
Um punhado mais generoso de uma ironia sádica
Apenas alguma outra distração durante sua Via Sacra
Tão distante de seu doce imaginário de uma vida sadia
Levanta-te, criança, para tua última despedida.
Um punhado mais generoso de uma alegria vazia
Em pequenas mordidas para evitar qualquer alergia
É a sua vida, crescida, pomposa, adormecida
Levanta-te, mãe, para tua última despedida
Um punhado mais generoso de teu pequeno paraíso
Uma dor, escondida, encontra aliado em teu sorriso
Apenas o inventário de uma vida hoje apodrecida
Levanta-te, pai, para tua última despedida.
Pouco a pouco, nada nunca consegue mudar teu universo
Nem mesmo as marcas molhadas que transbordam em versos
E mancham suas prosas todas entupidas de fantasias estúpidas
Escorrendo em vidas desprovidas de qualquer outra dúvida.
Em cachoeiras de alegria,
Chuvas de bondosos dias.
Pouco a pouco vem a calmaria.
O fim da falsa harmonia;
O fim de nossos dias.
Levanta-te, eu vazio, para tua última despedida.
