrar de mim? Por favor, lembre de mim, porque eu vou lembrar de você."
"Ele é um pequeno Mussolini."
"Ah..."
"Se eu já sei como será lá... com gente sentada em bancos na chuva. Fico na chuva daqui, no banco daqui."
"no meu bar, nãããão!"
"apertar.''
Preciso me lembrar as outras tão melhores e fazer um livro. É, vou fazer um livro e o título será "catecismo em nilópolis".
sábado, 9 de outubro de 2010
sexta-feira, 9 de julho de 2010
the rainbow song
Postado por
qseumabrastemp
i love the beginning and the ending
because the colors are so pretty and the angles...
red and blue and green just like a kodak picture...
and among that so flat but straight
i'm thirsty, i'm hungry
i'm in need, i am sick
i'm up and i'm down
nowhere to be found
i love the beginning and the ending
i'm stuck at the start and you are at the finish line...
i need to swallow and inhale you into a better me...
and among that so young but narrow
i am hungry but here
you see so i can't give
i'm up so you're down
you lost what i found
but down at the finish line
what ended was only me
you're still going on
and on and on and...
just like a rainbow
so flat and straight
or an airplane crash
so young but narrow
and chosen by arrows
sweeter than shackles
dancing to your beats
staining my symphony
nowhere to be found
no one's to be bound
sexta-feira, 25 de junho de 2010
ubuntu
Postado por
qseumabrastemp
você -
que quebra todo o meu gelo;
que arromba as portas que eu tranco;
que explode os muros que levanto;
você -
que arranca sorrisos da minha cara amarrada;
que me ensina o que é caminhar acompanhada;
que tenta, pacientemente, me ensinar o que é...
você -
que chegou de mansinho, assim, todo quietinho;
que chegou feito mineiro, comendo pelos cantinhos;
no seu próprio ritmo, na sua batida, pra me melodiar...
você -
que é mais parte de mim que meu juízo jamais será;
que me ensina a espremer do choro aquele riso
meio assim com aquele gosto amargo de quero mais...
de que preciso.
você -
que me faz tremer a carne;
que invadiu minhas entranhas;
que me cortou o que remendou;
você -
que é assim meio sensacional nas suas falhas;
que sempre me corta só pra me deixar sem fala;
que me faz baixar a crista, desistir da guarda;
você -
que veio pra ficar;
que veio pra amar;
que veio pra aguentar;
você -
que é mais eu do que eu jamais serei;
que é melhor do que um dia sonhei;
que me faz rimar feito rock inglês;
você, minha criança. meu filho, meu bandido. você que já não é mais tão menino, homem feito de barba e coração cristalino. você que sempre será minha criança, minha cria, meu protège. você que é tudo pra mim...
hoje você é mais você; o mundo é mais você! o universo conspira a teu favor só pra atender ao teu prazer.
e você hoje é mais que quatro letras, um acento aqui e uma correção de gramática ali. você é eu, eu sei. e ti? do ya?
mas não se engane, pequeno, achando que isso é meio assim que só hoje... é pra todo o sempre feito conto de fadas, grudado no ramo que carrego gravado no ombro. no direito, onde você sempre se apoiará. o ombro daquela mão que sempre estará lá pra ti, só pra ti. pq só você é você. e só nós somos eu.
eu aqui achando que meu maior presente de aniversário para ti só poderia se resumir em três palavras.. mas não. na verdade, esse foi o melhor presente que eu já ME dei. sim, sou egoísta... eu sei...
mas então eu lembrei das aulas mirabolantes de antropologia e de uma palavra que eu achei assim tão linda, que meio que me fez pensar bastante em você, só você. enfim, deixe logo eu te dizer: "ubuntu - eu só existo porque você existe." é uma palavra africana e a mais linda que eu já vi. mais linda que amor, mais linda que você e qualquer outro grupinho de quatro letras que possa vir por aí. mas só porque é a maior verdade que eu conheço - eu realmente só existo porque você existe.
parabéns, carlinhos, meu filho... estou te devendo um nascer do sol na maria quitéria, né? pois hoje eu te dou. :) ubuntu, meu dongsaeng mais necessário~~
que quebra todo o meu gelo;
que arromba as portas que eu tranco;
que explode os muros que levanto;
você -
que arranca sorrisos da minha cara amarrada;
que me ensina o que é caminhar acompanhada;
que tenta, pacientemente, me ensinar o que é...
você -
que chegou de mansinho, assim, todo quietinho;
que chegou feito mineiro, comendo pelos cantinhos;
no seu próprio ritmo, na sua batida, pra me melodiar...
você -
que é mais parte de mim que meu juízo jamais será;
que me ensina a espremer do choro aquele riso
meio assim com aquele gosto amargo de quero mais...
de que preciso.
você -
que me faz tremer a carne;
que invadiu minhas entranhas;
que me cortou o que remendou;
você -
que é assim meio sensacional nas suas falhas;
que sempre me corta só pra me deixar sem fala;
que me faz baixar a crista, desistir da guarda;
você -
que veio pra ficar;
que veio pra amar;
que veio pra aguentar;
você -
que é mais eu do que eu jamais serei;
que é melhor do que um dia sonhei;
que me faz rimar feito rock inglês;
você, minha criança. meu filho, meu bandido. você que já não é mais tão menino, homem feito de barba e coração cristalino. você que sempre será minha criança, minha cria, meu protège. você que é tudo pra mim...
hoje você é mais você; o mundo é mais você! o universo conspira a teu favor só pra atender ao teu prazer.
e você hoje é mais que quatro letras, um acento aqui e uma correção de gramática ali. você é eu, eu sei. e ti? do ya?
mas não se engane, pequeno, achando que isso é meio assim que só hoje... é pra todo o sempre feito conto de fadas, grudado no ramo que carrego gravado no ombro. no direito, onde você sempre se apoiará. o ombro daquela mão que sempre estará lá pra ti, só pra ti. pq só você é você. e só nós somos eu.
eu aqui achando que meu maior presente de aniversário para ti só poderia se resumir em três palavras.. mas não. na verdade, esse foi o melhor presente que eu já ME dei. sim, sou egoísta... eu sei...
mas então eu lembrei das aulas mirabolantes de antropologia e de uma palavra que eu achei assim tão linda, que meio que me fez pensar bastante em você, só você. enfim, deixe logo eu te dizer: "ubuntu - eu só existo porque você existe." é uma palavra africana e a mais linda que eu já vi. mais linda que amor, mais linda que você e qualquer outro grupinho de quatro letras que possa vir por aí. mas só porque é a maior verdade que eu conheço - eu realmente só existo porque você existe.
parabéns, carlinhos, meu filho... estou te devendo um nascer do sol na maria quitéria, né? pois hoje eu te dou. :) ubuntu, meu dongsaeng mais necessário~~
terça-feira, 6 de abril de 2010
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Postado por
qseumabrastemp
Foi em 13 de Outubro de 83. Eram suas bodas de rubi. A Terra girava certa como sempre e ironicamente era Primavera quando vi Vovó mudar. Ela secou num piscar de olhos, como planta que a gente deixa de regar só porque se esqueceu de onde diabos deixou o regador e suas folhas vão secando pouco a pouco, do verde para o amarelo, até caírem duras, secas, mortas.
Folha a folha até restarem-se apenas os galhos, nus e magros. E com a Vovó foi bem assim, como se um dia eu fosse dormir com ela rechonchudamente alegre e brilhante, e no outro acordasse com ela apagada, oca.
Folha a folha até restarem-se apenas os galhos, nus e magros. E com a Vovó foi bem assim, como se um dia eu fosse dormir com ela rechonchudamente alegre e brilhante, e no outro acordasse com ela apagada, oca.
Eu tinha lá pelos meus nove anos, com meu vestido azul rodado e os cabelos amarrados, quando atendi ao pedido de mamãe e fui chamar a Vó Nena para partir o bolo e tirar mais um bocado de fotos. Corri pelo corredor repleto de fotografias dela com o Vô Velho, com a fome me apressando e fui logo enfiando a cara pela porta entreaberta.
Vó Nena estava sentada na cama, parada com a cara congelada de dor. Em seu colo estava uma pequena caixa de sapatos entupida de papéis e outras coisas.
Ela segurava forte o que parecia ser uma carta, suas unhas bem polidas quase rasgando o papel. Parei na porta por um tempo, quase como se também estivesse congelada de dor, se é que eu sabia o que isso significava naquela época. Entrei e sentei-me ao seu lado, puxando a caixa para mim. Vovó segurou meu pulso, me fazendo parar no meio do caminho. Seus olhos brilhavam com lágrimas, fixos no armário com a porta aberta.“Eu estava procurando os brincos que seu avô me deu em nosso primeiro aniversário de casamento. Eu não me lembrava bem onde eles estavam, mas sabia que havia os guardado até hoje, por aqui, em alguma caixa. Não sei por que, mas senti que talvez devesse procurar na parte dele do armário... estúpida idéia, não é mesmo, meu docinho?” Ela se virou para mim e eu apenas confirmei com a cabeça, fazendo minhas tranças balançarem, acompanhando a primeira lágrima gorda que rolava por seu rosto. “Todos esses anos e eu nunca toquei em nada dele, respeitei seu espaço, honrei com minha parte do trato. E hoje, logo hoje, meu maldito destino me prega esta peça... o destino é algo muito azedo, sabia, querida? É, é azedo sim, não há desculpas. Se não lhe azeda na entrada, com certeza o fará na saída.”
Olhei para a caixa e vi a foto do Vô Velho ainda moço, com uma mulher ao seu lado. Bonita, ela parecia ter vindo ‘dum’ daqueles filmes ou da televisão, tão diferente da Vó... ela não tinha jeito de vó, não tinha jeito de mãe e eu nunca tinha visto uma mulher assim, ao menos não tão de “perto”. Hoje eu sei que ela tinha jeito de mulher, de mulher que a gente não encontra dentro de casa. Pensei que talvez ela fosse uma tia minha ou coisa que o valha, mas vovó não me deixou perguntar, apenas me abraçou forte, com seus cabelos loiros e bem penteados se esfregando em meu rosto, com seu cheiro de massa de bolo. Até hoje, nessa fatídica tarde de Agosto, me lembro da vovó quando alguém assa um bolo. Cheiro de casa.
De qualquer forma, vovó apenas me abraçou e me prometeu que um dia, quando eu estivesse mais velha e não fosse mais menina, mas sim uma mulher feita, um dia eu entenderia. Mas que agora era hora de guardar a caixinha especial e esquecer a idéia imbecil dos brincos, pois estava na hora de partir o bolo e comemorar o casamento deles. Ela resmungou mais algumas outras coisas sobre casamento, confiança e traição, mas só o que ficou gravado na minha cabeça oca de criança, foi que mulher que era mulher, cheirava a desejo, não a massa de bolo, pois só assim, sendo verdadeiramente mulher, que se é amada.
Não dei muita bola a nada que ela tinha dito, nem mesmo isso, porque toda essa história de amor e mulher e traição não significavam nada para mim quando comparados à Emília ou o Balão Mágico. Então eu só sorri e disse a ela que estava tudo bem chorar, por que eu sabia que era choro de felicidade e que quando é assim, de felicidade, faz bem chorar, por que só lembra a gente do quanto somos felizes. Ela então sorriu para mim, secou as lágrimas com seu lenço e levantou para se ajeitar em frente ao espelho. Dei uma última espiada na caixa em cima da cama e estendi minha mão a ela, e assim passei de volta pelo corredor recheado de memórias em quadros.
Vovó entrou na sala e encarou Vô Velho por um bom tempo, os quatro olhos fixos uns nos outros, como arma mirando num alvo, gelados e pontiagudos. Vovô baixou a cabeça, suspirando enquanto ela dançava pela sala entre os convidados com a mesma desenvoltura de sempre. Finalmente fomos até a mesa no quintal, onde estavam o bolo e todas as outras coisas que não podíamos comer antes do “Parabéns” porque era coisa feia e falta de educação... ou consideração, que seja. Fiquei bem ao lado deles, ansiosa por aquele brigadeiro, tentando tirar uma lasquinha com o dedo ou coisa que o valha. Vi vovó encostar a boca pintada de vermelho na orelha de seu marido e sussurrar “Eu sei de tudo.”. Ele apenas engoliu forte a saliva, fazendo seu pomo de Adão se mexer e assim a festa continuar, sem mais interrupções. Ou talvez eu que simplesmente não tenha notado mais nada depois que caí de cara no brigadeiro que só ela sabia fazer.
E foi a partir dali, assim, que vi Vó Nena secar, pouco a pouco, se esvaziar feito bexiga de festa sem ninguém nunca entender o porquê. Mas os anos se passaram e como já era de se esperar, os dois já se foram e eu cresci sem muito revisitar o quê havia acontecido naquela tarde. Sem muito pensar naquilo até hoje.
E então chegou 16 de Agosto de 2002. Um dia comum, uma tarde qualquer, típica de Rio de Janeiro. Saí cedo do trabalho devido ao enjôo infeliz que não arredava o pé de mim. Era pouco depois da hora do almoço quando passei a chave pela porta, largando minhas coisas pela mesa e seguindo para o quarto. Na pequena mesinha ao lado da cama, achei o celular do meu marido. Diogo era uma verdadeira cabeça de vento que sempre se esquecia de tudo, mas nunca de carregar o celular consigo como se sua vida dependesse de tal coisa. Meu estômago dançou dentro da minha barriga, piorando a náusea que vinha azedando meu dia desde manhã. Estiquei-me até o celular e peguei-o com ligações perdidas e mensagens recebidas. Abri o flip, sentando em nossa cama de casal impecavelmente arrumada. Várias das ligações, todas as mensagens eram de uma Simone. Elas vomitavam paixões e apelidos carinhosos e clichês, com um fogo que nunca havíamos sentido. Pois não, eu não, mulher com o mínimo de respeito não iria me rebaixar a tal nível de abrir meu corpo para tais fantasias, ao menos não em voz alta. Mulher que é mulher de verdade, mulher que se preze, se respeita, não é mesmo?
Que seja! Nada disso fazia diferença agora que meu coração gelou, comigo sentada na cama com a cara congelada de dor. Do nada, não sei por que, lembrei daquela tarde de Outubro na casa da Vovó. Agora eu já não era mais menina, era mulher feita, construída o suficiente para aguentar a chuva de concreto que caía lentamente, mensagem a mensagem, sobre minhas estruturas. Agora eu era grande o bastante para entender. Maldita tarde de calor, maldito forno chamado Rio de Janeiro. Maldita gravidez com todas as suas complicações e enjôos e frescuras. Tudo por que o destino é assim, azedo, e já não era hora de ele vir dar seu toque de limão em minha vida. Naquela tarde típica de Agosto, eu sequei. Engoli forte minha saliva, tentando umedecer as idéias, apertando o maldito aparelho, tentando voltar no tempo e o lembrar de levar o celular, o lembrar de não perder meu regador, de não errar, de não me deixar secar. Mas não, agora era hora de guardar aquela caixinha especial e deixar o destino azedar de vez a minha saída, solar meu bolo.
Mas antes eu deixei ali, na prova do crime, como nota de rodapé na notícia - “eu sei de tudo.” E então nossa porta bateu...
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
amores breves de metrô
Postado por
qseumabrastemp
I decided today to change my ways
Instead of a bus I got in a subway
Morning's over I'd soon sink into bed
That was all 'till something cracked inside my head
When I got to my station
Elis was our soundtrack
Such a sweet interruption
The sounds of your steps
I swear I already know your smell
It's like we were related
I mean well, look at our feet man
They're even coordinated
(...)
Well, yeah I can't dance with those two left feet
But I can see us moving correctly to the beat
There's no way out now, we're connected
No one ever had it, I swear, I stole their romantic crap
'Cause I can see us marrying, yeah
And having red head wise kids
Laughing at people's idiocy
'Cause we're better than 'em, I mean, we're you and me
(...)
I'd even let you mess my comics,
touch my stuff, as long as you kept me company.
If you only said hello.
Jéssica Happatsch
terça-feira, 7 de julho de 2009
Postado por
qseumabrastemp

Percorre os dedos pelas memórias
Calos se roçam contra as ondulações
Maciez e quentura ilusórias
Onde alimentas o poder da enganação
Socorre o ódio das mágoas
E afoga o amor no passado
Aquece o esquecimento
Prepara a estrutura e o cal
Transita entre as densas águas
Feito doce derretido, melado
Prepara com força o cimento
Aquece as lembranças e o caos
Coça, roça, espreme a virilha
Toma o curso num estalo
Foge, se esconde da vigília
De quem vive e sente como estátua
Então se levanta e começa a rodar
Cai e aprende a andar
É gente grande, outrem amante
Aprendeu a odiar
Então se rasga e aprende a dançar
Os versos queimados de outrem A
prendeu a perdoar
A mesma pele lisa e macia
O mesmo jogar de bacia
O mesmo fluído pulsa quente nas entranhas
Agora não mais vazias
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Postado por
qseumabrastemp

Há pouco arrumei este jardim
Terra fofa, negra e quente
Recheada de sorrisos e piadas
Cravando tuas raízes em mim
Abrindo o caminho para os crentes
Desobstruindo o inviável.
Há pouco cultivei estas flores
Na terra quente, fofa e negra
Coloridas, frutos de tuas dores
Quando hoje a raiz se desintegra.
Não há espaço para o perdão
Onde cresce tanto orgulho.
Onde descansam os gritos abafados
De um desespero quase nulo
Que rasga o peito do ignorante
Lá no alto, quase inalcançável
Implorando por um pouquinho de atenção
Um carinho pra este ser tão abalado.
Há pouco fugi deste campo
Que cresceu feroz e veloz
Engoli tuas ervas daninhas
Fechei os olhos e segui andando
Carregada por este orgulho atroz.
Então, como quem não quer nada,
Como quem vem só por vir,
Volte e não diga uma palavra
Volte e me faça sorrir.
Por que meu orgulho me desconcerta
E a dor da solidão me desintegra
Mas não posso abrir mão
Do que com tanta força construí.
Essa proteção feroz em ação
Meu inabalável muro de Berlim.
Apenas volte, amigo, volte para mim.
Pois você me conhece tão bem,
Lê-me como ninguém.
E de cor, eu sei, você sabe
Não sou apenas paisagem.
Eu sou a mais alta das ilhas.
A mais dura das ilhas.
Incalcançável.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Postado por
qseumabrastemp

Aperto o copo contra o peito
A personificação do receio
Solitário velejo neste mar de gente
De alegrias, alergias, mutantes genes
Com o corpo truncado, trancado
Danço David Bowie de 9 às 6
Brindo Joy Division com todos vocês
Meus melhores amigos tão desconhecidos
Na orla brilhante de Ipanema
Esconderijo meu, teu e das baratas
Onde todos se defloram sem pena
Só porque a verdade é mais barata
E a salvação, inexata.
Aperto o copo contra o peito
Nesse círculo sem recheio
Pouco a pouco vou ficando azedo
Talvez seja hora de voltar
Talvez seja a hora de amar
Mas quem volta, sempre vai
E a frieza do amor sempre arde
Nas feridas do passado revisitado
Que o doutor não pôde costurar
Onde as memórias são digitais
E os amores passados, deletados
Mas ainda hei de amar
Nem que seja meu próprio capataz.
E então sorrio por Ipanema
Não é hora de olhar pra trás
Berro Janis Joplin com minhas pequenas
Por que é recebendo que se dá
O quê antes ficava trancado,
enterrado no peito apertado
pelo copo recheado de receio
onde este naufrago se perdeu
do quê antes era verdadeiro.





