
saindo pela esquerda, é. chega de problema.
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A baratinha era feia e fedorenta. A baratinha feia e fedorenta sonhava em ser borboleta. Mas papai e mamãe diziam que não, não, não; baratinha que nasce feia morre feia e não borboleta de alfazema.
A baratinha era pobrezinha de tão burrinha. A baratinha burrinha sonhava em voar pra chegar ao arco-íris. Mas a amiguinha dizia que não, não, não; baratinha burrinha não voa e nem nunca vai sair do chão.
A baratinha era feliz de tão vazia. Não comia e nem dormia, só sonhava com sua alegria de celofane rosa - choque. A baratinha vazia não sabia se chorava ou se ria, mas a baratinha vazia pagava o quê devia.
Baratinha que nasce burra não voa e nem chega a Lua. Baratinha que nasce feia não chega nem ao outro lado da rua. Mas baratinha que nem essa sonha, sonha e luta por que sabe que um dia vai morder a tal fruta.
A baratinha era lerda e surda. A baratinha sonhava em virar borboleta da noite pro dia pra não se demorar na despedida. A baratinha era jogada de lado que nem dente-de-leite depois de esmigalhado e murcho. A baratinha era assim feito eu que nem canta, nem dança pois só as borboletas de alfazema feito a queridinha brilham.
Oh, olhe só! Uma história cheia de moral e valor da baratinha que nunca levou uma curra. Corra, curra, cura. A baratinha tinha a doença da alegria mas oh, veja só! Eu tenho a cura. A baratinha sonhava que ia além, mas a baratinha era cega pro longo caminho de sua vida e oh, escute só! A coitada da baratinha realmente achava que o caminho era assim tão curto.
Pobre, oh pobre baratinha. Você é feia, fedorenta, burra, feliz, vazia, lerda e surda. Pobre de ti, baratinha, que realmente acreditas na alegria nossa de cada dia, servida com pão e água. Alegria, alegria, alegria. Vamos! Diga, baratinha. Diga o quanto tu queres o lugar da borboletinha.
A baratinha era feia e fedorenta.
A baratinha era pobrezinha de tão burrinha.
A baratinha era feliz de tão vazia.
A baratinha era lerda e surda.
A baratinha ‘tá tristinha por que encontrou o verdadeiro sentido da vida.
Pobrezinha, pobrezinha.
Oh coitadinha.
A baratinha ‘tá caladinha por que sabe que chegou seu dia.
Coitadinha da sonhadora baratinha.
Oh pobrezinha.
Baratinha de minha vida, acho que seu nome vem do meu. Baratinha, baratinha perseguida. Baratinha fedida. Fudida. Baratinha, baratinha, baratinha. Bala tinha. Bala lá tinha. Baratinha de tinta.
E eu já nem mais sei do quê falo.
Menina bonita, sem rosto e sem nome,
Quantas pessoas cabem dentro de uma? Se o fardo está muito pesado, onde diabos ela iria largá-lo?
E é guardar e esperar e ver no que vai dar. E cozinhar a mente para chegar até onde eles querem com toda essa carência de Vitamina D em seu organismo, que não vai mudar em nada se continuar alimentando-se de luz azul.
E se Marieta pudesse, eu sei que ela faria. Enforcaria todos eles, de um a um, para não sobrar mais nenhum sequer. Depois correria como se isso pudesse salvar sua vida com as lágrimas secando ao vento, a pele ardendo de tão esticada e seus olhos de tão inchados praticamente sumiriam.
Marieta conta seus sonhos para quem não deveria ouvir. Conta sobre como amaria usufruir de seu direito de ir e vir, mas ninguém acredita. Marieta já está velha demais para alimentar-se de sonhos e nem é bicho pra se sustentar do quê guarda em seu tecido adiposo; talvez seja hora de ingerir alguns alimentos de verdade.
E ela chora e engasga e quase se vomita e pode sentir o cheiro da loucura chegando; e está bem perto, pertíssimo. Mas a menina não está maluca, só um pouco confusa. Caiu no clichê do papo de sanidade financiada e hoje gasta seus dias a escrever linhas mergulhadas na infâmia.
Ainda assim, Marieta é tão eu e nem um pouco você. Não sei onde essa vadia começa, tampouco onde termina. Incrustada entre minhas entranhas, grudada em minhas artérias acaba passeando por minha corrente sangüínea como se fosse veneno meu. E a seringa só acalma, pouco ajuda. Essa paz amiga que vai aos poucos diluindo o quê me mata tão lentamente...
A menina morde a língua e segura as idéias cavalas na mente, e é quando minha avenida abre alas para Marieta. Sempre tão calma, sempre tão alheia. Mas continuo escondida lá no fundo, com os ouvidos grudados na bateria, esperando para explodir logo d'uma vez e ver o quanto restaria de nós duas.
O triste desfile em slow motion, as alegorias caindo e os carros enguiçando. Vejo bonecos perderam a cabeça, os braços em chamas e o povo só acompanha. Passos cegos, Marieta a frente e eu presa em marcha ré fico pra trás. Depois de tantos anos fingindo já não sei como me apresentar, perdi o jeito e os quadris já não balançam mais.
Então entre o "eu" e o "você" fica um vácuo quase que impenetrável e pela primeira vez em muito, lágrimas finalmente tocam meu rosto. Nos encaramos como se fôssemos uma reflexo da outra, sem um fim ou um começo definitivo, demarcado em piloto. Nunca achei tão difícil encarar alguém olho a olho... Sem mentir (Sem Marieta para mentir por mim).
Um silêncio mortal machuca meus tímpanos e o público a corroer seus estômagos pelo suco gástrico causado pelo estresso de esperar por alguma ação, algum golpe. Mas não, eu nunca machucaria aquela que me protege. Minha melhor capa jamais vestida. Mas Marieta não era invencível e aos poucos suas fendas caem, enquanto eu assisto de camarote seu desfalecimento.
Como encarar o mundo sem teus olhos para me esconder? Quantas pessoas cabem dentro de uma, meu Deus? Marieta está caindo lentamente e eu não posso tocá-la, não quero voltar a encarar o mundo como antes. E trocamos papéis, agora sou a capa daquela menina hoje tão assustada.
Me recosto ao parapeito da janela, dois passos e estou lá embaixo. Dois passos e estou sem ela. Mas essa vida que enceno é tua para aproveitar, Marieta. Vá e fuja, menina. Fuja antes que eles também lhe deixem zureta.
A conversa estava indo bem até eu derramar as idéias sobre o papel. Toda essa tecnologia vem comendo meu cérebro e cuspindo minha imaginação pro ralo. Meu eu-lírico anda ainda mais sarcástico, afinal de contas, são 17 anos de convivência e já temos intimidade o bastante para que ele me deixe na mão.

Eu quebro o salto e o tamanco voa.
Hoje a pipoca no seu copo da Coca Cola tem gosto de gordura.
Você sabe que está ficando largo e que dispensara a ternura.
Há alguém em teu lugar, mas nem sequer treme a compostura.
Neste jogo tão querido a vida continua sem você assim tão dura.
Joga fora o presente nesses sonhos de dias ensolarados.
Na busca por Califórnia, deixa sua Copacabana de lado.
Injetando cafeína no vácuo que preenche seu passado.
O gosto da noz de cola nunca lhe pareceu tão ultrapassado.
De três em três, de dez em dez eles se vão.
Pulam da tela direto para a palma da sua mão.
Bens digitados que na vida real nunca contarão.
Que do erro persiste a dor da falta de um acerto.
Ele cresce e aprende a perder todo o jeito.
Você ainda sorri quando eles cospem a chama do isqueiro?
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