Eu não peço muito, eu juro. Eu só queria que essa febre baixasse, que minha imunidade se fortalecesse e eu pudesse sugar a sua dor. Ser menos distante, saber abraçar, alcançar. Poder te tirar desses tubos e te conectar à mim, absorver o que te mata e te ver de pé outra vez.
É que você nunca vacilou na minha frente, nunca tropeçou ou caiu. Todos esses heróis das outras crianças são pinto na frente de quem você é, do que você faz por mim. Mas ninguém é de ferro, ninguém é eterno e eu já devia saber disso. Sempre vejo tanta gente vir só para ir logo depois, mas eu não sei se poderia passar por essa sem você.
Por que era você comigo me fazendo respirar, comigo no elevador quando ele caiu e eu estava dopada demais para entender o que te fazia passar. Era você ali, sorrindo para mim mesmo quando eu tomava o caminho contrário e jogava por terra tudo o que a sociedade tenta me fazer acreditar que é o fácil. É você me apoiando nas burradas, nas saídas e nos porres de finais de semana, nos sonhos idiotas de entrar em Julliard ou poder ter uma vida decente na Coréia.
É você quem me derruba, só você. Seja com suas palavras rígidas, sua falta de tato ou quando cai numa cama de hospital; aberto e com água podre jorrando de você, o corredor vazio e minha mente girando. Você não deveria ser o Super Homem com alguma kryptonita. Você não pode ter fraquezas ou eu não tenho em quem segurar. Então, por favor, volta logo. Eu realmente não sei andar sem a tua força pra me manter de pé.
Por que todos eles tentam e por isso eu agradeço, mas eu não posso te perder. Não posso te ver calmo, dormindo quase sem respirar, com só uma máquina te mantendo aqui. E se a luz acabar? Ela deve ter uma bateria, eu sei. Mas baterias acabam e você não deveria depender de uma. Você é tão mais... Quero a sua fúria de sempre, você pode berrar o quanto quiser, me xingar o quanto quiser, só não me deixa sozinha.
Tudo me dói, pai, e os dezenove anos não deveriam ser assim. Tudo arde, 'tô sem pele e a carne queima feito pra caralho, 'tô dizendo. Cadê você pra me esconder os cigarros, me mandar ir tomar um remédio, beber água, deitar? Cadê você pra me fazer comer? Eu 'tô comendo tanto por ti, pai. Eu poderia engordar uns cem quilos se isso fosse te trazer pra perto de mim agora. Eu poderia comer um boi, o nosso cachorro, eu comeria um braço meu se isso fosse te fazer voltar a sentir o teu.
Só não me deixa aqui sozinha, por favor. Eu 'tô te pedindo.
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terça-feira, 28 de setembro de 2010
the nowhere grain
Postado por
qseumabrastemp
Because of her deep voice and that slim, tiny flat body of hers she would groan once in a while "I'm not a boy" to the old refined ladies of her famous neighborhood. "Or at least not right now, not in this life" the whispered words would drown into her weak breath. We never really know what we truly are on the inside. And she believed in many things like being an old soul living several lives in different bodies throughout what we call a world, her Earth. She also believed in taking a bus to nowhere in particular just to talk on the beach, the entire beach, listening to whatever band could play her wrapped thoughts, probably her favorite one. But not on the sand, you know, but on the dirty sidewalk. Walking on the sand is for easy, figured out people. But is there someone completely solved out there? In that she's never been sure if she believed in or not.
Because, you see, there is only one Earth, only one sand in that neighborhood but zillions of people. So we have to see it differently, it's obvious. There are the double of eyes, Heaven knows how many minds or sights. But a cold glare would keep them from trying to invade yours. Because, well, in that she believed, there is no common place on the real deal.
As the world can't stop turning and gravity won't let go of her work, we gotta come and go. So she couldn't ever be sure of what she is by this turn... maybe a legit woman? That's quite impossible, maybe an old lady trapped inside a 12 years old slut's immaculate body. But, at least tonight, she knew one of her little boys was showing. And she shouldn't hide it, no. But only because once you're aware of it, you develop into something else - hanging between two opposite poles, absolving one and putting the other to keep on going, functioning.
Now the ride is almost over and she's right around the corner, so stop calling. This fraction is only getting a grip, you know?
No, she wasn't a boy... only a rotating grain.
domingo, 26 de setembro de 2010
candy rain
Postado por
qseumabrastemp
Like fireworks, magnificent but short. It’s a vicious cycle.
Some people are happy together.
Some people are happier when they are not together.
Some people are unhappy because they can’t be together.
And some will never be happy even if they are together.
Some people are happy together.
Some people are happier when they are not together.
Some people are unhappy because they can’t be together.
And some will never be happy even if they are together.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
can someone take this pen out of morrissey's hand?
Postado por
qseumabrastemp
No meio da falta do que fazer rendida pela insônia achei as letras de umas músicas antigas que tinha feito (sozinha ou com outras pessoas) no outro disco rígido desse PC.
Tudo muito merda, viu? Mas vou postar algumas aqui, de vez em quando e nunca, só para não perder de vista de novo...
Nossa, essa vai ser pra sempre minha favorita <3
Tudo muito merda, viu? Mas vou postar algumas aqui, de vez em quando e nunca, só para não perder de vista de novo...
when you were young there was a diamond sea
it really seems like you have found the Peace Pill
take the road to an end you knew you'd see
it happens while stores keep feedin' our dreams
life lies beneath the mirrors we share
hurry up maybe you still can get there
working all day without a second of sleep
don't look back and you'll steal what you need
if you never let them get you lying
you'll never let them get you alive
and before the sun burns up your skin
you can always leave to that same old sea
find a way to not face the truth
keep it locked inside the best of you
the fear and shame of punishment'll be gone
buried by diamonds, dear you're done
there's a gun in every sin of the road
when they take every girl they need
like diamonds cuttin' down your throat
you gotta hurry to drown in that cold sea
if you never let them get you lying
you'll never let them get you alive
and before the sun burns up your skin
you can always leave to the same old sea
now that the diamond sea reflects in your eyes
just know growin' up means wearing a better lie
Nossa, essa vai ser pra sempre minha favorita <3
sábado, 11 de setembro de 2010
Postado por
qseumabrastemp
“Perhaps we don’t like what we see: our hips, our loss of hair, our shoe size, our dimples, our knuckles too big, our eating habits, our disposition. We have disclosed these things in secret, likes and dislikes, behind doors with locks, our lonely rooms, our messy desks, our empty hearts, our sudden bursts of energy, our sudden bouts of depression. Don’t worry. Put away your mirrors and your beauty magazines and your books on tape. There is someone right here who knows you more than you do, who is making room on the couch, who is fixing a meal, who is putting on your favorite record, who is listening intently to what you have to say, who is standing there with you, face to face, hand to hand, eye to eye, mouth to mouth. There is no space left uncovered. This is where you belong.”
that's all i need right now, to be quite honest...
ps.: resolvi abrir os comentários de novo, é.
ps.: resolvi abrir os comentários de novo, é.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Postado por
qseumabrastemp
Human beings are funny. They long to be with the person they love but refuse to admit openly. Some are afraid to show even the slightest sign of affection because of fear. Fear that their feelings may not be recognized, or even worst, returned. But one thing about human beings puzzles me the most is their conscious effort to be connected with the object of their affection even if it kills them slowly within.
Sigmund Freud
Freud explica, né? E obrigada por me aturar efusiva, Tamy. Quem diria te ter de volta aqui, hein? (:
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
O problema da parada.
Postado por
qseumabrastemp
Sabe quando você precisa escrever, mas não sabe sobre o quê? Quando não adianta passar a tarde vendo filmes "inspiradores", enchendo o bucho de café e cigarro toda montada na alternatividade que... você continua no bloqueio? É que nem sempre...
É que assim... o tempo tá passando, sabes? E por incrível que pareça, já me sinto parada demais. Não preciso de um porto seguro, não sou dessas que para em algum lugar. É só continuar movendo, remando, correndo... é só continuar chovendo na minha parada que tá tudo certo.
E não é que eu não queira precisar de alguém (não quero usar aquele pronome pessoal do caso reto aqui porque isso não é nenhuma acusação ou coisa que o valha. Olhe lá, não é nada pessoal) ou settle down e colecionar fotografias fofinhas de uma tarde tranquila. É que a minha máquina não tem memória RAM o suficiente pra isso. Quando o programa começa a pesar, lá vem o looping e trava, meu chapa. Trava feio. Digamos que o meu Windows seja pirata e essas coisas verdadeiras aí, todas sempre com um preço muito alto, elas pedem aquele maldito serial e dessa vez... teu produto veio sem caixa.
Não sei o que houve quando liguei hoje, mas eu quis reiniciar no modo de segurança e tudo ainda me parece fora do lugar. Vai ver eu caí na morte do colorido lá ou entrei demais no YouPorn, vai saber; não me parece ser vírus, mas acho que não vai sobrar nada na placa mãe.
É que assim... você nasce uma coisa, sabes? Quando te fabricam, tu pode dar a sorte de vir naquela série perfeita, moldada, pronta para ser preenchida com os melhores softwares legais, com o certificado de compra e o serial sempre ali para quando precisar de um reset. Ou então,(in)felizmente, você pode dar a puta sorte de ser uma daquelas unidades dentro de milhões que vêm com um delicioso defeito de fábrica. Aí, sinto lhe dizer, mas não tem jeito. Não há crack que resolva.
Não adianta meter o pé na tomada, pau que nasce torto nunca se indireita. É foda. Te juro que eu devo ter sido realmente made in China, esses meus olhinhos puxados não negam... E o único problema é que cada vez que você tenta me usar e eu reinicio, menos tu e mais espaço me sobra na minha memória. Estranho, eu sei, mas é assim que as coisas funcionam por aqui.
Eu sei que aquelas máquinas novas com seus sistemas em alguma língua bizarra que nem o seu alfabeto utilizam, todas pimpadas no mistério são realmente muito interessantes. Mas é que você ainda é meio analfabeto, cara. E, desculpa, mas não tem nenhum tutorial pra minha série solto aí no Google. Ou é pimba ou não é e contigo a parada tá travando demais e eu não sei se algum técnico saberia lidar com isso.
Eu só queria mesmo, no final das contas, é dizer que eu não sou a solução... eu não sou o sistema certo para você, digamos assim. Tu, distraído na madrugada, deve ter baixado a versão para testes crente que era a completa. Tá tentando crackear a todo custo e eu até acho isso legal, mas não tá dando pra reiniciar anymore... Essa nossa versão é tipo MMORPG baixado no Baixaki... baixa rápido, instala fácil, te distrai bagarai e você tá super feliz lá, rodando madrugadas com teu avatar só que... quando chega na fase sete, acaba. Tu vai meter a mão no bolso pra arriscar a versão original? Não, não vai e nem vale a pena. Já te disse que meu sistema é pirata, cara.
Então antes que eu trave de vez e acabe perdendo qualquer traço seu em mim... me põe de lado e vai atrás da tua máquina certa. Talvez assim você até possa voltar de vez em quando pra jogar uma paciência ou papear no nosso MSN não atualizado.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
you're waiting for a train...
Postado por
qseumabrastemp
call me once your plane lands, i'll be the earth where you stand
pull me down to walk over me, go on and smile from ear to ear
tell me sugar or bitter, just let me read you between those sweets
only 'cause it feels so good to feel so weak.
Let 'em tie us down and put up a show, it won't hurt if you crawl
They could set me on fire, it's ok, i'd be ready to get up and smile
'cause you're around now, after so long, after gone, you're around
hangin me high just to watch me goin down.
Call me once you've got plans, i'll be there to make 'em happen
just like one and one and one ain't three to me, i ain't learning shit
so open up my goddamn eyes and show me how this shit is done
i'm growing up and too tired to walk alone.
Let them burn the stage again, people only need to make a scene
'cause that's how the story will always end, no need to feel mean
as above so below, we're waiting for a train riding nowhere fast
so it's me knocked down on your road again.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
the rainbow song
Postado por
qseumabrastemp
i love the beginning and the ending
because the colors are so pretty and the angles...
red and blue and green just like a kodak picture...
and among that so flat but straight
i'm thirsty, i'm hungry
i'm in need, i am sick
i'm up and i'm down
nowhere to be found
i love the beginning and the ending
i'm stuck at the start and you are at the finish line...
i need to swallow and inhale you into a better me...
and among that so young but narrow
i am hungry but here
you see so i can't give
i'm up so you're down
you lost what i found
but down at the finish line
what ended was only me
you're still going on
and on and on and...
just like a rainbow
so flat and straight
or an airplane crash
so young but narrow
and chosen by arrows
sweeter than shackles
dancing to your beats
staining my symphony
nowhere to be found
no one's to be bound
sexta-feira, 25 de junho de 2010
ubuntu
Postado por
qseumabrastemp
você -
que quebra todo o meu gelo;
que arromba as portas que eu tranco;
que explode os muros que levanto;
você -
que arranca sorrisos da minha cara amarrada;
que me ensina o que é caminhar acompanhada;
que tenta, pacientemente, me ensinar o que é...
você -
que chegou de mansinho, assim, todo quietinho;
que chegou feito mineiro, comendo pelos cantinhos;
no seu próprio ritmo, na sua batida, pra me melodiar...
você -
que é mais parte de mim que meu juízo jamais será;
que me ensina a espremer do choro aquele riso
meio assim com aquele gosto amargo de quero mais...
de que preciso.
você -
que me faz tremer a carne;
que invadiu minhas entranhas;
que me cortou o que remendou;
você -
que é assim meio sensacional nas suas falhas;
que sempre me corta só pra me deixar sem fala;
que me faz baixar a crista, desistir da guarda;
você -
que veio pra ficar;
que veio pra amar;
que veio pra aguentar;
você -
que é mais eu do que eu jamais serei;
que é melhor do que um dia sonhei;
que me faz rimar feito rock inglês;
você, minha criança. meu filho, meu bandido. você que já não é mais tão menino, homem feito de barba e coração cristalino. você que sempre será minha criança, minha cria, meu protège. você que é tudo pra mim...
hoje você é mais você; o mundo é mais você! o universo conspira a teu favor só pra atender ao teu prazer.
e você hoje é mais que quatro letras, um acento aqui e uma correção de gramática ali. você é eu, eu sei. e ti? do ya?
mas não se engane, pequeno, achando que isso é meio assim que só hoje... é pra todo o sempre feito conto de fadas, grudado no ramo que carrego gravado no ombro. no direito, onde você sempre se apoiará. o ombro daquela mão que sempre estará lá pra ti, só pra ti. pq só você é você. e só nós somos eu.
eu aqui achando que meu maior presente de aniversário para ti só poderia se resumir em três palavras.. mas não. na verdade, esse foi o melhor presente que eu já ME dei. sim, sou egoísta... eu sei...
mas então eu lembrei das aulas mirabolantes de antropologia e de uma palavra que eu achei assim tão linda, que meio que me fez pensar bastante em você, só você. enfim, deixe logo eu te dizer: "ubuntu - eu só existo porque você existe." é uma palavra africana e a mais linda que eu já vi. mais linda que amor, mais linda que você e qualquer outro grupinho de quatro letras que possa vir por aí. mas só porque é a maior verdade que eu conheço - eu realmente só existo porque você existe.
parabéns, carlinhos, meu filho... estou te devendo um nascer do sol na maria quitéria, né? pois hoje eu te dou. :) ubuntu, meu dongsaeng mais necessário~~
que quebra todo o meu gelo;
que arromba as portas que eu tranco;
que explode os muros que levanto;
você -
que arranca sorrisos da minha cara amarrada;
que me ensina o que é caminhar acompanhada;
que tenta, pacientemente, me ensinar o que é...
você -
que chegou de mansinho, assim, todo quietinho;
que chegou feito mineiro, comendo pelos cantinhos;
no seu próprio ritmo, na sua batida, pra me melodiar...
você -
que é mais parte de mim que meu juízo jamais será;
que me ensina a espremer do choro aquele riso
meio assim com aquele gosto amargo de quero mais...
de que preciso.
você -
que me faz tremer a carne;
que invadiu minhas entranhas;
que me cortou o que remendou;
você -
que é assim meio sensacional nas suas falhas;
que sempre me corta só pra me deixar sem fala;
que me faz baixar a crista, desistir da guarda;
você -
que veio pra ficar;
que veio pra amar;
que veio pra aguentar;
você -
que é mais eu do que eu jamais serei;
que é melhor do que um dia sonhei;
que me faz rimar feito rock inglês;
você, minha criança. meu filho, meu bandido. você que já não é mais tão menino, homem feito de barba e coração cristalino. você que sempre será minha criança, minha cria, meu protège. você que é tudo pra mim...
hoje você é mais você; o mundo é mais você! o universo conspira a teu favor só pra atender ao teu prazer.
e você hoje é mais que quatro letras, um acento aqui e uma correção de gramática ali. você é eu, eu sei. e ti? do ya?
mas não se engane, pequeno, achando que isso é meio assim que só hoje... é pra todo o sempre feito conto de fadas, grudado no ramo que carrego gravado no ombro. no direito, onde você sempre se apoiará. o ombro daquela mão que sempre estará lá pra ti, só pra ti. pq só você é você. e só nós somos eu.
eu aqui achando que meu maior presente de aniversário para ti só poderia se resumir em três palavras.. mas não. na verdade, esse foi o melhor presente que eu já ME dei. sim, sou egoísta... eu sei...
mas então eu lembrei das aulas mirabolantes de antropologia e de uma palavra que eu achei assim tão linda, que meio que me fez pensar bastante em você, só você. enfim, deixe logo eu te dizer: "ubuntu - eu só existo porque você existe." é uma palavra africana e a mais linda que eu já vi. mais linda que amor, mais linda que você e qualquer outro grupinho de quatro letras que possa vir por aí. mas só porque é a maior verdade que eu conheço - eu realmente só existo porque você existe.
parabéns, carlinhos, meu filho... estou te devendo um nascer do sol na maria quitéria, né? pois hoje eu te dou. :) ubuntu, meu dongsaeng mais necessário~~
sábado, 19 de junho de 2010
Postado por
qseumabrastemp
"Cara, eu 'tô muito louca..." - a menina sussurrou, abraçando-o quase assim muito forte (ou seria o travesseiro?). Mas, sabe? Não faz diferença. Ela 'tava assim meio fraca, meio mole e feito nem barro nem tijolo. "Barro" é uma palavra muito estranha, pensou. Se é que ela estava pensando certo por que tava tudo assim tão louco, nada 'tava fazendo muito sentido não.
"Eu 'tô uma merda, cara... te juro" - resmungou e logo fez mais uma de suas milhares de notas mentais - parar de falar tanto "cara". É.
Mas aí era tanto barulho ao mesmo tempo, tava tudo uma confusão nesse tédio dos infernos, uma confusão do caralho. "Fiz bem em ter guardado aquele remédio. Mas eu devia ter procurado no Google primeiro..."
Mas nem é como se ela não tivesse o feito, pois o fez. Procurou, leu, estudou a possibilidade de ficar assim meio tão louca mas ainda assim quase nada, meio sóbria quando não 'tava vendo era noção de nada... mas viu que com álcool ia ficar era louca demais. Deu pra trás, afinal de contas morrer numa situações dessas com o cabelo podre desse jeito cheio de talco e a maior cara de cu a qual tinha alcance ia ser muito escroto. Até pra alguém como ela.
"Mas que merda que isso 'tá ficando, velho..." - afundou a cabeça naquela volta genial que existe entre o ombro e o pescoço das pessoas escolhidas pra esse tipo de função. É, aquela de encaixar direitinho na gente e tudo o mais. Se era o travesseiro ou não, pouco importava. Aliás, o quê importa tanto assim afinal de contas? Me diz. Fodam-se as vírgulas.
Aí ela se mexeu mais um pouco e o som do desenho 'tava tão alto em seus ouvidos que já tinha virado barulho e mais confusão. E o sono que é bom? Nada.
É foda não dormir. Mas café é bom demais.
Aí ela resolveu que iria ligar pra melhor amiga, mas pensa só... já são umas duas da manhã. Seria suicídio, porra. Ninguém liga pra casa de ninguém às duas da madrugada até porque ninguém faz nada com ninguém, só com alguém. Mas enfim, se perdeu de novo, né? E porra, você tem que aprender a usar os porquês, caralho.
Te falar que 'tô cagando pros pronomes, pensou de novo. É que ela pensa demais, sabes? E um foda-se pras aspas também.
Aproveita e manda um foda-se pra porra toda porque nada 'tá valendo muito a pena ultimamente. E eu 'tô com uma preguiça do caralho de levantar a bunda da porra dessa comodidade (comodidade?) e ir fazer algo pra alguém... então faço pra ninguém por que é bem isso que não se faz.
Tipo, não eu... ela, mas você sabe.
E se não sabe, encontrei mais um motivo pra um foda-se. Tanto eu quanto ela. Teria uma vírgula aqui? Hein?
Sei lá, ao invés de me deixar com sono ela 'tá achando é que essa merda me deixou com tendinite por que tá bem doloroso ou dolorido ou o quê diabos fosse pra digitar na mão esquerda. E agora eu 'tô afim de mastigar, mas você sabe... engolir não rola e eu acabei de escovar os dentes. Isso por que dizem que essa porra te apaga e é assim que as gurias são estupradas nas boites (buatchys, hihihi engraçadinho você, hein?). Mas sei lá, eu 'tô é bem ligada.
Acho que ela 'tá precisando é de um pouquinho de café e eu conheço aquela papinha de biscoito maravilhosa que é ótima pra esse tipo de situação. Mas sei lá, queria dizer que fui eu quem inventei aquela porra, mas meus antepassados (hahaha valeu, Mulan!) já comiam essa maldição muito antes de eu sequer nascer. E aquela merda engorda, é uma puta duma bomba aquilo. Doce até os infernos.
Aí tá todo mundo reclamando que eu tomo muito café, né? Por isso que eu vivo tremendo e toda louca e desconfiada de tudo quanto é coisa e ansiosa e tudo o mais. Mas vou te contar um causo~~ aê... eu tomava café desde neném, cara. Desde antes de eu sequer aprender a usar colher. Eu ficava lambendo aquela maldição feito gato tomando leite da cumbuca, cambuca ou sei lá e é por isso que eu sou assim ligadona na porra toda mesmo lerda feito um zumbi em NF por aí. Enfim.
Eu não 'tô bem não, cara. Ela repetiu. Porra, ela só fala isso. Deve cansar tudo quanto é infeliz que tenta algum tipo de dinâmica com ela. Mas a guria até que é bem legal no final das contas. Assim, não é de se jogar fora... é só deixar na estante.
Mas sei não, viu? Ela não tem cara de enfeite que preste para ser colocado na frente, no rack da sala ou na mesinha de cabeceira. Tá mais praquelas merdas que a gente sempre recebe como lembrancinha de aniversário de quinze anos e morre de vontade de tacar na parede antes mesmo do ''Parabéns''. E taí algo que eu bem cago e ando por que vou te contar que eu odeio doce, ainda mais bolo com glacê. Tem que ser uma parada mais tr00, assim, com pasta americana (que é doce que só, puta que me pariu. Cuspo tudo e bem feliz, vou te falar) ou então sei lá, aquela outra cobertura dura e sei lá. Que seja, nem gosto de festas de 15 anos mesmo. A última (e bem acho que a única, sei lá) em que fui, minha ex-sogra tentou arrancar meu aplique. Fino, bem fino. Sou dessas, pura finesse~~.
Aí tá, né? O tempo tá passando e a porra desse remédio tá me deixando é mais ligada do que deveria. Isso sempre acontece comigo, eu devia ter esperado por essa.. remédio que é pra dopar me deixa mais ligada que qualquer outra coisa e cafeína me deixa lerda que nem ninguém... Sei lá, eu fico assim meio mole mas não consigo dormir por que ninguém para quieto nessa porcaria e caramba, a guria tinha me prometido que eu ia apagar na hora. Tá, não na hora, mas assim, ia apagar bem rápido e poderia vir até aquela bandinha irritante de Ipanema tocar no meu ouvido que eu ia continuar dormindo. E segundo o Google, dá até amnésia. Tô mais pra quem vai ter uma alucinações bem escrotas e mergulhar na bad trip de cabeça. Grrrrrreat.
E sei lá, lembrei de uma coisa. Cadê todo mundo?
"Eu 'tô uma merda, cara... te juro" - resmungou e logo fez mais uma de suas milhares de notas mentais - parar de falar tanto "cara". É.
Mas aí era tanto barulho ao mesmo tempo, tava tudo uma confusão nesse tédio dos infernos, uma confusão do caralho. "Fiz bem em ter guardado aquele remédio. Mas eu devia ter procurado no Google primeiro..."
Mas nem é como se ela não tivesse o feito, pois o fez. Procurou, leu, estudou a possibilidade de ficar assim meio tão louca mas ainda assim quase nada, meio sóbria quando não 'tava vendo era noção de nada... mas viu que com álcool ia ficar era louca demais. Deu pra trás, afinal de contas morrer numa situações dessas com o cabelo podre desse jeito cheio de talco e a maior cara de cu a qual tinha alcance ia ser muito escroto. Até pra alguém como ela.
"Mas que merda que isso 'tá ficando, velho..." - afundou a cabeça naquela volta genial que existe entre o ombro e o pescoço das pessoas escolhidas pra esse tipo de função. É, aquela de encaixar direitinho na gente e tudo o mais. Se era o travesseiro ou não, pouco importava. Aliás, o quê importa tanto assim afinal de contas? Me diz. Fodam-se as vírgulas.
Aí ela se mexeu mais um pouco e o som do desenho 'tava tão alto em seus ouvidos que já tinha virado barulho e mais confusão. E o sono que é bom? Nada.
É foda não dormir. Mas café é bom demais.
Aí ela resolveu que iria ligar pra melhor amiga, mas pensa só... já são umas duas da manhã. Seria suicídio, porra. Ninguém liga pra casa de ninguém às duas da madrugada até porque ninguém faz nada com ninguém, só com alguém. Mas enfim, se perdeu de novo, né? E porra, você tem que aprender a usar os porquês, caralho.
Te falar que 'tô cagando pros pronomes, pensou de novo. É que ela pensa demais, sabes? E um foda-se pras aspas também.
Aproveita e manda um foda-se pra porra toda porque nada 'tá valendo muito a pena ultimamente. E eu 'tô com uma preguiça do caralho de levantar a bunda da porra dessa comodidade (comodidade?) e ir fazer algo pra alguém... então faço pra ninguém por que é bem isso que não se faz.
Tipo, não eu... ela, mas você sabe.
E se não sabe, encontrei mais um motivo pra um foda-se. Tanto eu quanto ela. Teria uma vírgula aqui? Hein?
Sei lá, ao invés de me deixar com sono ela 'tá achando é que essa merda me deixou com tendinite por que tá bem doloroso ou dolorido ou o quê diabos fosse pra digitar na mão esquerda. E agora eu 'tô afim de mastigar, mas você sabe... engolir não rola e eu acabei de escovar os dentes. Isso por que dizem que essa porra te apaga e é assim que as gurias são estupradas nas boites (buatchys, hihihi engraçadinho você, hein?). Mas sei lá, eu 'tô é bem ligada.
Acho que ela 'tá precisando é de um pouquinho de café e eu conheço aquela papinha de biscoito maravilhosa que é ótima pra esse tipo de situação. Mas sei lá, queria dizer que fui eu quem inventei aquela porra, mas meus antepassados (hahaha valeu, Mulan!) já comiam essa maldição muito antes de eu sequer nascer. E aquela merda engorda, é uma puta duma bomba aquilo. Doce até os infernos.
Aí tá todo mundo reclamando que eu tomo muito café, né? Por isso que eu vivo tremendo e toda louca e desconfiada de tudo quanto é coisa e ansiosa e tudo o mais. Mas vou te contar um causo~~ aê... eu tomava café desde neném, cara. Desde antes de eu sequer aprender a usar colher. Eu ficava lambendo aquela maldição feito gato tomando leite da cumbuca, cambuca ou sei lá e é por isso que eu sou assim ligadona na porra toda mesmo lerda feito um zumbi em NF por aí. Enfim.
Eu não 'tô bem não, cara. Ela repetiu. Porra, ela só fala isso. Deve cansar tudo quanto é infeliz que tenta algum tipo de dinâmica com ela. Mas a guria até que é bem legal no final das contas. Assim, não é de se jogar fora... é só deixar na estante.
Mas sei não, viu? Ela não tem cara de enfeite que preste para ser colocado na frente, no rack da sala ou na mesinha de cabeceira. Tá mais praquelas merdas que a gente sempre recebe como lembrancinha de aniversário de quinze anos e morre de vontade de tacar na parede antes mesmo do ''Parabéns''. E taí algo que eu bem cago e ando por que vou te contar que eu odeio doce, ainda mais bolo com glacê. Tem que ser uma parada mais tr00, assim, com pasta americana (que é doce que só, puta que me pariu. Cuspo tudo e bem feliz, vou te falar) ou então sei lá, aquela outra cobertura dura e sei lá. Que seja, nem gosto de festas de 15 anos mesmo. A última (e bem acho que a única, sei lá) em que fui, minha ex-sogra tentou arrancar meu aplique. Fino, bem fino. Sou dessas, pura finesse~~.
Aí tá, né? O tempo tá passando e a porra desse remédio tá me deixando é mais ligada do que deveria. Isso sempre acontece comigo, eu devia ter esperado por essa.. remédio que é pra dopar me deixa mais ligada que qualquer outra coisa e cafeína me deixa lerda que nem ninguém... Sei lá, eu fico assim meio mole mas não consigo dormir por que ninguém para quieto nessa porcaria e caramba, a guria tinha me prometido que eu ia apagar na hora. Tá, não na hora, mas assim, ia apagar bem rápido e poderia vir até aquela bandinha irritante de Ipanema tocar no meu ouvido que eu ia continuar dormindo. E segundo o Google, dá até amnésia. Tô mais pra quem vai ter uma alucinações bem escrotas e mergulhar na bad trip de cabeça. Grrrrrreat.
E sei lá, lembrei de uma coisa. Cadê todo mundo?
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Postado por
qseumabrastemp
I don't wanna be your friend, I just wanna be your lover.
No matter how it ends; no matter how it starts.
Care about your house of cards and I'll deal mine...
the main file was deleted. please seek for help in our forums.
Postado por
qseumabrastemp
vem cá, você já percebeu como isso aqui anda frio?
eu sei, mas eu só queria um pouco mais de liberdade
e a certeza de que não preciso rimar para te atingir
mas sim, sim. é verdade. estou quase congelando...
e é incrível como os dias voam, não é mesmo?
assim fica fácil entender esse seu procedimento
e esconder e encantar e fingir e tentar enganar
deus! é ridícula essa merda em que me tornei
mas a culpa não é sua, não fique assim.
já entendi, agora é só você fugir de mim
e você já está a rimar de novo, arlequim
sim, sim. talvez seja melhor pôr um fim...
...aqui.
mas o quê diabos você quer dizer com isso?
com cada passo que dá, frio, conciso. hein?
você nunca vai entender, pequena. desculpe...
tudo bem, enfim. você vai perder seu ônibus...
e eu continuo aqui
incalcançável, sim.
digo, longe de ti.
intocável, inteira
na metade podre
feito fim de feira
mas vá logo, vá.
você vai perder
você vai perceber...
você vai entender...
você vai. vai?
vai?
eu sei, mas eu só queria um pouco mais de liberdade
e a certeza de que não preciso rimar para te atingir
mas sim, sim. é verdade. estou quase congelando...
e é incrível como os dias voam, não é mesmo?
assim fica fácil entender esse seu procedimento
e esconder e encantar e fingir e tentar enganar
deus! é ridícula essa merda em que me tornei
mas a culpa não é sua, não fique assim.
já entendi, agora é só você fugir de mim
e você já está a rimar de novo, arlequim
sim, sim. talvez seja melhor pôr um fim...
...aqui.
mas o quê diabos você quer dizer com isso?
com cada passo que dá, frio, conciso. hein?
você nunca vai entender, pequena. desculpe...
tudo bem, enfim. você vai perder seu ônibus...
e eu continuo aqui
incalcançável, sim.
digo, longe de ti.
intocável, inteira
na metade podre
feito fim de feira
mas vá logo, vá.
você vai perder
você vai perceber...
você vai entender...
você vai. vai?
vai?
domingo, 11 de abril de 2010
Postado por
qseumabrastemp
Não sei quem foi que surgiu com essa idéia de que artista tem que ser miserável, uma personificação de um ser humano denso de decadência. Também não sei quem a espalhou. Só sei que, pra mim, colou.
Desde então, ou melhor, desde sempre - ou a partir da onde ainda me permito manter registros memoriais - tenho tentado piorar, apodrecer. Em miúdos, me tornar essa massa mofada que todo artista supostamente deve ser. Porém, continuo com essa mesma necessidade selvagem de escrever, digo, produzir (nessa altura do campeonato estou aceitando qualquer coisa). Sim, eu continuo com essa insônia maldita, a casa cheia e barulhenta, essa vida de merda e escrever que é bom? nada.
Mas a culpa não é minha, não mesmo. Ninguém cala a boca na merda dessa casa. Mordaças? As minhas, só se for.
E agora mesmo isso aqui está um inferno, mesmo às três da manhã, Mas tudo está ok, nos trinques; eles compraram um sofá novo.
Gostou de seu novo trono? Que bom. Você parece um bolo de merda sobre ele.
Decidi que ia começar um diário. Desisti.
Só sei que preciso de alguém que mude meus dias por que eu não quero mesmo, de forma alguma, fazê-lo sozinha. Quero muito alguém, ou simplesmente um maço de cigarros cheio. Serve também essa cafeteira expressa que mais parece um bule de ferro. Taí algo que acho maravilho, impressionante - essa cafeteira. Se um dia eu conseguir fugir para algum lugar, ela é tudo que preciso levar.
E essa chuva? Passa e volta, passa e volta. Não consegue se decidir, parece até...
Não me pergunte o quê estou fazendo. Eu não sei e bem tenho raiva de quem sabe. É sério.
Meus 19 anos estão chegando, eu já disse? Caixão branco, ainda. Mas ouvi que há certas esperanças de mudança. Mas não quero saber; esse setor de minha empresa não apetece em nada à minha pessoa.
Acho que tive um outro sonho estranho essa noite. O passado tá voltando, creio eu. Talvez tudo esteja começando a bater, finalmente.
Estou amando minha letra nesse caderno. Queria carregá-lo pra vida.
Estou também pensando em espalhar post secrets pela faculdade, mas me atropelaram e vieram com bilhetinhos aleatórios muito antes que eu pudesse tocar esse projeto furado pra frente, é. Meu nome apareceu em um desses, falando nisso. O último.
Não adianta contar carneirinhos, porra. Eu já disse. Esse vazio não passa.
Saudades dos tempos de Empório e vinhos baratos na orla de Ipanema. Minha adolescência em cativeiro tem se sentido muito idosa ultimamente.
Talvez esse seja o meu problema e eu esteja em crise de meia idade e só agora o percebi. Tem nada não, eu vou mudar. Vou dar um corte nesse cabelo e arrumar uma outra tatuagem. Ou então só mudar do Lucky Strike; nao preciso de sarcasmo até mesmo no veneno de rato que trago.
E ainda por cima estão controlando meus cigarros, meus passos, supiros. Mas não minhas mãos; arrepios. Vertigens.
Anda tudo meio fora de nexo, como sempre; feito essa caixa do kinderovo de páscoa - não fecha, não encaixa nem por um caralho. Talvez eu precise mesmo voltar a emagrecer.
Taí outro dilema. Incrível como uma coisa puxa à outra, não é mesmo? Engraçado que me lembrei agora, e nem sei o por quê, de uma conversa que tive com a Fernanda, no Empório (saudades dessa menina; e dessas que pulsam). Com uvas verdes e saquês e tempo de sobra em nossas mãos em um de nossos gloriosos sábados de aleluia pessoal, entre cigarros e estrangeiros, invasores secos de nosso paraíso enlatado, puxamos fendas de uma face à outra, criando nossa própria corrente de ouro; de planos, de sonhos, de...
a banhamos em um desses dois Oceanos que eu nunca lembro qual é. Vai de um continente ao outro, essa nossa corrente. É pra sempre - eu mesma já a testei.
Falando nisso, "mesma" existe? Lembrei agora que preciso estudar Português. Estudar e emagrecer; o ombro tá roçando gorduroso nessa camiseta velha e vermelha que não tiro há três dias.
Engraçado permanecer numa vida que só segue girando num mesmo ponto fixo dessa engrenagem qualquer. Principalmente quando tanto se esperou aquela carta aos 11, a mão divina que tiraria a merda da frente do ventilador. Mas ela nunca nem sequer fez menção de chegar. E aqui continua-se na mesma, só que agora o fedor já está ficando insuportável. Os Correios brasileiros são mesmo uma merda.
Quero viajar. Talvez eu realmente fuja, mas antes preciso comprar aquela cafeteira. Vou pesquisar sobre ela no google. É assim, prata, feito um bule de ferro, como eu já disse. Ou seria de alumínio? Se for, é dos grossos. Mas me parece ferro; toquei e senti ferro. Dá para três xícaras, seu café. Abri a bichinha, examinei-a de rabo a cabo, de dentro pra fora e vice-e-versa e toda ao avesso. Mas confesso que ainda não entendi como sai algum café de lá. Ou como ele ali entra, enfim. Mas eu quero.
Preciso também de silêncio. Meu cérebro está prestes a explodir, ou talvez tão somente eu mesma (mesma?). Acho que vou perder a maldita das estribeiras (não que algum dia eu sequer já tenha feito idéia do que diabos viria a ser isso, estribeiras).
Preciso da cafeteira, de silêncio e de alguém. Fumante, de preferência; meu golpe de sorte. Não sei se quero ou se sequer deixaria correr o risco de permitir dar certo (ou de ser o mais correto, enfim). Não quero que perca a graça, entendes? Mas preciso do enjôo, do nervoso e medo constantes; de aceitar jogar só pra perder. Mas... sei não.
Alguma hora, até o mais infeliz dos insônes tem que cair e se deixar dormir.
Desde então, ou melhor, desde sempre - ou a partir da onde ainda me permito manter registros memoriais - tenho tentado piorar, apodrecer. Em miúdos, me tornar essa massa mofada que todo artista supostamente deve ser. Porém, continuo com essa mesma necessidade selvagem de escrever, digo, produzir (nessa altura do campeonato estou aceitando qualquer coisa). Sim, eu continuo com essa insônia maldita, a casa cheia e barulhenta, essa vida de merda e escrever que é bom? nada.
Mas a culpa não é minha, não mesmo. Ninguém cala a boca na merda dessa casa. Mordaças? As minhas, só se for.
E agora mesmo isso aqui está um inferno, mesmo às três da manhã, Mas tudo está ok, nos trinques; eles compraram um sofá novo.
Gostou de seu novo trono? Que bom. Você parece um bolo de merda sobre ele.
Decidi que ia começar um diário. Desisti.
Só sei que preciso de alguém que mude meus dias por que eu não quero mesmo, de forma alguma, fazê-lo sozinha. Quero muito alguém, ou simplesmente um maço de cigarros cheio. Serve também essa cafeteira expressa que mais parece um bule de ferro. Taí algo que acho maravilho, impressionante - essa cafeteira. Se um dia eu conseguir fugir para algum lugar, ela é tudo que preciso levar.
E essa chuva? Passa e volta, passa e volta. Não consegue se decidir, parece até...
Não me pergunte o quê estou fazendo. Eu não sei e bem tenho raiva de quem sabe. É sério.
Meus 19 anos estão chegando, eu já disse? Caixão branco, ainda. Mas ouvi que há certas esperanças de mudança. Mas não quero saber; esse setor de minha empresa não apetece em nada à minha pessoa.
Acho que tive um outro sonho estranho essa noite. O passado tá voltando, creio eu. Talvez tudo esteja começando a bater, finalmente.
Estou amando minha letra nesse caderno. Queria carregá-lo pra vida.
Estou também pensando em espalhar post secrets pela faculdade, mas me atropelaram e vieram com bilhetinhos aleatórios muito antes que eu pudesse tocar esse projeto furado pra frente, é. Meu nome apareceu em um desses, falando nisso. O último.
Não adianta contar carneirinhos, porra. Eu já disse. Esse vazio não passa.
Saudades dos tempos de Empório e vinhos baratos na orla de Ipanema. Minha adolescência em cativeiro tem se sentido muito idosa ultimamente.
Talvez esse seja o meu problema e eu esteja em crise de meia idade e só agora o percebi. Tem nada não, eu vou mudar. Vou dar um corte nesse cabelo e arrumar uma outra tatuagem. Ou então só mudar do Lucky Strike; nao preciso de sarcasmo até mesmo no veneno de rato que trago.
E ainda por cima estão controlando meus cigarros, meus passos, supiros. Mas não minhas mãos; arrepios. Vertigens.
Anda tudo meio fora de nexo, como sempre; feito essa caixa do kinderovo de páscoa - não fecha, não encaixa nem por um caralho. Talvez eu precise mesmo voltar a emagrecer.
Taí outro dilema. Incrível como uma coisa puxa à outra, não é mesmo? Engraçado que me lembrei agora, e nem sei o por quê, de uma conversa que tive com a Fernanda, no Empório (saudades dessa menina; e dessas que pulsam). Com uvas verdes e saquês e tempo de sobra em nossas mãos em um de nossos gloriosos sábados de aleluia pessoal, entre cigarros e estrangeiros, invasores secos de nosso paraíso enlatado, puxamos fendas de uma face à outra, criando nossa própria corrente de ouro; de planos, de sonhos, de...
a banhamos em um desses dois Oceanos que eu nunca lembro qual é. Vai de um continente ao outro, essa nossa corrente. É pra sempre - eu mesma já a testei.
Falando nisso, "mesma" existe? Lembrei agora que preciso estudar Português. Estudar e emagrecer; o ombro tá roçando gorduroso nessa camiseta velha e vermelha que não tiro há três dias.
Engraçado permanecer numa vida que só segue girando num mesmo ponto fixo dessa engrenagem qualquer. Principalmente quando tanto se esperou aquela carta aos 11, a mão divina que tiraria a merda da frente do ventilador. Mas ela nunca nem sequer fez menção de chegar. E aqui continua-se na mesma, só que agora o fedor já está ficando insuportável. Os Correios brasileiros são mesmo uma merda.
Quero viajar. Talvez eu realmente fuja, mas antes preciso comprar aquela cafeteira. Vou pesquisar sobre ela no google. É assim, prata, feito um bule de ferro, como eu já disse. Ou seria de alumínio? Se for, é dos grossos. Mas me parece ferro; toquei e senti ferro. Dá para três xícaras, seu café. Abri a bichinha, examinei-a de rabo a cabo, de dentro pra fora e vice-e-versa e toda ao avesso. Mas confesso que ainda não entendi como sai algum café de lá. Ou como ele ali entra, enfim. Mas eu quero.
Preciso também de silêncio. Meu cérebro está prestes a explodir, ou talvez tão somente eu mesma (mesma?). Acho que vou perder a maldita das estribeiras (não que algum dia eu sequer já tenha feito idéia do que diabos viria a ser isso, estribeiras).
Preciso da cafeteira, de silêncio e de alguém. Fumante, de preferência; meu golpe de sorte. Não sei se quero ou se sequer deixaria correr o risco de permitir dar certo (ou de ser o mais correto, enfim). Não quero que perca a graça, entendes? Mas preciso do enjôo, do nervoso e medo constantes; de aceitar jogar só pra perder. Mas... sei não.
Alguma hora, até o mais infeliz dos insônes tem que cair e se deixar dormir.
your check out is at noon.
and then everything went grey once again. "That's the way I like it", she said. But it'll hurt, it's too deep, too expensive, voices were heard. But it was written all over her fucking face, glowing; her sex was bubbling up as you stood corrected. Those four letters me. That's the way we all learn to like it, indeed.
além do ponto²
Postado por
qseumabrastemp
enrolo os braços em volta das costelas, sozinha.
o céu cai em água podre e nojenta, uma maravilha.
meu palácio dos restos de seu império indecente
desmonta podre, levado e lavado nessa água benta.
mergulho solta, pura num sono tranquilo em seu pudor.
fecho os olhos e enforco a dor em teu cantar
lava o sangue e a merda das minhas lembranças, Senhor
abençõa quem sente dor e não sabe chorar.
promete que essa chuva que me afoga um dia terá seu fim
que a enchente que a engole, serena, um dia chegará a mim
inunda minha armadura, pode vir. estarei esperando por aqui.
mas me apaga dessa terra, eu te suplico.
esquece as regras, as métricas;
porque eu desisto.
vem cair sobre mim, mar do céu. só me leve conti go.

