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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O problema da parada.

Sabe quando você precisa escrever, mas não sabe sobre o quê? Quando não adianta passar a tarde vendo filmes "inspiradores", enchendo o bucho de café e cigarro toda montada na alternatividade que... você continua no bloqueio? É que nem sempre...

É que assim... o tempo tá passando, sabes? E por incrível que pareça, já me sinto parada demais. Não preciso de um porto seguro, não sou dessas que para em algum lugar. É só continuar movendo, remando, correndo... é só continuar chovendo na minha parada que tá tudo certo.

E não é que eu não queira precisar de alguém (não quero usar aquele pronome pessoal do caso reto aqui porque isso não é nenhuma acusação ou coisa que o valha. Olhe lá, não é nada pessoal) ou settle down e colecionar fotografias fofinhas de uma tarde tranquila. É que a minha máquina não tem memória RAM o suficiente pra isso. Quando o programa começa a pesar, lá vem o looping e trava, meu chapa. Trava feio. Digamos que o meu Windows seja pirata e essas coisas verdadeiras aí, todas sempre com um preço muito alto, elas pedem aquele maldito serial e dessa vez... teu produto veio sem caixa.

Não sei o que houve quando liguei hoje, mas eu quis reiniciar no modo de segurança e tudo ainda me parece fora do lugar. Vai ver eu caí na morte do colorido lá ou entrei demais no YouPorn, vai saber; não me parece ser vírus, mas acho que não vai sobrar nada na placa mãe.

É que assim... você nasce uma coisa, sabes? Quando te fabricam, tu pode dar a sorte de vir naquela série perfeita, moldada, pronta para ser preenchida com os melhores softwares legais, com o certificado de compra e o serial sempre ali para quando precisar de um reset. Ou então,(in)felizmente, você pode dar a puta sorte de ser uma daquelas unidades dentro de milhões que vêm com um delicioso defeito de fábrica. Aí, sinto lhe dizer, mas não tem jeito. Não há crack que resolva.

Não adianta meter o pé na tomada, pau que nasce torto nunca se indireita. É foda. Te juro que eu devo ter sido realmente made in China, esses meus olhinhos puxados não negam... E o único problema é que cada vez que você tenta me usar e eu reinicio, menos tu e mais espaço me sobra na minha memória. Estranho, eu sei, mas é assim que as coisas funcionam por aqui.

Eu sei que aquelas máquinas novas com seus sistemas em alguma língua bizarra que nem o seu alfabeto utilizam, todas pimpadas no mistério são realmente muito interessantes. Mas é que você ainda é meio analfabeto, cara. E, desculpa, mas não tem nenhum tutorial pra minha série solto aí no Google. Ou é pimba ou não é e contigo a parada tá travando demais e eu não sei se algum técnico saberia lidar com isso.

Eu só queria mesmo, no final das contas, é dizer que eu não sou a solução... eu não sou o sistema certo para você, digamos assim. Tu, distraído na madrugada, deve ter baixado a versão para testes crente que era a completa. Tá tentando crackear a todo custo e eu até acho isso legal, mas não tá dando pra reiniciar anymore... Essa nossa versão é tipo MMORPG baixado no Baixaki... baixa rápido, instala fácil, te distrai bagarai e você tá super feliz lá, rodando madrugadas com teu avatar só que... quando chega na fase sete, acaba. Tu vai meter a mão no bolso pra arriscar a versão original? Não, não vai e nem vale a pena. Já te disse que meu sistema é pirata, cara.

Então antes que eu trave de vez e acabe perdendo qualquer traço seu em mim... me põe de lado e vai atrás da tua máquina certa. Talvez assim você até possa voltar de vez em quando pra jogar uma paciência ou papear no nosso MSN não atualizado.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

you're waiting for a train...




call me once your plane lands, i'll be the earth where you stand
pull me down to walk over me, go on and smile from ear to ear
tell me sugar or bitter, just let me read you between those sweets
only 'cause it feels so good to feel so weak.

Let 'em tie us down and put up a show, it won't hurt if you crawl
They could set me on fire, it's ok, i'd be ready to get up and smile
'cause you're around now, after so long, after gone, you're around
hangin me high just to watch me goin down.

Call me once you've got plans, i'll be there to make 'em happen
just like one and one and one ain't three to me, i ain't learning shit
so open up my goddamn eyes and show me how this shit is done
i'm growing up and too tired to walk alone.

Let them burn the stage again, people only need to make a scene
'cause that's how the story will always end, no need to feel mean
as above so below, we're waiting for a train riding nowhere fast
so it's me knocked down on your road again.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

the rainbow song


i love the beginning and the ending
because the colors are so pretty and the angles...
red and blue and green just like a kodak picture...
and among that so flat but straight

i'm thirsty, i'm hungry
i'm in need, i am sick
i'm up and i'm down
nowhere to be found

i love the beginning and the ending
i'm stuck at the start and you are at the finish line...
i need to swallow and inhale you into a better me...
and among that so young but narrow

i am hungry but here
you see so i can't give
i'm up so you're down
you lost what i found

but down at the finish line
what ended was only me
you're still going on
and on and on and...
just like a rainbow
so flat and straight
or an airplane crash
so young but narrow
and chosen by arrows
sweeter than shackles
dancing to your beats
staining my symphony
nowhere to be found
no one's to be bound

sexta-feira, 25 de junho de 2010

ubuntu

você -
que quebra todo o meu gelo;
que arromba as portas que eu tranco;
que explode os muros que levanto;

você -
que arranca sorrisos da minha cara amarrada;
que me ensina o que é caminhar acompanhada;
que tenta, pacientemente, me ensinar o que é...

você -
que chegou de mansinho, assim, todo quietinho;
que chegou feito mineiro, comendo pelos cantinhos;
no seu próprio ritmo, na sua batida, pra me melodiar...

você -
que é mais parte de mim que meu juízo jamais será;
que me ensina a espremer do choro aquele riso
meio assim com aquele gosto amargo de quero mais...

de que preciso.

você -
que me faz tremer a carne;
que invadiu minhas entranhas;
que me cortou o que remendou;

você -
que é assim meio sensacional nas suas falhas;
que sempre me corta só pra me deixar sem fala;
que me faz baixar a crista, desistir da guarda;

você -
que veio pra ficar;
que veio pra amar;
que veio pra aguentar;

você -
que é mais eu do que eu jamais serei;
que é melhor do que um dia sonhei;
que me faz rimar feito rock inglês;

você, minha criança. meu filho, meu bandido. você que já não é mais tão menino, homem feito de barba e coração cristalino. você que sempre será minha criança, minha cria, meu protège. você que é tudo pra mim...
hoje você é mais você; o mundo é mais você! o universo conspira a teu favor só pra atender ao teu prazer.
e você hoje é mais que quatro letras, um acento aqui e uma correção de gramática ali. você é eu, eu sei. e ti? do ya?

mas não se engane, pequeno, achando que isso é meio assim que só hoje... é pra todo o sempre feito conto de fadas, grudado no ramo que carrego gravado no ombro. no direito, onde você sempre se apoiará. o ombro daquela mão que sempre estará lá pra ti, só pra ti. pq só você é você. e só nós somos eu.

eu aqui achando que meu maior presente de aniversário para ti só poderia se resumir em três palavras.. mas não. na verdade, esse foi o melhor presente que eu já ME dei. sim, sou egoísta... eu sei...
mas então eu lembrei das aulas mirabolantes de antropologia e de uma palavra que eu achei assim tão linda, que meio que me fez pensar bastante em você, só você. enfim, deixe logo eu te dizer: "ubuntu - eu só existo porque você existe." é uma palavra africana e a mais linda que eu já vi. mais linda que amor, mais linda que você e qualquer outro grupinho de quatro letras que possa vir por aí. mas só porque é a maior verdade que eu conheço - eu realmente só existo porque você existe.

parabéns, carlinhos, meu filho... estou te devendo um nascer do sol na maria quitéria, né? pois hoje eu te dou. :) ubuntu, meu dongsaeng mais necessário~~

sábado, 19 de junho de 2010

"Cara, eu 'tô muito louca..." - a menina sussurrou, abraçando-o quase assim muito forte (ou seria o travesseiro?). Mas, sabe? Não faz diferença. Ela 'tava assim meio fraca, meio mole e feito nem barro nem tijolo. "Barro" é uma palavra muito estranha, pensou. Se é que ela estava pensando certo por que tava tudo assim tão louco, nada 'tava fazendo muito sentido não.
"Eu 'tô uma merda, cara... te juro" - resmungou e logo fez mais uma de suas milhares de notas mentais - parar de falar tanto "cara". É.
Mas aí era tanto barulho ao mesmo tempo, tava tudo uma confusão nesse tédio dos infernos, uma confusão do caralho. "Fiz bem em ter guardado aquele remédio. Mas eu devia ter procurado no Google primeiro..."
Mas nem é como se ela não tivesse o feito, pois o fez. Procurou, leu, estudou a possibilidade de ficar assim meio tão louca mas ainda assim quase nada, meio sóbria quando não 'tava vendo era noção de nada... mas viu que com álcool ia ficar era louca demais. Deu pra trás, afinal de contas morrer numa situações dessas com o cabelo podre desse jeito cheio de talco e a maior cara de cu a qual tinha alcance ia ser muito escroto. Até pra alguém como ela.
"Mas que merda que isso 'tá ficando, velho..." - afundou a cabeça naquela volta genial que existe entre o ombro e o pescoço das pessoas escolhidas pra esse tipo de função. É, aquela de encaixar direitinho na gente e tudo o mais. Se era o travesseiro ou não, pouco importava. Aliás, o quê importa tanto assim afinal de contas? Me diz. Fodam-se as vírgulas.
Aí ela se mexeu mais um pouco e o som do desenho 'tava tão alto em seus ouvidos que já tinha virado barulho e mais confusão. E o sono que é bom? Nada.
É foda não dormir. Mas café é bom demais.
Aí ela resolveu que iria ligar pra melhor amiga, mas pensa só... já são umas duas da manhã. Seria suicídio, porra. Ninguém liga pra casa de ninguém às duas da madrugada até porque ninguém faz nada com ninguém, só com alguém. Mas enfim, se perdeu de novo, né? E porra, você tem que aprender a usar os porquês, caralho.
Te falar que 'tô cagando pros pronomes, pensou de novo. É que ela pensa demais, sabes? E um foda-se pras aspas também.
Aproveita e manda um foda-se pra porra toda porque nada 'tá valendo muito a pena ultimamente. E eu 'tô com uma preguiça do caralho de levantar a bunda da porra dessa comodidade (comodidade?) e ir fazer algo pra alguém... então faço pra ninguém por que é bem isso que não se faz.

Tipo, não eu... ela, mas você sabe.

E se não sabe, encontrei mais um motivo pra um foda-se. Tanto eu quanto ela. Teria uma vírgula aqui? Hein?

Sei lá, ao invés de me deixar com sono ela 'tá achando é que essa merda me deixou com tendinite por que tá bem doloroso ou dolorido ou o quê diabos fosse pra digitar na mão esquerda. E agora eu 'tô afim de mastigar, mas você sabe... engolir não rola e eu acabei de escovar os dentes. Isso por que dizem que essa porra te apaga e é assim que as gurias são estupradas nas boites (buatchys, hihihi engraçadinho você, hein?). Mas sei lá, eu 'tô é bem ligada.

Acho que ela 'tá precisando é de um pouquinho de café e eu conheço aquela papinha de biscoito maravilhosa que é ótima pra esse tipo de situação. Mas sei lá, queria dizer que fui eu quem inventei aquela porra, mas meus antepassados (hahaha valeu, Mulan!) já comiam essa maldição muito antes de eu sequer nascer. E aquela merda engorda, é uma puta duma bomba aquilo. Doce até os infernos.

Aí tá todo mundo reclamando que eu tomo muito café, né? Por isso que eu vivo tremendo e toda louca e desconfiada de tudo quanto é coisa e ansiosa e tudo o mais. Mas vou te contar um causo~~ aê... eu tomava café desde neném, cara. Desde antes de eu sequer aprender a usar colher. Eu ficava lambendo aquela maldição feito gato tomando leite da cumbuca, cambuca ou sei lá e é por isso que eu sou assim ligadona na porra toda mesmo lerda feito um zumbi em NF por aí. Enfim.

Eu não 'tô bem não, cara. Ela repetiu. Porra, ela só fala isso. Deve cansar tudo quanto é infeliz que tenta algum tipo de dinâmica com ela. Mas a guria até que é bem legal no final das contas. Assim, não é de se jogar fora... é só deixar na estante.

Mas sei não, viu? Ela não tem cara de enfeite que preste para ser colocado na frente, no rack da sala ou na mesinha de cabeceira. Tá mais praquelas merdas que a gente sempre recebe como lembrancinha de aniversário de quinze anos e morre de vontade de tacar na parede antes mesmo do ''Parabéns''. E taí algo que eu bem cago e ando por que vou te contar que eu odeio doce, ainda mais bolo com glacê. Tem que ser uma parada mais tr00, assim, com pasta americana (que é doce que só, puta que me pariu. Cuspo tudo e bem feliz, vou te falar) ou então sei lá, aquela outra cobertura dura e sei lá. Que seja, nem gosto de festas de 15 anos mesmo. A última (e bem acho que a única, sei lá) em que fui, minha ex-sogra tentou arrancar meu aplique. Fino, bem fino. Sou dessas, pura finesse~~.

Aí tá, né? O tempo tá passando e a porra desse remédio tá me deixando é mais ligada do que deveria. Isso sempre acontece comigo, eu devia ter esperado por essa.. remédio que é pra dopar me deixa mais ligada que qualquer outra coisa e cafeína me deixa lerda que nem ninguém... Sei lá, eu fico assim meio mole mas não consigo dormir por que ninguém para quieto nessa porcaria e caramba, a guria tinha me prometido que eu ia apagar na hora. Tá, não na hora, mas assim, ia apagar bem rápido e poderia vir até aquela bandinha irritante de Ipanema tocar no meu ouvido que eu ia continuar dormindo. E segundo o Google, dá até amnésia. Tô mais pra quem vai ter uma alucinações bem escrotas e mergulhar na bad trip de cabeça. Grrrrrreat.

E sei lá, lembrei de uma coisa. Cadê todo mundo?

quarta-feira, 9 de junho de 2010















I don't wanna be your friend, I just wanna be your lover.
No matter how it ends; no matter how it starts.
Care about your house of cards and I'll deal mine...

the main file was deleted. please seek for help in our forums.

vem cá, você já percebeu como isso aqui anda frio?
eu sei, mas eu só queria um pouco mais de liberdade
e a certeza de que não preciso rimar para te atingir
mas sim, sim. é verdade. estou quase congelando...

e é incrível como os dias voam, não é mesmo?
assim fica fácil entender esse seu procedimento
e esconder e encantar e fingir e tentar enganar
deus! é ridícula essa merda em que me tornei

mas a culpa não é sua, não fique assim.
já entendi, agora é só você fugir de mim
e você já está a rimar de novo, arlequim
sim, sim. talvez seja melhor pôr um fim...

...aqui.

mas o quê diabos você quer dizer com isso?
com cada passo que dá, frio, conciso. hein?
você nunca vai entender, pequena. desculpe...
tudo bem, enfim. você vai perder seu ônibus...

e eu continuo aqui
incalcançável, sim.
digo, longe de ti.
intocável, inteira
na metade podre
feito fim de feira
mas vá logo, vá.
você vai perder
você vai perceber...
você vai entender...
você vai. vai?

vai?

domingo, 11 de abril de 2010

Não sei quem foi que surgiu com essa idéia de que artista tem que ser miserável, uma personificação de um ser humano denso de decadência. Também não sei quem a espalhou. Só sei que, pra mim, colou.
Desde então, ou melhor, desde sempre - ou a partir da onde ainda me permito manter registros memoriais - tenho tentado piorar, apodrecer. Em miúdos, me tornar essa massa mofada que todo artista supostamente deve ser. Porém, continuo com essa mesma necessidade selvagem de escrever, digo, produzir (nessa altura do campeonato estou aceitando qualquer coisa). Sim, eu continuo com essa insônia maldita, a casa cheia e barulhenta, essa vida de merda e escrever que é bom? nada.
Mas a culpa não é minha, não mesmo. Ninguém cala a boca na merda dessa casa. Mordaças? As minhas, só se for.
E agora mesmo isso aqui está um inferno, mesmo às três da manhã, Mas tudo está ok, nos trinques; eles compraram um sofá novo.
Gostou de seu novo trono? Que bom. Você parece um bolo de merda sobre ele.

Decidi que ia começar um diário. Desisti.

Só sei que preciso de alguém que mude meus dias por que eu não quero mesmo, de forma alguma, fazê-lo sozinha. Quero muito alguém, ou simplesmente um maço de cigarros cheio. Serve também essa cafeteira expressa que mais parece um bule de ferro. Taí algo que acho maravilho, impressionante - essa cafeteira. Se um dia eu conseguir fugir para algum lugar, ela é tudo que preciso levar.

E essa chuva? Passa e volta, passa e volta. Não consegue se decidir, parece até...

Não me pergunte o quê estou fazendo. Eu não sei e bem tenho raiva de quem sabe. É sério.

Meus 19 anos estão chegando, eu já disse? Caixão branco, ainda. Mas ouvi que há certas esperanças de mudança. Mas não quero saber; esse setor de minha empresa não apetece em nada à minha pessoa.

Acho que tive um outro sonho estranho essa noite. O passado tá voltando, creio eu. Talvez tudo esteja começando a bater, finalmente.

Estou amando minha letra nesse caderno. Queria carregá-lo pra vida.
Estou também pensando em espalhar post secrets pela faculdade, mas me atropelaram e vieram com bilhetinhos aleatórios muito antes que eu pudesse tocar esse projeto furado pra frente, é. Meu nome apareceu em um desses, falando nisso. O último.

Não adianta contar carneirinhos, porra. Eu já disse. Esse vazio não passa.

Saudades dos tempos de Empório e vinhos baratos na orla de Ipanema. Minha adolescência em cativeiro tem se sentido muito idosa ultimamente.

Talvez esse seja o meu problema e eu esteja em crise de meia idade e só agora o percebi. Tem nada não, eu vou mudar. Vou dar um corte nesse cabelo e arrumar uma outra tatuagem. Ou então só mudar do Lucky Strike; nao preciso de sarcasmo até mesmo no veneno de rato que trago.

E ainda por cima estão controlando meus cigarros, meus passos, supiros. Mas não minhas mãos; arrepios. Vertigens.

Anda tudo meio fora de nexo, como sempre; feito essa caixa do kinderovo de páscoa - não fecha, não encaixa nem por um caralho. Talvez eu precise mesmo voltar a emagrecer.

Taí outro dilema. Incrível como uma coisa puxa à outra, não é mesmo? Engraçado que me lembrei agora, e nem sei o por quê, de uma conversa que tive com a Fernanda, no Empório (saudades dessa menina; e dessas que pulsam). Com uvas verdes e saquês e tempo de sobra em nossas mãos em um de nossos gloriosos sábados de aleluia pessoal, entre cigarros e estrangeiros, invasores secos de nosso paraíso enlatado, puxamos fendas de uma face à outra, criando nossa própria corrente de ouro; de planos, de sonhos, de...
a banhamos em um desses dois Oceanos que eu nunca lembro qual é. Vai de um continente ao outro, essa nossa corrente. É pra sempre - eu mesma já a testei.

Falando nisso, "mesma" existe? Lembrei agora que preciso estudar Português. Estudar e emagrecer; o ombro tá roçando gorduroso nessa camiseta velha e vermelha que não tiro há três dias.

Engraçado permanecer numa vida que só segue girando num mesmo ponto fixo dessa engrenagem qualquer. Principalmente quando tanto se esperou aquela carta aos 11, a mão divina que tiraria a merda da frente do ventilador. Mas ela nunca nem sequer fez menção de chegar. E aqui continua-se na mesma, só que agora o fedor já está ficando insuportável. Os Correios brasileiros são mesmo uma merda.

Quero viajar. Talvez eu realmente fuja, mas antes preciso comprar aquela cafeteira. Vou pesquisar sobre ela no google. É assim, prata, feito um bule de ferro, como eu já disse. Ou seria de alumínio? Se for, é dos grossos. Mas me parece ferro; toquei e senti ferro. Dá para três xícaras, seu café. Abri a bichinha, examinei-a de rabo a cabo, de dentro pra fora e vice-e-versa e toda ao avesso. Mas confesso que ainda não entendi como sai algum café de lá. Ou como ele ali entra, enfim. Mas eu quero.

Preciso também de silêncio. Meu cérebro está prestes a explodir, ou talvez tão somente eu mesma (mesma?). Acho que vou perder a maldita das estribeiras (não que algum dia eu sequer já tenha feito idéia do que diabos viria a ser isso, estribeiras).

Preciso da cafeteira, de silêncio e de alguém. Fumante, de preferência; meu golpe de sorte. Não sei se quero ou se sequer deixaria correr o risco de permitir dar certo (ou de ser o mais correto, enfim). Não quero que perca a graça, entendes? Mas preciso do enjôo, do nervoso e medo constantes; de aceitar jogar só pra perder. Mas... sei não.

Alguma hora, até o mais infeliz dos insônes tem que cair e se deixar dormir.

your check out is at noon.
and then everything went grey once again. "That's the way I like it", she said. But it'll hurt, it's too deep, too expensive, voices were heard. But it was written all over her fucking face, glowing; her sex was bubbling up as you stood corrected. Those four letters me. That's the way we all learn to like it, indeed.   

além do ponto²

enrolo os braços em volta das costelas, sozinha.
o céu cai em água podre e nojenta, uma maravilha.
meu palácio dos restos de seu império indecente
desmonta podre, levado e lavado nessa água benta.

mergulho solta, pura num sono tranquilo em seu pudor.
fecho os olhos e enforco a dor em teu cantar
lava o sangue e a merda das minhas lembranças, Senhor
abençõa quem sente dor e não sabe chorar.

promete que essa chuva que me afoga um dia terá seu fim
que a enchente que a engole, serena, um dia chegará a mim
inunda minha armadura, pode vir. estarei esperando por aqui.

mas me apaga dessa terra, eu te suplico.
esquece as regras, as métricas;



                                              porque eu desisto.
vem cair sobre mim, mar do céu. só me leve conti go.

terça-feira, 6 de abril de 2010

no one ever knows, baby, and yeah, nobody cares.

nothing gets crossed out

Decidi que hoje era dia de escrever.
Acordei sozinha, atrasada, entupida. O mundo lá fora se afogava, parado, e era chuva que não acabava mais, com as nuvens tapando o quadrado de visão da minha janela que eu costumo conhecer. Meus pais e irmã reunidos na sala, atentos à voz irritante da âncora do Globo News, apreensivos com a porrada de água que atingia o Rio de Janeiro. “Dia de escrever”, pensei.
Já faz um certo tempo que não venho aqui, eu sei (o quê, aliás, apenas aumenta a minha desconfiança de que ninguém mais vem aqui, talvez a tanto tempo quanto eu) e essa manhã de aspecto cinzento e clima nostálgico me deu saudade desse cantinho. Então, como já disse, era dia de escrever.
Mas agora já nem é mais manhã e acabei de deitar na cama com o laptop servindo de cobertor, esquentando minhas banhas. Quero escrever e sei sobre o quê, mas não encontro o caminho. Sei qual esquina dobrar, mas não sei onde diabos está o começo. Quero escrever algo que seja bom de ler, não só de cozinhar, entendes? Por que, você sabe, escrevo para desabafar (terapia anda cara hoje em dia, só pra constar) e depois que termino – e o faço com um certo orgulho, deveria dizer – nem mesmo eu consigo sobreviver por um texto inteiro. Quero algo diferente. Senso, cadê?

Peguei uns livros, selecionei aquela playlist esperta no Grooveshark, acabei com o cigarro da minha avó enquanto a cobertura em tempo real do temporal rolava solta só para me distrair... enfim, inspiração viria na certa, certo? Errado. Mas estava tudo completo, tudo perfeito para garantir mais um texto seboso de drama, dúvidas e todos os temperos aos quais costumo recorrer quando tento criar alguma coisa. Mas algo não encaixava. Ficar ilhada no décimo primeiro andar, seca e com calor, enquanto o mundo lá fora se desmanchava em água suja não me basta mais... quero mudar de lugar.

Ou não. Mas procurei estágio, procurei cursos, resolvi que mudaria de profissão (já mudei de cabelo, de corpo, não há mais o que mudar por aqui...) e, no final das contas, a mesma necessidade, agora já gasta e antiga o suficiente para incomodar, continua aqui, corroendo que nem essa suposta fome selvagem que sempre me acompanha.
Não que eu me preocupe de verdade com o futuro, mas, mesmo assim, a sensação de vaguear por aí aleatoriamente já está machucando. Viver sem correntes, pregando o desapego, é como passar o dia andando pelo Saara com uma pedra numa sapatilha da Melissa. E uma alguns números maior que o seu pé, na verdade. Que entra e sai à toda hora, simplesmente não encaixa e, ainda assim, você não consegue tirar a maldita da pedra de lá. Logo você já está tendo um ataque de nervos, literalmente, e uma simples pedrinha no seu sapato da temporada toma a forma de seu limite, neon, piscando à sua frente. É.

Mas e conseguir produzir algo que possa se travestir de útil, onde entra nisso?

Então, já que a terapia continua cara e com essa chuva lá fora duvido que algum terapeuta esteja dando plantão, cá estou eu, roubando seu tempo num dia precioso para cariocas como esse. Não peço desculpas dessa vez porque eu realmente preciso disso. Só peço que volte. Seja feito filho pródigo, seja para me apedrejar (tenho uma vibe de Madalena muito louca, você já deve ter percebido) ou para simplesmente passar por aqui e confirmar que continuo viva; não importa, só volte. Odeio me sentir sozinha.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Resolvi (é, de novo) abrir os comentários e provavelmente eles vão permanecer assim por um bom tempo (quer alguém comente, quer não).
Mudei também o layout, chega de matar olhos alheios, certo?
Tudo isso porque resolvi fazer um blog novo, uma espécie de portifólio, e quando terminá-lo, edito o post e coloco o link aqui, oks? :)) Mas isso não quer dizer que eu vou largar esse aqui não, ow! Aquele é só para textos e fotografias mais relacionados à minha pseudo carreira de jornalista~~.


Enfim, só isso. :( xx


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

WAT

Your past life diagnosis:

I don't know how you feel about it, but you were male in your last earthly incarnation.You were born somewhere in the territory of modern Ireland around the year 950. Your profession was that of a banker, usurer, moneylender or judge.
Your brief psychological profile in your past life:
Bohemian personality, mysterious, highly gifted, capable to understand ancient books. With a magician's abilities, you could have been a servant of dark forces.
The lesson that your last past life brought to your present incarnation:
Your task is to learn, to love and to trust the universe. You are bound to think, study, reflect, and to develop inner wisdom.
Do you remember now?

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

“Você acaba onde tem que acabar”
É na primeira ferida que você aprender a gostar da dor.
“Você acaba onde tem que acabar”
Sem medo agora, vai até o fim.
“Você acaba onde tem que acabar”
Mais fundo.
“Você acaba onde tem que acabar”
Mais.
“Você acaba onde tem que acabar”
Gravado à faca no meu cérebro.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

espasmos

    E então o sinal se pôs vermelho; parou na avenida chuvosa de Botafogo. As luzes frias da orla não se misturavam com as luzes quentes, com aquele sinônimo tão conhecido de “amor” e “família” do shopping agora natalino, tal qual óleo e água. Papais Noéis emagrecidos pela crise carregavam nas costas seus sacos já não mais tão cheios enquanto rostos cansados voltavam do trabalho, seguindo a coreografia. Era só mais um outro final de dia.
Ligou o som, desligou o som. O sinal abriu, correu, outro sinal fechou. O curto caminho do trabalho pra casa sempre esticava quando era sexta-feira, com aqueles infelizes sortudos atravessando a ponte para mais um final de semana feliz na casa de praia. `Tá aí algo que ela nunca entendeu – casas de veraneio para moradores da Avenida Atlântica; todos branquelos até que se toque o sino.
    Assisti Manuela brigar com o controle da garagem para, depois de alguns palavrões, finalmente entrar. Vi-la deixar o cigarro de filtro vermelho cair no tapete do carro, assim como a vi se abaixando com cara de dor para o pegar. O hábito de se estressar com um trabalho sedentário e de pular refeições para rechear-se de cigarro e café a tornaram fina, quase tão transparente quanto sua presença a olhos nus; a corpos diluídos.
    Subiu afobada as escadas de casa, desviou de algumas baratas, combinou consigo mesma de dedetizar a casa (mas não esse mês, a conta de telefone veio alta de novo. Talvez fosse hora de acabar com os trotes por um tempo...), enfim, entrou em casa sem bater. Para alguém assim, entrar em casa sem bater é o alarme da solidão (mesmo que para alguém assado seja a prova da independência...); para essa ''pessoinha'', independência havia se tornado ilhamento.
    Entrou chutando o salto e acendendo outro cigarro. As vezes me pergunto o quê causa à Manuela tanto estranhamento em sua capa de ser humano. Ela não é feia, se é que você me entende... ela só não é... ela (ou ele, ou o quê seja). Penso até mesmo que se fosse para categorizar a menina em alguma espécie, ela seria uma outra, uma nova. Nem a nem b, um x. Ou melhor, um x não, um x não porque todo mundo é x entre quatro paredes, ela seria um ∏, mas um desses sem valor, sem raiz quadrada.
De qualquer forma, lá ela estava jogada, no meio da sala, fumando feito uma puta de esquina, com as pernas abertas feito bailarina, a mente vazia enquanto a fumaça tomava conta do pequeno quadrado de seu conjugado.
    Os minutos dançavam lentamente, sem nunca sair do compasso, embalando a fumaça nessa valsa constante, tal qual oxigênio. Inspirava, expirava, piscava; existia. “O quê você faz da vida?” “Qual o seu nome?” “O que você pretende fazer quando 'w' acabar?” “O quê...” “Como...” Moveu os dedos dos pés, alongou as pernas, atrofiou-se. “Quem é você?” E assim mais um ato se acabava, a mão alcançava o isqueiro e logo todos voltavam das pequena pausa para apreciar um outro, fresco, inédito ato de inalar e exalar mais de 4.500 substâncias prejudiciais à saúde.
    É difícil dizer o que se passa na cabeça de alguém quando o assistimos fumar, assim tão compenetrado. É difícil dizer o que se passa na cabeça de alguém que passa por nós com cara de cu. É difícil dizer o que se passa na cabeça de quem senta ao seu lado oito horas por dia, de quem te pariu, de quem dorme em sua cama... mas uma coisa é certa, nada é.



















                                                                                 chega