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quinta-feira, 31 de março de 2011


Mas eu nunca te odiei, não. Entre um cigarro ou outro que acendi e gastei até o filtro, queimando os lábios todos vermelhos e sangrados de tão mordidos, não; eu nunca te odiei.
Nem quando berrei que o fazia, nem quando demonstrei que o sentia. Esse ódio, sabes? Essa coisa ruim, essa fome de ver o outro sentindo a dor que você tanto sente, essa fome que vai te corroendo e te comendo todo por dentro como se fosse uma minhoquinha numa maçã. Isso eu nunca senti não, criança… não por ti. Eu não queria te ver em dor, aos prantos, sem conseguir comer ou comendo demais, bebendo por aí e caindo e imitando meus gestos e decisões ou copiando cegamente os meus passos. Eu nunca te quis mal, eu apenas me queria bem. E ainda o quero e acho que ainda não o tenho por que veja só, você sabe - e qualquer um sabe, isso é tão óbvio, por Deus! - eu sou viciada em sofrer. Amo sofrer. Amo uma TPM com comercial de margarina na TV, uma depressão, uma fossa numa manhã de Segunda Feira e uma briga numa tarde de Domingo. Gosto assim. Gosto de sentir e sentir tudo e sentir tanto até que não sinto mais nada e assim eu sou eu novamente. Mas, você sabe, ódio por ti eu nunca senti não.
Por que você foi; você foi embora e foi e fudeu com tudo mas isso é o normal. A vida é esse mar gigantesco e todo mundo e tudo não passa de uma onda; uma onda que vem e vai e algumas te rendem um caixote enquanto outras apenas te balançam toda cheia de ginga e ainda assim vai embora como todas as outras. Mas a culpa não é sua que eu siga a minha vida a bancar jacarés e ficar os perseguindo assim como uma criança geralmente quer um doce só por que tem querer pois assim todas as outras o fazem. E também nem é culpa sua que toda onda que passe por mim me deixe o quadril a dançar em seu ritmo por um bom tempo; um péssimo tempo, na verdade, um tempo até demais. Um tempo que o relógio não ajuda a passar.
Mas eu não te odeio, não mesmo. Ainda sou criança demais para conseguir sentir algo tão maior do que jamais serei e tão mais sujo do que jamais conseguirei segurar aqui, pelo menos não em relação a ti. Ódio é grande demais e assim como a Sininho eu não tenho espaço em mim para algo do tipo, não tem nenhuma vaga pra essa merda em mim não. Eu só quero me amar também e isso não deveria ser difícil. Só quero ver um sorriso na minha cara que dure mais que um dia ou mais que um ensaio e aquela certeza de que eu vou amar de novo, vou sim, e vou ficar tão feliz que não vou lembrar que um dia já quis morrer por causa disso. Por que a vida é assim, né? Um dia você quer amor, noutro você tem e passa o resto do calendário desejando voltar no tempo, àquele tempo em que você não tinha amor e queria mais que tudo ter… só por que não sabia que era assim.
Vai ver o amor é mesmo uma maldição e, assim como a Sininho, eu sou pequena demais para algo tão grande. Então eu vou ficar aqui e ali e fugir pelas tangentes e voltar pela esquerda, direita, por cima e por baixo de você. Vou ficar levitando por aí, entre o aqui e o ti, que é o que dá. Eu só quero ser feliz.
Muitos reis, muitos reis mas nenhum de ouro. Nenhuma dama e aquele valete vermelho ou abóbora, nunca soube muito bem, com aquele balãozinho ali embaixo. Era muito amada e não havia nenhuma outra dama entre elas. Mas também nenhum obstáculo seria vencido. 

Em suma, apenas a certeza do óbvio, quase que uma desnutrição do incerto. Nada de ouro no meio de uma bando de merda; nada alem de suas mentiras em penas brilhantes e pássaros. E sabe-se Deus mais o que diabos.

terça-feira, 15 de março de 2011

aqui, agora e de verdade.

Aqui.
Apenas o eu, fantasiado de Morfeu.
Nada além do véu, do suor e do breu.
Apenas o eu, a única coisa que me pertenceu.
A coisa única que sempre foi nunca.
Única
Sempre
Nunca
Coisa apenas.

Agora.
Apenas o eu, como havia de sempre ser.
Não amanhã ou depois, apenas deitar-se e nada ver.
Montar e ser montada, tudo sentir e nada viver, nenhuma gota reter.
Apenas o eu, apenas ser.
O agora, não o ontem; não o amanhã que não pode chegar.
Nas lembranças, criança, apenas deitar a cabeça quando chapada conseguir voltar
Somente, única e apenas e tão docemente, somente se for para não sonhar.
Se enganar
Montar
Cair
Deixar a guarda alcançar
Apenas o agora
única e apenas e tão docemente
Somente ganhar.

E de verdade.
Apenas o eu, sempre tão teu.
Respira fundo, boneca, deixa ir.
Let the good air out, let the trip in.
Deixa sangrar, pequena, mas let it be.
E dividida entre Beatles e Rolling Stones
entre o bem e o mal, o que se quer e o que se pode
Seja apenas você, apenas o que se pode vender
Seja ele, se apague, vire ela.
Vista a capa que mais lhe convir
Mas não deixe nunca, ninguém
Não deixe ninguém nunca descobrir.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Minha vida tem dado voltas e voltas e umas outras reviravoltas ainda mais loucas. É mãe descobrindo o que já havia descoberto três vezes em sua vida, é amor acabando num fim sem fim, coisas que seriam eternas saindo pela tangente por que agora a santa resolveu virar vadia. Não sou obrigada, não posso com isso. Minha vontade é de enfiar uma granada no rabo de cada um e esperar que o Bruno Mars pegue-a por eles? Ou não? Não sei.

Mas já que um dos meus zilhares de signos - pois sou bem dessas que acreditam tanto em Zodíaco que sabem muito bem que suas luas e águas e linhas do destino são todas guiadas por mais de um signo. E sempre pelos mais filhos da puta, é claro. De qualquer forma, já que um dos meus signos diz que amo mudanças, resolvi que abraçaria todas e ainda causaria mais algumas. Larguei a faculdade de Jornalismo. Quis sumir do mundo, mas só consegui sumir do de alguns; quer dizer... Comecei teatro, me encontrei na vida. Dei um tapa na cara de quem eu juro que é o amor da minha vida só para depois de menos de uma semana eu encontrar a criatura bêbada e toda caída pelo chão da boate enquanto eu, que achei que experimentar um doce era a boa, tava era muito feliz e não vendo problema algum em coisa nenhuma e bem... nos pegamos.

Agora você vem e me pergunta: o que mudou? Sempre menti na faculdade e em todos os trabalhos à ela relacionados. Sempre fui uma grande atriz aqui em casa e pelas esquinas da vida também. Agora só vou me profissionalizar, não? Não mesmo. É mais difícil do que eu esperava e, novidade, eu sou uma merda. Resultado? Gamei mais ainda. É mesmo a paixão da minha vida. Peguei a Facha, a fancha e a porra toda e joguei tudo pro ar; era hora de ser feliz.

Mas mudar? O que mudou? A Facha continua a mesma coisa e a fancha quem sempre foi de verdade - uma versão mais aloprada de mim. Mas a grande graça nisso é que ela odeia esse "eu" e veja só, agora ela é ele e elevado ao cubo, no mínimo. Como isso me afeta? Em muitas, muitas partes. Estou lá querendo curtir minha viagem e minha boate e a porra da minha vida e o resultado? Tô caindo na dela de novo. Dia seguinte? Depois de me encontrar jogada no chão do meu quarto depois de ter pegado carona - ou um táxi, ainda não sei - e ter passado por uma padaria e não saber como acordei com dinheiro a mais, fui beber. Por que ressaca ou bad trip você cura assim: bebendo mais. Qualquer outro problema também. Pois então. Resolvi ligar para ela que agora era minha amiga de balada? Ligar e resolver e dizer que não, sua louca, sua lunática, não estou puta. Eu te conheço, não estou puta pois já esperava algo do tipo. Então oh... relaxa e goza, só não empata mais outras fodas da sua amiguinha. E olha ela, quem nunca gostou de beber, toda com voz de ressaca e falando que ia era beber mais por que queria que o planeta bem que se explodisse. Pois bem. Que se explodisse enquanto eu pegava o elevador e ia atrás de minha amada cervejinha de Domingo.

Conversa vai, conversa vem... quem liga? E bêbada? Ela. Fala várias coisas aleatórias, nega todas as merdas que falou na madrugada anterior e do nada me pergunta onde estou e o quê estou fazendo. Tensão. Também estava vindo para essas bandas. Tensão aumenta; todos corre. Ok, levantei pois resolvemos que íamos era beber em outro lugar. Tudo lindo, tudo numa nice. Bati um papo maroto com um engraxate que me chamou para o Cabaret do Alex e foi aí que eu pensei que mais bizarro não ficava - mentira. Vadia me liga dizendo que está perdida em Ipanema e pedindo ajuda. Mas hein? Em que parte do Livro da Vida está escrito que eu sou obrigada, hein? Quer dizer... me aponta que eu apago, sério.

Tudo bem, pior não fica mesmo. Fui para casa. Quem entra no MSN? Sim, sou repetitiva e por isso você adivinhou - ela. Continua insistindo de que não lembra de nada e quando fui tentar ajudar a sua memória a dar um refresh nas coisas mais leves, o quê ela fez? Lançou uma desculpa, umas farpinhas aqui e ali e depois ainda afirmou que era para fingir que nada havia acontecido pois agora que as brigas passaram poderiam sair para beber e nos divertir.

Caguei. Solenemente. Quase que enquanto andava e olha que tenho prisão de ventre. Mas como alegria de pobre, preta e gay dura pouco... ela me manda SMS na manhã seguinte, ainda como se nada, nunca, ever tivesse sequer cogitado a possibilidade de acontecer. Sou obrigada? Alguém me manda uma luz?

Não sei. Tudo que sei é que não dá para poetizar esse momento da minha vida. Mas tudo bem, alguma hora eu volto e tento ser mais profunda nisso tudo e fingir que aconteceu com outra pessoa por que é, gosto assim, viu? Quando não trepam e nem saem de cima. Sejamos todos iôiôs uns dos outros por que a vida foi feita para viver, certo?

sexta-feira, 11 de março de 2011

enfim... fim.

não peço mais desculpas, não quero mais tempo perdido
o barulho humilha, mas com o silêncio eu tenho aprendido
terremotos e ondas engolindo o outro lado do mundo, não
a terra também treme aqui, o rancor assume o posto
aquele ponto que era só meu e teu, quase nosso e que se foi

não quero mais mentir, não tenho mais como esconder
apagar e deixar o breu vir, não sei, não quero mais ser
e shots e drinks e outros corpos podem me apagar, sim
quero mais é viver, eu já errei, eu sei, tudo pode então vir
e ir, assim como você. me apague também, minha armadura

nunca sonhei em te ver assim tão dura, mas estou orgulhosa.
não quero rimas, não quero poesia. apenas estou a dizer o que sinto.
ainda te amo, sempre te amarei, mas haverá de vir outros
e meu corpo sempre tão revisitado, ainda terá as suas marcas
mas você? você não. você nunca virá revisitá-las...

domingo, 23 de janeiro de 2011

Nas frestas da hora exata

Dizem que sempre sentimos a morte por perto, o que de certa forma realmente faz alguma lógica. Não acredito que ele nunca tenha sentido antes do choque, da notícia e das respostas, assim como não acredito que não sejam todos nós que sinta a maldita por perto a cada novo dia que abrimos os olhos; a cada novo dia que temos a menos na contagem final. Ela está sempre ali e ele sempre soube, procurou; espalhava aos sete ventos e mares e tantos mais que queria era apressar seu encontro e que o resto pudesse ir para o inferno. Eu, apesar da tempestade que sou, sempre quieto fiquei, apenas assistindo, sorrindo, negando e perdoando.

E assim, sempre meio que a perseguindo, meio que lá no fundo querendo fugir dela e sim procurando por só um pouquinho de atenção ou um abraço ou um agrado qualquer, chegou o dia. O dia em que ele, coitado, tão frágil e leve tal qual um anjo ou uma pena ou uma esperança qualquer, ele viu que poderia ir. Poderia ir e sem deixar muito por aqui; tristeza, saudade ou qualquer coceira dentro de um outro alguém. Mas para um, aquele um, esse um que é eu, pois veja bem que merda, ele queimaria um todo a cada cigarro fumado no desespero, a cada dose empurrada para dentro apenas para ser jogada para fora na manhã por vir. Frágil feito a esperança de que algo assim tão deles pudesse, quem sabe, um dia realmente vir a dar certo para sempre e ser como nos filmes que assistiam juntos, nas canções que deixavam rolar altas entre um cigarro e uma trepada e um e outra; só sair daquelas expectativas tão adoradas, ele soube. Ele sentia, certeza. Até mais nada daquilo e nem dele deixar de ser.

Tão parado e calmo, quieto como nunca e ainda mais leve, meu Deus, por dias ele ficou. Silencioso, a respiração falha e pesada, cada fôlego como um novo esforço maior que as tragadas antes tão sagradas, assim não acredito que ele não tenha sentido ela por perto. Mesmo calado, adormecido ou quase ido, não acredito que não tenha pensado a todo segundo "Pois é, meu Deus, fudeu. Agora eu vou". Ele podia não falar, mas certeza eu tinha de que ouvia. E no silêncio branco preenchendo e sobrevoando aquele quarto gelado, eu bem sabia que em sua cabeça neurônios mastigavam a notícia, o desfecho já escrito com quase a data e local decididos. Ele sabia que iria, ele sabia.

Mas ele sempre procurou por isso, não é o que diziam? Não é o que ele mesmo dizia? As noites vividas, os zilhares de maços e corpos e bagulhos e pintos e vaginas e a porra toda que viria no meio, por cima, por trás, entre dedos ou línguas e entranhas. Amores, desamores, ressacas, bad trips, corações partidos e remendados, pregas perdidas, enfim. Tudo aquilo, seu mundo. Tudo aquilo só não mais ido que ele.

Ele, esse anjo tão frágil e pequeno e translúcido; mal compreendido, quase não amado e tão idolatrado. Ele, esse ele, meu Deus, meu tudo e o tudo de todos e o nada de mais alguns e tanta coisa e ainda assim coisa alguma. Ele, meu Deus, e ele? E se ele tiver indo? E nunca mais eu ouvi-lo vindo, nunca mais existir um voltando? Um telefone tocando e aquela voz tão gostosa e nervosa, tremida e rouca pelos tantos cigarros que agora eu me pergunto, "será que ele ainda os terá?". Meu anjo não muito organizado e domado ou bem montado seria sem aqueles vinte. E muito menos com capa, com plástico separando dois corpos para impedir o livre trânsito das almas, não é o que ele dizia? E sem tudo, sem festa, sem eira nem beira? Santo que não do pau oco? E agora? Não haveria mais aquela voz me cantando "vem logo, meu caro, vem que já estou a te esperar com café e braços." E lábios, e dores, cicatrizes e segredos adoecidos, tudo junto. O corpo inteiro e todas as ziguiziras. E se mais nada disso eu tivesse?

Mas a morte, essa companheira constante, a única certeza que tenho na vida, aquela que anda de mãos dadas com a maior das incertezas de quatro letras, pois é, ela resolveu ir passear. E me dar um pouco mais do meu anjo, agora ainda mais frágil e translúcido mas sempre tão lindo. Meu anjo em breve estaria vindo, pois é. Daquela voz e braços e tudo o mais eu ainda teria... até não mais o ter.

E ele, aquele que eu julgava conhecer do avesso mais que conheço meus filmes e músicas favoritos, ele já não era mais aquilo. Já não era mais nada. Era uma folha em branco, molhada, prestes a se desmanchar. E eu, meu Deus, sempre tão afoito e afobado e grosseiro, eu o rasgaria em um simples abraço. Eu e meu cheiro de cigarro, da vida que ainda levava, agora ainda mais desesperada, eu com meu cheiro e essência de eu. Eu o rasgaria, meu Deus.

Distância, distância. Mas eu deveria mostrar apoio, não é mesmo? Parecia tudo agora uma corrida contra o tempo; uma corrida injusta, não dava para trapacear com ele assim tão aos trapos. Era tempo de correr e mostrar o que era amor, "mas amor não, é proibido. Você não precisa selar teu suicídio assim, rapaz", mas amor sim. Mais amor sim.

E então o vi, ali, tão incerto e perdido de si mesmo quanto eu e minhas lembranças poderíamos estar. Sentamos os dois, cada um em sem mundinho, em seu próprio espaço. Sentamos os dois e o ouvi, cada medo novo, cada dúvida e as inseguranças e tudo aquilo que o mantinham perfeito, ainda que todo novo e em branco, ainda que tão outro. Mas aqueles olhos não mudavam, nem a voz já não mais tão rouca pela falta de nicotina que tanto o desesperava. Ouvi-o e permanecemos ali, quietos e barulhentos, certos da incerteza de que seria cada novo passo. E eu permaneceria ali a cada droga pesada e carne que se enfraquecesse, mesmo que o nunca mais viesse para o amor. E tentou vir.

Nunca mais as peraltices, nunca mais os pênaltis a pagar, os cigarros a fumar, as noites a trepar. Nunca mais, nunca mais. Nunca mais o meu amor de pecador a sujar suas novas asas de anjo, nunca mais. Mas eu permaneceria ali, meus olhos cansados mereciam assistir àquele milagre. Das cinzas nunca mais jogadas despretenciosamente da ponta de uma bala, dali renasceria aquele; aquele que seria sempre meu, o meu aquele. Sem capas, sem distâncias, sem nojos ou receios. Meu, para todo o sempre... meu.

E os dias vieram e as mudanças passaram e as inseguranças novamente vestiram outras vestes e os dias se foram e eu permaneci ali. Eu, com a minha voz rouca de nicotina, apenas para ligar para ele e implorar "anda, meu anjo, vem logo. Vem logo que eu 'tô te esperando e cansado de rezar. Anda, se apressa, meu caro. Vem que a nossa hora vai passar e é a minha que está a chegar."

(inspirado livre e loucamente nas minhas viagens sobre a descoberta de CF de sua doença e o anjo que ele deve ter tido, aquele moreno de quem ele tanto falou Depois de agosto).

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

"supere isso, e se não puder superar, supere o vício de falar a respeito"

Suas marcas, todas as tantas, já sumiram da minha pele e eu, sempre tão supersticiosa, já estou a considerar isso um sinal. Um sinal de que, vai saber Deus, talvez todas as minhas incertezas eram certas e nunca vai dar para ser.
E eu estaria tranquila e talvez até orgulhosa de mim mesma se eu tivesse esgotado toda a minha fome, toda a minha vontade de realmente tentar e escapar pela tangente e encontrar um novo jeito de continuar. Mas não, eu 'tô aqui com o tanque cheio; parada num beco sem saída.
E eu poderia sempre fazer ou dar um balão, nunca fui muito boa com ditados e tudo o mais e você sabe disso, falo tudo sempre ao contrário, mas eu poderia simplesmente contornar, dar uma meia volta e voltar. Mas voltar para onde? Não conheço mais nenhum outro lar que não seja você.
Por isso eu tento, experimento tantos outros, me mastigo só por que assim eu me castigo sem nunca deixar marcas e sem ninguém nunca poder notar. Mas de nada me adianta se a cada mordida de mim, provo cada vez um novo sabor teu e continuo na esperança de um dia enjoar.
E eu queria dar as costas e meter o pé, mas sei que seria o mesmo que correr para os únicos braços em que me encaixo como deveria, como sempre precisei. Mas isso é tão errado, tão errado contigo e com tudo que você merece e... legal, sou mesmo hipócrita e egoísta e encasquetada e tudo o mais que quiserem vir me falar outra vez. Mas vai ficar tudo bem, sabe por quê?

Você vai arranjar algo maior, melhor, mais fácil ou só mais bonito. Por que é o que você merece, o que carrega contigo... mentira, não vai não. Não vai ser assim. Você terá muitos outros e muitos outros mais fáceis mas nunca terá um maior, mais bonito ou verdadeiro. Você nunca terá um outro alguém assim tão de inteiro. Não digo isso como quem roga uma praga por que, muito pelo contrário, quero apenas o melhor para você - e talvez seja melhor, quem sabe, exatamente por ser mais fácil. Só digo pois é o que eu sei; essas coisas não são saudáveis, entendes? Se entregar assim, querer se abrir todo e dar de tudo. Pegar o fígado que aguenta meu combustível e largar na tua mão cagando e andando com o que você vai fazer com ele. Isso de pensar tanto nas consequências e nos prós e nos contras e não levar nenhum deles em conta. Não é qualquer um que se dispõe a entrar nessa, criança. Gente boa da cabeça não topa pular do alto de um prédio simplesmente por fazê-lo, por sentir que quer ou até mesmo só se deixar querer. Gente certa das coisas não faz isso não.
Então... é por isso que te digo que não terás outros desses que vai fazer do coração tripas e delas arrancar uma canção. E só digo mesmo porque, lá no fundo, sei que a nossa vai se desmanchar em silêncio tantas frases antes. E o que mais me dói é saber que, pra mim, vai ter sempre aquela fermata ali, aquela pausa com um fim incerto e são esses três pontinhos que, de fôlego em fôlego, me arrancam todos.

Mas se isso te comove ou, quem sabe, me consola, ela não sai da minha cabeça e por incrível que pareça, é a única canção que estou disposta a cantarolar. Ever.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

abrir o seu mundo, acolher quem fora expulso
tal qual um filho pródigo ou cadela vagabunda
derrubar os seus muros, fazer caminho aos murros
guiar por entre bibelôs antigos um novo preferido

baixar a sua guarda, deixar ir e vir e entender e pedir
e medir e ter e perder quem sabe sofrer e até partir
chamar para dentro, para um café um abraço ou um
afago um cafuné até um colo ou o que Deus quiser

oferecer o que era só seu, abrir um novo crediário
acreditar no nome sujo na praça, falado e manchado
despedir os guardas e montar um abrigo no gelo...
quando a geada é si mesmo.

e chamar e pedir de volta e sonhar e esperar e então
colecionar expectativas tomar tudo pelas mãos, não.
perder o controle temperar a razão admirar a paixão
administrar a tensão colecionar o tesão, oferecer a mão

pra que? pra que?
pra assistir o que todo mundo sempre avisou
pra aceitar o que sempre esteve ali em neon
pra aprender que é se dando que se é fudido
tudo por que é acreditando que se vira bandido.
i watch the sky changing colors and my skin burns
the sand, the scratches and the bites - they all become one
i watch you changing colors and my bones, they burn
it's you shifting souls again, wearing different faces again

but everything will dissolve into a magnificent paint
or even fireworks as they explode over the covers
a fever melts your disguises as i hold you closer
your sweet little lies, lullabies, implode my walls

i watch the days run over and my fingers ache
another chance i wasted over a drunk passing dog
i watch you run cheap and something almost hurts
it's you writing better lullabies again, new lies in vain

but everything will dissolve into a thin brief void
or even something even saints would avoid
a fever melts my will as you remain farther
my sweet little will, over, implodes my hopes

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

pra falar de saudade

Mas isso não é saudade
Não o é pois não o permito ser
Não é a falta, o vazio ou a insanidade
Não é meu sendo assim de tantos outros seres

Isso não é amor, não é artigo
Não é verbo que de algum modo conjugo
Não tem proposição sem um conectivo
Não há espectativas que se monte sozinho

Mas isso não é saudade
E o que não existe não pode fazer falta
Não é fome, então vai passar, é só vontade
Mas isso não pode ser saudade

O efeito passa e sobra a sobriedade
O canal já se alargou para a tal da liberdade
E eu quero chorar, quero provar da minha própria maldade
Mas não consigo preencher o que não é saudade de verdade.

depois do eu te amo

Certas coisas na vida passam voando. São sempre as boas, é claro. E na maioria das vezes, são dessas que não lembramos. Elas quase que marcam e tudo o mais, só não pesam em ti. São quase que de tinta lavável; bastou uma tempestade de lágrimas ou murros secos em portas e pronto! Lá se foram elas outra vez.
Não tenho nada contra esses momentos felizes, não mesmo. Acho até que de tanto imaginar, protagonizar filmes dentro desse molde em minha cabeça, pode ser que eu goste de viver alguns. É só que eles espetam demais depois de lavados. E espetam muito actually.

Você logo esquece do gosto e o espaço que por tão pouco tempo ocuparam permanece ali - vazio, rangendo e intacto. Um momento feliz vivido é um momento perdido e não há nada, nem uma felicidade igual ou maior, que possa substituir aquela porra. Aí você toma aquele vazio como seu, né? Tenta relembrar, montar tudo que aconteceu em seu devido lugar. A imaginação se põe a trabalhar e rescreeve o roteiro todo torto, sua esquizofrenia e solidão pintando as arestas como você realmente queria que fossem. Mas não são.

Certas coisas na vida não duram e momentos felizes não deixam cicatrizes. O dia seguinte carrega o peso de não conseguir ser tão sublime quanto o agora. E, uns dias depois, você nem sequer se recorda do cheiro, a nicotina e o estresse recheando as fatias que já não são mais suas.
E livros, filmes, boa música ou poesia; nada disso irá te salvar. Você pode se esconder em outros corpos e esperar que aquele peso morto todo cheio de vida te bata à porta novamente. E então voará quase tão sublime quanto o antes. Mas no fundo você sabe que não, nada do que vier depois terá o mesmo sabor. O paladar já provou, se acalmou, se acostumou; nada mais é tão novo, não existem mais outros cantos a se descobrir.

Depois do eu te amo, nada mais é melhor do que uma noite de insônia ou café resquentado. Nada mais ferve ou queima. Depois do eu te amo só resta a esquina a dobrar, o telefone a apagar e a busca a continuar.

sábado, 25 de dezembro de 2010

vem comigo que teu alimento vai esfriar
o sangue vai secar
a chance vai passar e outra vez

vem comigo que tua cama tá pronta
meus braços a te esperar
vem antes desse shot se gastar

vem comigo que o calor é pra ser teu
pisa nesse coração feito palco num breu
vem antes do dia amanhecer

e voce vem
vem sempre
e sempre veio
eu que não vejo

me chama que eu preciso de um alimento
o sangue não quer parar
a chance já passou e tantas vezes

me chama que eu já não tenho mais cama
me dá teus braços a me enrolar
me chama antes de eu me desencantar

me chama pra ti, por qualquer calor
me deixa dançar sobre ti, onde for
me chama que é pra me amanhecer

"Jogue pro alto, se voltar é seu"

Queria poder pensar que você é feito um iô-iô. Que está tudo bem que você se vá tantas vezes porque você sempre volta e com força total. E só vai pois eu te soltei, eu que abri a mão e te deixei ir, te deixei cair mas, ainda, basta um pequeno impulso dessa minha mão toda cheia de veia e você voltaria, sempre forte e sempre minha. Mas não, não se perde o que não se tem. Não se larga aquilo que não se segura. Você nunca esteve aqui de verdade, apenas um pôr do sol constante e distante, quase um efeito alucinógeno, uma bad do caralho - como já ouvi falarem de você, by the way.

E é isso. São palavras e podem existir alguns gestos, tudo tão ensaiado que eu não sei. Já não tenho certeza de onde estou pisando e não gosto de areia, tenho alergia. Quero é um asfalto sobre o qual posso correr, cair, me ralar e ainda assim me levantar porque a porra desse chão é sólido o suficiente pra aguentar todo o peso que carrego dentro de mim, nas costas, à minha volta e nos bolsos. Mas não, é sempre essa idéia de praia, me entendes? Uma praia bonita, eu sei, mas tão entupida de gente quanto Copacabana em uma manhã de Domingo. Sempre algo no caminho, seja um pombo, uma pessoa ou mesmo a areia onde não consigo pisar.

Fizeram um aterro em nós, posso até te jurar. Sinto a sujeira dessa areia tantas vezes já visitada a cada passo que dou. Ou quando paro. Apenas paro e fico refletindo no por quê diabos estou aqui e não lá, em qualquer outro lugar, sozinha ou dentro de alguém. E as vezes, posso até jurar também, que essa areia é movediça. A cada tentativa de fuga, mais me afundo nisso. Mas eu sei que é tudo coisa da minha cabeça.

E então jogo tudo pro alto, por que se voltar, é meu. Se voltar, eu tive. Se voltar, é iô-iô. Aí, se eu me afundar, é só jogar de novo, soltar. Certo? Não sei. Vieram me dizer que tudo que jogamos pro alto, volta. E que o foda é agarrar. Mas eu não sei se quero agarrar ou sequer se tenho habilidade para isso. Se soubesse como, seria agora goleira de algum time grande, não eu. Não isso.

Eu quero mesmo é cuspir pro alto e pro inferno que volte na minha testa, assim bem no meio dela. Quero mais que tudo se exploda, você me entendes? Quero me enfiar n'um trem qualquer, sem destino e sem volta, só viajar por aí e de preferência em linha reta. É, em linha reta sempre. Mas não consigo, também tenho medo de trens. Então me serve um ônibus? Bem, deve dar. Qualquer um menos o 432. Vou pegar um pela cor e só arredar pé dele em seu ponto final.

E se você estiver lá, seja onde for, num ponto de ônibus, numa rodoviária qualquer ou na garagem à esquina do fim do mundo, se você estiver lá esperando por mim, é por que tinha que ser. Se não tiver um rosto conhecido por lá at all, é por que não era em sua areia que eu deveria caminhar.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

um outro outubro

é essa raiva que guarda do mundo
e tão de ti, só para mim
e se é esse o inimigo, então me diz
por que tem que ser? e ser assim?

é essa sua dor que não passa, vai
esses seus temores e todo o mais
não é só teu não, mas vem de mim
então o melhor é partir.

e só assim aprenderá a ler
quem sabe até encontrará o que é viver
mas não sei fazer poesias
ou escrever belas cartas e umas rimas

não, não de amor

é que essa bosta só rima com dor
e o sorriso e o cheiro, um toque ou dois
é pior que fumar, uns dizem e já ouvi
é morte guardada em cada trago de ti

mas não sou eu que morro a sorrir
e nem você; não, pequena, é isso aí
isso que se construiu, isso que se quebra
isso que não pode ser amor mas não é guerra

é esse seu buraco que meus passos preenchem
uns que aprendi em tantas outras danças
é o movimento de outros quadris que se repetem
mas ainda não aprendi a falar disso

não, não de amor

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

brilhante - clarissa

Eu queria ser como você, Clarisse. Sempre tão certas das coisas, nada parece nunca alcançar você. As vezes acho que nunca ninguém conseguiria te machucar. É que você é tão brilhante.

Que quase me cega, é. De certo. Eu estava tão sozinha aqui no meu canto por todo esse tempo que você passou longe que talvez tentar te buscar de volta, te ter de volta, poderia me salvar e me carregar até lá. Não importava para onde, entendes? Só algum lugar onde eu me sentisse em casa, um alguém quem eu tivesse orgulho de dizer quem sou.

É que eu estava tão cansada. De tentar, de amar e de nada receber de volta. Nenhum pagamento, nenhum afago, nenhuma forma verdadeira de afeto. Só aquelas mesmas em fila indiana que poderiam ter as mesmas caras e curvas e cores que eu nem perceberia alguma diferença. E eu sei que eu deveria ter percebido antes, em toda a sua frieza, o que poderia ter sido meu. Mas sou tola, Clarisse. Só aprendo no erro.

Mas alguém lá em cima deve ser muito meu amigo para te botar novamente ao meu alcance. Eu sabia que você não teria mudado tanto, eu contava com isso. Algo de mim ainda devia restar no canto de algum lugar teu, debaixo do chão, atrás de memórias melhores, eu não sei. Mas alguma coisa haveria de ter.

E errada eu não estava, você nunca me esqueceu. E a hora é essa; a minha única chance de viver os filmes hollywoodianos que sempre procurei. Mas nada me parece certo, ainda, então devo sofrer por você. Por cada vez que ouço sua voz trocar um amor por um Clarissa, frio e contido.

Nada me parece certo, ainda, você nem me preencheu. Mas é tudo que eu tenho, um pouquinho mais perto do que eu preciso ver. É por isso que eu tento, vida, construir alguma coisa verdadeira dentro desse gelo teu.

Mas talvez você nunca tenha me amado de verdade, talvez eu nunca tenha te alcançado. Mas é que eu só queria ser você, Clarisse. Me perdoe se um dia deixei parecer que queria te ter.

se nada sei

Eu queria mais que algumas promessas, algo que me fizesse ficar. Algo como aprender a andar de bicicleta, talvez. As vezes tenho quase uma plena certeza de que não sei o que quero, mas sei que quero algo.

Alguma segurança? Algo que eu pudesse tocar, talvez? Mas que pelo menos me preenchesse a todo tempo e que eu nunca mais quisesse chorar. É que eu nunca consigo chorar quando deveria e aí já começo a pensar que nem sinto mais nada e então me bate um desespero que só Deus vendo e não tenho mais certeza de praticamente nada. É quando eu sei que ainda sinto, né? Acho que só perdi o jeito de como lidar com essas coisas. Esse tempo distante do meu pior lado me fez perder toda a manha.

Só sei que me arrumar algo concreto não machucaria, pelo menos não dessa vez. Mais que palavras, olhares ou gestos. Essas coisas o tempo leva e a gente não consegue guardar, segurar por aqui. Só queria saber que não rodei e rodei para voltar àquele mesmo ponto, ainda que ele me pareça o certo, algo mais próximo de casa.

Só que eu penso demais, penso até começar a achar que talvez, quem sabe, eles tenham razão e eu só precise de umas boas noites regadas à álcool, sexo sem compromisso - e nomes, histórias, essências ou gostos -, alguns machucados para lembrar das aventuras e encontrarei alguém melhor. Não sei qual seu parâmetro de bom ou melhor, do certo para mim, mas acho que discordo dele.

Mas então eu paro para pensar e, meu Deus, o que mais eu poderia querer? Eu sei que pior não fica mas melhorar? Eu não mereço algo melhor, não vou ter esse melhor e nem acho que vou procurar. Não sou assim. Vou arredar o pé antes de chegar lá. Mas não sei, não machucaria saber onde diabos estou pisando afinal. Acho que eu não quero o melhor, só quero o que quase encaixa nesse vazio.

Mas é só uma questão de paciência, é meio que uma prova dos nove e se eu aguentar por tudo isso, se eu chegar lá e saber disso, é por que era pra ser. Se não, era só mais uma das milhares de provas de que eu encontrei outra ponte. É, outra... não sei, outra lição. Mais um degrau para que eu me transformasse em quem tenho que ser, para que eu preparasse tudo para quem tem que vir preencher isso aqui (mesmo que eu não queira outro alguém, pelo menos não agora).

E de aproveitar essas horas massantes, a distância e os contras. Aceitar e acolher tudo isso para tentar aprender uma coisa ou outra. Alguma hora isso vai pra frente ou afunda de vez, é só respirar fundo e esperar encontrar seus braços novamente.

E está tudo bem, eu sei que sim. Alguns maços e uns delírios depois, eu sei que ainda sou aquele menino pré-adolescente e perturbado com meus hormônios. Então para que me preocupar, me segurar ou impedir? Para que fugir? Quem sou eu para falar de amor se nada sei? Por isso me calo, já percebi o quanto erram aqueles que falam demais, que tomam tudo como certo e de seu pleno conhecimento. Por isso me calo e espero. É, espero. Espero por quem vai vir aqui me ensinar um pouquinho disso e quem sabe conseguir me fazer abrir a boca para falar de amor.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

today's highlight

história no tumblr

terça-feira, 12 de outubro de 2010

no, she doesn't regret a thing.

I like sweet things, pastels colors, cotton candies and long drunk dreams
I like aching while I wait and goodbyes because that's what I'm made of.
I like reruns when the ticket's price's too high, you know I'd never bet low.
I like myself a few of them and a lot. I like things and then I hate them but I,
well, I know I'll like them even more.

I don't like promises when they sound like mere rotten chains and vain
while they jump out of your sore lips in a heartbeat and so thoughtlessly
only to remain ringing in my ears, crawling through a poor and itching me.
I don't like long cold goodbyes when it's your hand waving me away but,
well, I don't like the sound of your steps.

I want Almodóvar writing my script, Piaf singing it away in pure joy and tears
I want the best actors to recite my lines but I'll keep the lies all mine, only mine
I want French love affairs and never ending trips to the sky and to trip on you
And on him and on all of them and I want to feed my hunger in your arms but,
well, I want more than they're willing to fake.

I don't want to learn from mistakes, I'd only cherish them like mother like son
I don't want to stop to take a breath and admire the sight, life's way too short
And I don't want to come back here ever again, it's only once and with feelings
I don't want to reach to you and I don't want to let you go but you, filthy whore...


I'm getting sick of your cheap burns and it's getting late, I can't miss the next.
There'll be thousand others and pictures to remind them all and kisses and all
there'll be better touches, plenty of fucks, worse lips but there'll be none, dear
there'll be none who'll take your place.

It was good while it lasted the first time. Good and painful.
And it's being great now that it's ending for the second time.
But life is too short and I'm afraid there'll be no next round.

today's highlight

história no tumblr.

domingo, 26 de setembro de 2010

candy rain

Like fireworks, magnificent but short. It’s a vicious cycle.
Some people are happy together.
Some people are happier when they are not together.
Some people are unhappy because they can’t be together.
And some will never be happy even if they are together.