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quinta-feira, 31 de março de 2011


Mas eu nunca te odiei, não. Entre um cigarro ou outro que acendi e gastei até o filtro, queimando os lábios todos vermelhos e sangrados de tão mordidos, não; eu nunca te odiei.
Nem quando berrei que o fazia, nem quando demonstrei que o sentia. Esse ódio, sabes? Essa coisa ruim, essa fome de ver o outro sentindo a dor que você tanto sente, essa fome que vai te corroendo e te comendo todo por dentro como se fosse uma minhoquinha numa maçã. Isso eu nunca senti não, criança… não por ti. Eu não queria te ver em dor, aos prantos, sem conseguir comer ou comendo demais, bebendo por aí e caindo e imitando meus gestos e decisões ou copiando cegamente os meus passos. Eu nunca te quis mal, eu apenas me queria bem. E ainda o quero e acho que ainda não o tenho por que veja só, você sabe - e qualquer um sabe, isso é tão óbvio, por Deus! - eu sou viciada em sofrer. Amo sofrer. Amo uma TPM com comercial de margarina na TV, uma depressão, uma fossa numa manhã de Segunda Feira e uma briga numa tarde de Domingo. Gosto assim. Gosto de sentir e sentir tudo e sentir tanto até que não sinto mais nada e assim eu sou eu novamente. Mas, você sabe, ódio por ti eu nunca senti não.
Por que você foi; você foi embora e foi e fudeu com tudo mas isso é o normal. A vida é esse mar gigantesco e todo mundo e tudo não passa de uma onda; uma onda que vem e vai e algumas te rendem um caixote enquanto outras apenas te balançam toda cheia de ginga e ainda assim vai embora como todas as outras. Mas a culpa não é sua que eu siga a minha vida a bancar jacarés e ficar os perseguindo assim como uma criança geralmente quer um doce só por que tem querer pois assim todas as outras o fazem. E também nem é culpa sua que toda onda que passe por mim me deixe o quadril a dançar em seu ritmo por um bom tempo; um péssimo tempo, na verdade, um tempo até demais. Um tempo que o relógio não ajuda a passar.
Mas eu não te odeio, não mesmo. Ainda sou criança demais para conseguir sentir algo tão maior do que jamais serei e tão mais sujo do que jamais conseguirei segurar aqui, pelo menos não em relação a ti. Ódio é grande demais e assim como a Sininho eu não tenho espaço em mim para algo do tipo, não tem nenhuma vaga pra essa merda em mim não. Eu só quero me amar também e isso não deveria ser difícil. Só quero ver um sorriso na minha cara que dure mais que um dia ou mais que um ensaio e aquela certeza de que eu vou amar de novo, vou sim, e vou ficar tão feliz que não vou lembrar que um dia já quis morrer por causa disso. Por que a vida é assim, né? Um dia você quer amor, noutro você tem e passa o resto do calendário desejando voltar no tempo, àquele tempo em que você não tinha amor e queria mais que tudo ter… só por que não sabia que era assim.
Vai ver o amor é mesmo uma maldição e, assim como a Sininho, eu sou pequena demais para algo tão grande. Então eu vou ficar aqui e ali e fugir pelas tangentes e voltar pela esquerda, direita, por cima e por baixo de você. Vou ficar levitando por aí, entre o aqui e o ti, que é o que dá. Eu só quero ser feliz.

terça-feira, 15 de março de 2011

aqui, agora e de verdade.

Aqui.
Apenas o eu, fantasiado de Morfeu.
Nada além do véu, do suor e do breu.
Apenas o eu, a única coisa que me pertenceu.
A coisa única que sempre foi nunca.
Única
Sempre
Nunca
Coisa apenas.

Agora.
Apenas o eu, como havia de sempre ser.
Não amanhã ou depois, apenas deitar-se e nada ver.
Montar e ser montada, tudo sentir e nada viver, nenhuma gota reter.
Apenas o eu, apenas ser.
O agora, não o ontem; não o amanhã que não pode chegar.
Nas lembranças, criança, apenas deitar a cabeça quando chapada conseguir voltar
Somente, única e apenas e tão docemente, somente se for para não sonhar.
Se enganar
Montar
Cair
Deixar a guarda alcançar
Apenas o agora
única e apenas e tão docemente
Somente ganhar.

E de verdade.
Apenas o eu, sempre tão teu.
Respira fundo, boneca, deixa ir.
Let the good air out, let the trip in.
Deixa sangrar, pequena, mas let it be.
E dividida entre Beatles e Rolling Stones
entre o bem e o mal, o que se quer e o que se pode
Seja apenas você, apenas o que se pode vender
Seja ele, se apague, vire ela.
Vista a capa que mais lhe convir
Mas não deixe nunca, ninguém
Não deixe ninguém nunca descobrir.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

letters to no one

It's Christmas again and the year is already ending. It passed by so quickly, so quickly I barely felt it. Maybe it was because, right in the middle of everything and into my numbness, you showed up... again. But in a completely different way and I just don't know what happened and I've never believed in those stories about love at first sight and well, I still don't buy them yet. Even though I felt as if the ground was swallowing me whole and everything around me was spinning into a black hole leaving only the two of us, standing there as if nothing ever happened before and we were two completely unknown kids, but with all that old everything as a back up. No, I still won't buy it.

I never admit it maybe 'cause I never noticed it, but I think I love you since the very first day when you were coiled up in the corner of the mall, eating your french fries while I just stood there thinking how long it would take me to beg for another cigarette. I loved you there. You looked at me and I felt that fuzzy inside, the one I've been trying to run away from since my very first love. Or crush, we just never know, right? But I don't know... maybe I just numbed it inside because I knew it wouldn't've worked out fine or maybe the time just wasn't right but I ended up burying it and crossing the dancefloor with so many other dancers and now... I can't follow the beat if it's not with you.

God, it is pathetic indeed. I mean, I really feel pathetic. For both feeling it and trying to run from it. But it's just that I can't trust people in this matter, not anymore. I can't take the hurt and you, if you have all this of me with only a glance, God only knows what I'd have left once you decide to walk away.

And that's because of all this apathy I play outside... I'm losing the only thing I asked for this Christmas. I lost it already, actually. God, I really feel like I went too far and I hurt you like I never really meant to. And now you're gone, now you'll run into that cage we all carry along with our hearts and lock yourself there and hide yourself from me and God, I don't want it. No, really. I couldn't take it. I just wanted you and the pain I build by myself because of all those past frustrations and the fears they bring along, well... I just wanted it all to go away. So I hit and hard, over and over. I don't know why though, if deep inside I know I'll never be able to walk away from you.

But it's Christmas, it's a time of love so let there be love. That's what I've been repeating to myself ever since: let there be love, jerk. You know that's all you need. But no, I'll take my steps back and I'll even try to nail back. 'Cause I'm not one you should trust. I get scared. I'm not good enough. I'm a little fucking annoying brat who spoiled herself in order to hide from all the shit she's seen. So yeah, I'm a spoiled brat and I can't face things like this. But I've came to that point where... well, I can't want to live without you.

But it's another year ending and people say it's a time for change and I wanna change. I wanna take you in, let you go for a ride around my world, I wanna let there be love. But at the same time I think I believe I should change back to who I was, strong and unreachable, and leave you alone.

I just want this year to end, really. But I want to be there with you. I want to see the next one coming to life with you by my side. I want to show you I care. I want to let you know I can be a better person if given the chance.

But I don't know. It's like waiting for Santa. Miracles don't happen in real life and this shit I'm stucked in ain't a fucking Hollywood blockbuster. I just wish you were here with me.

And by the way, I'll be wearing your bracelet, I will. And this little necklace I made with the pendant I stole from the gift I bought you. Maybe I'll feel closer. Less alone. Less me.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

usted

Você nunca precisou correr enquanto sangrava, sentar com um sorriso enquanto tudo queimava. Nem nunca precisou tentar fechar com papel as feridas que escondia com seus belos shorts coloridos. Você nunca viu ninguém morrer e precisar continuar andando, então cala a boca.
Você nunca passou fome, nunca viu sua criança chorar por que Papai Noel não veio esse ano. Você nunca ouviu sua mãe se dizer arrependida de ter te deixado nascer. E nem nunca preferiu trocar de lugar com um vegetal para não ter mais que precisar atuar. Então... cala essa boca.
Você nunca precisou engolir o choro enquanto apanhava ou recolher todo o seu material rasgado. Nem nunca foi humilhada ou precisou trabalhar. Você nunca viu o Sol nascer dias a fio por precisar viajar a inocência da sua criança. Então... você já sabe.
Você nunca precisou se fechar para sobreviver. Você nunca escreveu pra prisão, nunca precisou ser revistada, visitada, revisitada. Nunca precisou se apagar, nunca precisou atuar. Você... por Deus.
Você não sabe o que é desmaiar de fome e ainda assim ter nojo do seu próprio corpo. Não sabe o que é querer desaparecer para não chamar a atenção de outros e mais outros e se sentir um parque de diversão de todos os doentes por crianças. Você não sabe o que é se vender. Você só teve um coração partido, vai sobreviver.

Não, você não sabe o que é dor. Então... cala essa boca.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

the broken thin glass under their weigh
in which beneath we may drop
in which beneath we may love

other drown out whishes we hurt to hide
in which we still believe to drown
in which we still build to swallow

the long dirty ends crave their own way into
lifeless lovers dancing along to their corpses
until one has never felt so alive
but one's never felt so used up

take a hand, numb a wish, enjoy the pain
as the glass turns into nothing but disdain
hold to their promises
just hold to your vain

nothing is felt so no souvenir is taken
just another trace left to be untraced.

se nada sei

Eu queria mais que algumas promessas, algo que me fizesse ficar. Algo como aprender a andar de bicicleta, talvez. As vezes tenho quase uma plena certeza de que não sei o que quero, mas sei que quero algo.

Alguma segurança? Algo que eu pudesse tocar, talvez? Mas que pelo menos me preenchesse a todo tempo e que eu nunca mais quisesse chorar. É que eu nunca consigo chorar quando deveria e aí já começo a pensar que nem sinto mais nada e então me bate um desespero que só Deus vendo e não tenho mais certeza de praticamente nada. É quando eu sei que ainda sinto, né? Acho que só perdi o jeito de como lidar com essas coisas. Esse tempo distante do meu pior lado me fez perder toda a manha.

Só sei que me arrumar algo concreto não machucaria, pelo menos não dessa vez. Mais que palavras, olhares ou gestos. Essas coisas o tempo leva e a gente não consegue guardar, segurar por aqui. Só queria saber que não rodei e rodei para voltar àquele mesmo ponto, ainda que ele me pareça o certo, algo mais próximo de casa.

Só que eu penso demais, penso até começar a achar que talvez, quem sabe, eles tenham razão e eu só precise de umas boas noites regadas à álcool, sexo sem compromisso - e nomes, histórias, essências ou gostos -, alguns machucados para lembrar das aventuras e encontrarei alguém melhor. Não sei qual seu parâmetro de bom ou melhor, do certo para mim, mas acho que discordo dele.

Mas então eu paro para pensar e, meu Deus, o que mais eu poderia querer? Eu sei que pior não fica mas melhorar? Eu não mereço algo melhor, não vou ter esse melhor e nem acho que vou procurar. Não sou assim. Vou arredar o pé antes de chegar lá. Mas não sei, não machucaria saber onde diabos estou pisando afinal. Acho que eu não quero o melhor, só quero o que quase encaixa nesse vazio.

Mas é só uma questão de paciência, é meio que uma prova dos nove e se eu aguentar por tudo isso, se eu chegar lá e saber disso, é por que era pra ser. Se não, era só mais uma das milhares de provas de que eu encontrei outra ponte. É, outra... não sei, outra lição. Mais um degrau para que eu me transformasse em quem tenho que ser, para que eu preparasse tudo para quem tem que vir preencher isso aqui (mesmo que eu não queira outro alguém, pelo menos não agora).

E de aproveitar essas horas massantes, a distância e os contras. Aceitar e acolher tudo isso para tentar aprender uma coisa ou outra. Alguma hora isso vai pra frente ou afunda de vez, é só respirar fundo e esperar encontrar seus braços novamente.

E está tudo bem, eu sei que sim. Alguns maços e uns delírios depois, eu sei que ainda sou aquele menino pré-adolescente e perturbado com meus hormônios. Então para que me preocupar, me segurar ou impedir? Para que fugir? Quem sou eu para falar de amor se nada sei? Por isso me calo, já percebi o quanto erram aqueles que falam demais, que tomam tudo como certo e de seu pleno conhecimento. Por isso me calo e espero. É, espero. Espero por quem vai vir aqui me ensinar um pouquinho disso e quem sabe conseguir me fazer abrir a boca para falar de amor.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

today's highlight

história no tumblr.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

neorago.

Eu não peço muito, eu juro. Eu só queria que essa febre baixasse, que minha imunidade se fortalecesse e eu pudesse sugar a sua dor. Ser menos distante, saber abraçar, alcançar. Poder te tirar desses tubos e te conectar à mim, absorver o que te mata e te ver de pé outra vez.
É que você nunca vacilou na minha frente, nunca tropeçou ou caiu. Todos esses heróis das outras crianças são pinto na frente de quem você é, do que você faz por mim. Mas ninguém é de ferro, ninguém é eterno e eu já devia saber disso. Sempre vejo tanta gente vir só para ir logo depois, mas eu não sei se poderia passar por essa sem você.
Por que era você comigo me fazendo respirar, comigo no elevador quando ele caiu e eu estava dopada demais para entender o que te fazia passar. Era você ali, sorrindo para mim mesmo quando eu tomava o caminho contrário e jogava por terra tudo o que a sociedade tenta me fazer acreditar que é o fácil. É você me apoiando nas burradas, nas saídas e nos porres de finais de semana, nos sonhos idiotas de entrar em Julliard ou poder ter uma vida decente na Coréia.
É você quem me derruba, só você. Seja com suas palavras rígidas, sua falta de tato ou quando cai numa cama de hospital; aberto e com água podre jorrando de você, o corredor vazio e minha mente girando. Você não deveria ser o Super Homem com alguma kryptonita. Você não pode ter fraquezas ou eu não tenho em quem segurar. Então, por favor, volta logo. Eu realmente não sei andar sem a tua força pra me manter de pé.
Por que todos eles tentam e por isso eu agradeço, mas eu não posso te perder. Não posso te ver calmo, dormindo quase sem respirar, com só uma máquina te mantendo aqui. E se a luz acabar? Ela deve ter uma bateria, eu sei. Mas baterias acabam e você não deveria depender de uma. Você é tão mais... Quero a sua fúria de sempre, você pode berrar o quanto quiser, me xingar o quanto quiser, só não me deixa sozinha.
Tudo me dói, pai, e os dezenove anos não deveriam ser assim. Tudo arde, 'tô sem pele e a carne queima feito pra caralho, 'tô dizendo. Cadê você pra me esconder os cigarros, me mandar ir tomar um remédio, beber água, deitar? Cadê você pra me fazer comer? Eu 'tô comendo tanto por ti, pai. Eu poderia engordar uns cem quilos se isso fosse te trazer pra perto de mim agora. Eu poderia comer um boi, o nosso cachorro, eu comeria um braço meu se isso fosse te fazer voltar a sentir o teu.
Só não me deixa aqui sozinha, por favor. Eu 'tô te pedindo.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

the main file was deleted. please seek for help in our forums.

vem cá, você já percebeu como isso aqui anda frio?
eu sei, mas eu só queria um pouco mais de liberdade
e a certeza de que não preciso rimar para te atingir
mas sim, sim. é verdade. estou quase congelando...

e é incrível como os dias voam, não é mesmo?
assim fica fácil entender esse seu procedimento
e esconder e encantar e fingir e tentar enganar
deus! é ridícula essa merda em que me tornei

mas a culpa não é sua, não fique assim.
já entendi, agora é só você fugir de mim
e você já está a rimar de novo, arlequim
sim, sim. talvez seja melhor pôr um fim...

...aqui.

mas o quê diabos você quer dizer com isso?
com cada passo que dá, frio, conciso. hein?
você nunca vai entender, pequena. desculpe...
tudo bem, enfim. você vai perder seu ônibus...

e eu continuo aqui
incalcançável, sim.
digo, longe de ti.
intocável, inteira
na metade podre
feito fim de feira
mas vá logo, vá.
você vai perder
você vai perceber...
você vai entender...
você vai. vai?

vai?

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

the couch


Percorri o mesmo corredor de semanas atrás. O ar condicionado congelando minha pele deixada à mostra, chamando minha atenção para os pêlos arrepiados nos meus braços daquelas cicatrizes em linha. Percorri o mesmo caminho de semanas atrás. Os mesmos rostos tristes do elevador, o mesmo silêncio cortante das portas trancadas. Pacientes pacientemente tornando-se meros números nos prontuários; doenças e tragédias e ferimentos auto-infligidos, escondidos sob a pele corada da vida carioca.
Percorri os mesmos sentimentos de semanas atrás. O medo despertando o quê quer que existisse dentro da minha barriga. O excesso de comida, a falta de controle, o excesso de nojo, a falta de amor próprio. Só estou tentando ser a melhor garota que posso.
Porque é quando achamos que tudo melhorou, que somos tomados por surpresa. É quando comemoramos aliviados e relaxamos que a corda aperta e perdemos o ar.
As mesmas paredes geladas da cama que não é sua, dessa vida que não é nossa. A mesma vista pra favela, onde você só assiste inquieto, sentado no seu novo trono de dor, um animal por um, subindo e descendo o morro da vida... vivendo enquanto você continua preso nesse matadouro cinco estrelas.
Percorri as mesmas certezas de semanas atrás. O sorriso novo em folha, os olhos inchados escondidos pela maquiagem, os quilos ganhos. O excesso de talento para a falta de palco. Só estou tentando ser a melhor filha que posso.
Porque é quando tenho certeza que ganhei, que explodem o pódio. É quando aprendo a chutar, que engolem o alvo. É quando eu acho que você melhorou, que você me machuca.
As mesmas facadas que eu tinha aprendido a esquecer, a mesma dor para prender o choro que eu já nem conhecia mais. As mesmas lágrimas que afogam o sorriso que tão recentemente aprendi a imitar das revistas que você colecionava para mim ou das novelas que nunca consegui assistir.
Percorri as mesmas dúvidas de anos atrás. Quando a única certeza que não podia derrubar era de nunca ser boa o bastante. O excesso de gordura, a escassez de beleza, a falta de jeito pra viver, a tendência a querer sofrer... a bipolaridade que herdei de você.
Percorri as mesmas alegrias de anos atrás. Quando abrir caminho para aquilo que posso controlar é trancar o quê você enfia em mim. Quando eu achava ser dona de mim, dona da minha dor, dona de todo o espetáculo.
E você não consegue mais sorrir.
Ela continua a cansar-se, duvido que ela sequer consiga mentir agora.
Ninguém mais consegue te divertir.
E eu continuo a cansar-me, duvido que eu sequer consiga burlar a fome agora.
Então eu como. Repouso os olhos na comida para não ter que pousá-los em você.
Tento trocar os cigarros pelas calorias, para engordar e tentar alegrar você.
Abro mão de perder mais uns quilos para ganhar algum sorriso seu.
Tento trocar o controle por mais umas mordidas para tentar confortar você.
Para engordar e tentar esconder.
Que de tudo, o que menos posso aguentar, é me ver pesar.

sábado, 3 de outubro de 2009


E eu tenho esse problema, que eu venho comentando sobre desde o começo dessa semana, comentando com as pessoas com quem eu estudo, é; enfim, eu tenho essa mania, que é bem mais um problema, de acabar imitando aquilo que eu estou lendo quando escrevo. E quando penso também. 
Meu Deus, acaba virando um emaranhado de períodos que não acaba mais, e tudo com as vírgulas mal colocadas, as metáforas se misturando com as símiles e tudo ficando bem pobre e de um extremo mau gosto no final das contas. Mas é que eu não consigo florear, enxugar, fazer ficar legível, bonito, melhorar o que penso; não consigo. Acho que tem algum defeito no canal de comunicação entre o quê penso e falo com o quê vai parar no papel (ou na tela do computador, de qualquer forma). Acho até que vou acabar dividindo isso em diferentes posts (já que hoje em dia dividir em capítulos seria tão útil quanto ilustrar um livro em braile, se é que você me entende) e trocar a ordem, postar primeiro o final para por último colocar o começo e assim a primeira parte ficar em cima, como as coisas devem ser. 
É que nem depoimento de Orkut; odeio quem manda aqueles depoimentos gigantescos divididos em vários pequenos textos de 1200 (ou seriam 1400?) caracteres cada um, sempre o número necessário de depoimentos pra encher a sua página. Aliás, será que eu posso escrever sobre Orkut? Por essas e por outras que eu não tenho futuro nenhum nisso, mas, vem cá, se a Brooke Sheilds ou seja lá como se escreve o sobrenome dessa criatura da Lagoa Azul, enfim, se a guria pode tirar foto nua (e toda cheia de óleo e ‘danadeza’, valha-me) aos dez anos de idade e tal ir para numa exposição extremamente pornográfica e não ser considerada pornografia infantil, deixe-me escrever o quanto de diabo eu quiser sobre Orkut e Twitter e tudo isso que hoje eu não vivo sem. É arte, minha gente, é arte. Cada um vende o que tem.
Mas de qualquer forma, como eu bem ia dizendo, eu tenho esse problema de acabar imitando quem eu estou lendo. Mas nem me importo, é bom que pelo menos alguma coisa eu estou escrevendo. Sinto que desde que resolvi pôr meu cérebro para funcionar de sete à hora-que-ainda-me-aguento-de-pé todo o resto de originalidade, ou até mesmo de criatividade, de que eu possa um dia ter usufruído foi por ralo abaixo, feito cabelo que cai durante o banho. Se bem que cabelo cai às pampas e nem por isso a gente fica careca, mas é. Pelo menos eu estou escrevendo.
E comecei isso aqui, que eu nem sei o quê é, meio assim que pra não esquecer, no que era para ser meu trabalho de sociologia, mas veja só – Weber é um pé no teu saco. Ou na minha vulva e nos teus colhões, como você bem o queira. É um cara prolixo, desses que sabem encher linguiça como ninguém, que te consome sessenta páginas do teu dia com algo que no final do capítulo você descobre que é mentira, ou pior – que não importa. A importância disso na minha formação eu não encontrei idem, mas vai saber. Sou só mais uma aluna de dezoito anos que nada sabe de coisa alguma. Pra alguma merda isso deve vir a me servir um dia; o livro como um porta copo pra minha vodka, vai saber.
Mas de qualquer forma, só comecei aqui pra não esquecer. Bem o quê, eu não sei, mas se deixasse ficar passeando pela minha cabeça, não ia ter carneiro que ia aguentar pular tanta cerca. Eu sempre penso nas horas erradas e sempre depois das dez. Agora já são quase duas da matina, dessas bem frias que deixam teu Rio com cara de paulista, e eu aqui com o rabo sentado na frente desse computador Lentium 200 rodando na base da manivela, escrevendo sabe-se Deus sobre o quê, quando eu bem poderia estar examinando o espírito do capitalismo. 
Mas resumidamente...
De coração? Cheguei nem ao perispírito daquilo.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Alguém precisa me convencer
pois já está na hora de ver
quem eu realmente sou
e quem se esconde por trás desse ser.
Alguém poderia me oferecer
um pouco de pó no lugar desse arroz
E poemas escritos com lápis de olho
Em celebração à chegada dos dezoito.
Alguém poderia simplesmente vir
E ficar ao invés de sumir
Fincar algumas raízes na terra
Que admiro por trás dessa tela.
Pois entre fios e ligações
Há algum organismo que vive
Entre quedas e conexões
Há alguma doença que sobrevive
Como as feridas que eu pinto
Nesse escorpião maldito
Enquanto esfrego o benefício
Na cara de um velho amigo.
Alguém poderia lhe avisar
Do que restou do que ficou pra trás
Cobertas por seus novos artifícios
As lembranças de um perigo antigo
Que já perdeu forças e reações
Com as idas e vindas do indivíduo
Montando a sequência de suas razões
Na tentativa de um novo início.
Alguém precisa me acordar
Pois já está na hora de dormir
E tudo o quê fiz foi fingir
Saber calar o meu viver.

terça-feira, 9 de junho de 2009

catch the wheel that breaks the butterfly

O lugar era frio, sempre; não importa se o relógio-termômetro marcava dezessete ou trinta e cinco graus, era sempre frio. Aquele frio mais gelado, do tipo que atravessa sua pele até alcançar o que ela esconde, macia e carinhosa, protetora. E hoje fazia frio, a pele gelava e ressecava como a árvore da idade ou coisa que o valha. A idade pesava, as idéias esvaiam-se e tudo caía naquilo que se era conhecido. Talvez fosse o cheiro do fumo com melado comprado em vão, guardado na mesinha de cabeceiras, que conferia ao quadrado de concreto um certo ar de plantação de maçãs, um pouquinho do campo na cidade nesse verão inventado.
O lugar era frio, vazio; branco. Quase que um caixão de três por seis. O cheiro era doce, era mesmo, quase como o freezer da sorveteria da Nossa Senhora. O quarto cheirava a morangos e champagne e cigarros de creme e pecados e maçãs importadas direto do Iraque em forma de fumo e sexo e vergonhas... E nada era dito, mesmo com o tanto que era pensado. Nada era vivido, sempre seguindo o que fora ensaiado por nossos pais há anos atrás. Mas o que é meu, é seu, menos a cruz que cada um carrega, meu irmão. Menos os erros que cometemos ou os pecados que temos que pagar. Mas o morango do meu champagne, isso você bebe. Mas a lepra da minha carne você não degusta não. E assim seguimos, entrando e saindo, daquele lugar vazio cheirando a menininhas recém-chegadas à maioridade.
O lugar era frio, vazio, branco e cheirava à lembranças escondidas num caixão de três por seis. A dor era tanta que se podia até abraçá-la, tentando aquietar a criança faminta de todos nós. Era a transição, a primeira menstruação, a primeira dor, o rompimento, a vergonha e o arrependimento. Era o quarto de amadurecimento, o destino final à matéria passada da validade. Mas a esperança era tanta que só se podia fugir, fugir dela, de você, de mim, até a criança faminta rugir de novo e voltarmos à tudo que era conhecido.
E não se tinha mais certeza, as dúvidas estavam fora de circulação e o que era verde virou azul, o que era vivo virou azul, o que era meu se perdeu e o que era seu se juntou aos nós, desatando cada entranha.
E a virgem cheirava à sexo; a intocada, manchada pela sujeira de mãos desconhecidas e desesperadas. Como um mapa marcando a rota até o lugar onde a razão descansa em paz e desinibida, é fácil. Seguir os pontilhados e chegar ao tesouro, trazer pra conta bancária e gastar com as meninas da esquina, é fácil. Suspirar com o Sol pesando em A mais B, também é. É como fugir, é instintivo. Assim como se perder na conversa. Já não sei mais por onde comecei ou aonde quero chegar. É só a mesma urgência de sempre de pôr tudo pra fora, de produzir algo que me traga o mínimo de orgulho próprio, de auto-estima. Mas de estimar eu entendo, ah entendo sim. Sempre o número arredondado, a informação mais próxima; nada nunca é certo, nada confirmado, nada é fincado nesse solo de concreto da terra das maçãs. Só o cheiro no vazio da falta daquilo que eu nunca tive. Só o quarto frio, vazio e branco.
Só eu.
Fria, vazia, apagada.
Só eu.
Cheirando à lembranças daquilo que inventei. Inebriada pelos morangos, pelo champagne, pelo cigarro de creme, pelos meus pecados, meus erros, meus antepassados, pelo sexo, pela dor, pela vergonha, pelas dúvidas... por viver.
Só eu.
Na terra das maçãs.

domingo, 10 de maio de 2009


Carne cortada, derme remendada, ossos quebrados e nervos à flor da pele. O corpo completo, o ser como um todo.
Sangue pulsando quente e forte, jovem e limpo, limpo e limpo. O corpo grudado na alma, o ser como um todo.
Caminhei por dias entre diversas escolhas.
Caminhei por dias entre diversas possibilidades, sempre escassas, tão admiradas.
Se é natural? Não sei. Mas é forte, não há saída.
Se é pecado? Não sei. Mas é real, minha melhor recaída.
Não é motivo para grades e correntes, tentando racionalizar o que está acima da razão.
E nervos e costumes e valores e sentimentos e hormônios pulsando quentes contra a capa.
Não há motivo para tanto alarde, não há motivo algum para tanta confusão.
Dentro do amor não cabe nenhuma razão.
Se é o certo? Não sei. Mas é meu, e é definitivo.
Se é o melhor? Não sei. Mas é dela, e espero que seja infinito.
E todas as escolhas por entre as quais caminhei me levaram até ela.
Por entre diversas possibilidades, só tua árvore floresceu.
E a razão? A razão se enfureceu.
O dia escureceu.
E a liberdade se perdeu.
Um pássaro com asas cortadas não voa alto, mas voa.
E é assim, voando baixo, que voo para fora de tuas grades.
Não há motivo para tanto desespero se teu erro é meu acerto.
Voando baixo, assim baixinho e devagar mas certeiro, eu voo pra longe de tuas correntes.
Se é bonito? Sim, é.
Se é doloroso? Sim, é.
Se é em vão? Pouco me importa.
É meu e veio como um furacão. Pouco me importa se me quebra as pernas pois me trás vida.
Cada ferida aberta, cada batalha perdida - tudo é meu, tudo é dela e o conjunto é belo.
Carne servida, derme repartida, ossos esmigalhados e nervos adormecidos. O corpo em partes, o ser perdido.
Sangue escasso e podre, escorrendo pelas mentiras, tão jovem e sujo, sujo e sujo. O corpo esmagando a alma, o ser perdido.
Caminhei por entre consequências sempre tão duras.
Caminhei por dias entre o sim e o não, o desejo e a razão.
Mas dentro do viver não cabe razão alguma.
Se é natural?
Pecado?
Certo?
O melhor?
Doloroso?
Bonito?
Em vão?
Não sei.
E o seu?
Você não sabe;
nem quer saber.
É natural;
pecado em sua mais pura concepção;
é certo, errado;
o pior que eu poderia encontrar;
é lindo em cada traço horrendo;
é em vão, assim como qualquer outro amor.
Mas é meu.
E o seu?
E o seu?

quinta-feira, 7 de maio de 2009


E eu finalmente pude encontrar seus olhos outra vez.
E mergulhar
fundo
em minha própria decadência.

Não vá, por favor.
Diga o que quiser,
me trate como for.
Só não vá, por favor.

Preciso encontrar você,
te tocar,
te conhecer outra vez;
eu preciso consumir você.

Não vá, por favor.

Está me matando,
mas enquanto eu puder olhar em teus olhos,
seguirei te amando.

sábado, 2 de maio de 2009

E eu nunca estive tão feliz de ter mudado.

domingo, 26 de abril de 2009

meu segundo sol


Saiba que teu amar é meu pior castigo
Saber que é minha a dor de teu sorriso
E distante quando deveria estar contigo
Meu sorriso, de incertezas, sempre conciso

Saiba que teu amar é meu melhor castigo
Que preenche a lacuna dos outros ouvidos
Pequenos surdos de meus gritos envaidecidos
Meu ouvido, de certezas, sempre adormecido

Saiba que teu amar é pra mim um fardo
Que dispenso carregar, dispenso tocar
Com a mesma certeza que um mal amado
Tem de que nunca irá saber o que é amar

Saiba que teu amar é pra mim uma salvação
Uma luz no meio de uma multidão, uma mão
Pronta como sempre pra salvar meu coração
Só não chore se ele for sangrar em negação

Saiba que teu amar é por mim ignorado
Trocado toda manhã por um novo disfarce
Sempre tão presente, doce amanteigado
Que se desmancha em milhares de ataques

Saiba que teu amar não vai me mudar
Não vai me moldar, não irá me salvar
Saiba que teu amar é meu pior castigo
Mas não me desculpo por acabar contigo.

Algo de você se perde em mim

Nunca quis vender suas mágoas
Algo em você se perde por mim

Nunca quis contaminar sua água

Crianças morrendo de fome por aqui
E tudo que realmente me importa é ti

Dentre tantos acertos brilha teu erro

Onde eu sempre encontro meu eixo

E brincando de rimas eu esqueço a fome
De te ter ao meu lado, curando meu sono

Esqueço que um dia sequer tive um nome

Brincando de rimas eu esqueço o medo
Abandono o lado frio de nosso desfecho

Enquanto tento enganar meu desespero

sábado, 25 de abril de 2009


Um punhado mais generoso de uma ironia sádica
Apenas alguma outra distração durante sua Via Sacra
Tão distante de seu doce imaginário de uma vida sadia
Levanta-te, criança, para tua última despedida.

Um punhado mais generoso de uma alegria vazia
Em pequenas mordidas para evitar qualquer alergia
É a sua vida, crescida, pomposa, adormecida
Levanta-te, mãe, para tua última despedida

Um punhado mais generoso de teu pequeno paraíso
Uma dor, escondida, encontra aliado em teu sorriso
Apenas o inventário de uma vida hoje apodrecida
Levanta-te, pai, para tua última despedida.

Pouco a pouco, nada nunca consegue mudar teu universo
Nem mesmo as marcas molhadas que transbordam em versos
E mancham suas prosas todas entupidas de fantasias estúpidas
Escorrendo em vidas desprovidas de qualquer outra dúvida.

Em cachoeiras de alegria,
Chuvas de bondosos dias.
Pouco a pouco vem a calmaria.
O fim da falsa harmonia;
O fim de nossos dias.
Levanta-te, eu vazio, para tua última despedida.

domingo, 12 de abril de 2009


Tu me dás um amor assim,
feito cor de sangue, meio marfim.
Um amor sem eira nem beira
feito pião a girar incertezas.

Nosso amor é bem assim,
brilhando em ti, ofuscando em mim.
Feito pecinhas de lego se encaixando,
de nossos erros se alimentando.

Então me diz se me amas,
se me queres em tua cama.
Se vais alimentar a maldita chama.

Porque meu coração é teu
por cada sol que já nasceu
e cada amor que já morreu.