Eu sou prolixa e me importo demais com a gramática quando escrevo, só não consigo colocá-la em prática quando o assunto é meu.
Não tenho profissão pois não recebo quando a "exerço" e não sou estudante pois a última coisa que tenho feito é meter a cara nos livros. Não tenho título de eleitor, vergonha na cara ou escrúpulos eficientes.
Enfim, não valho o pão que como mas sou um amor de pessoa. É.
Peço a Deus todo santo dia
Que tu batas de cabeça na quina
Que te percas em cada esquina
Que caias em plena avenida
Repleta de outras menininhas
Que ririam da tua agonia.
Peço a Deus todo santo dia
Que me pague um pouco de alegria
Ao te ver caindo apodrecida
Feito fruta madura caindo do pé
Feito fanático perdendo a fé.
Peço a Deus todo santo dia
Que ilumine tua vida
Para que sumas da minha.
Peço força, peço harmonia
Pr’essa minha desafinada sinfonia.
Peço a Deus um pouquinho de ambição
Mais um pouquinho de força
Para lutar e salvar esse meu coração
Para me livrar da tua forca.
Peço a Deus um pouquinho de razão
Pr’eu finalmente largar da tua mão
E esquecer esses teus olhos
Pr’eu conseguir quitar o meu velório.
Peço a Deus toda maldita noite
Que contigo eu sonhe
Que a mim tu perdoes
Que tua face eu não relembre
Traço a traço, sem emendas.
Peço a Deus todo santo dia,
seguido das noites malditas
Que meu pesadelo se escassa
Que ele finalmente termine.
Senhor?
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Postado por
qseumabrastemp
Carpe diem... mais uma daquelas expressões que eu nunca descobri seu real significado.
Se tudo é relativo e o tempo faz parte de tudo, logo, relativo ele também é. O amanhã é sempre o hoje e o hoje é fruto de um ontem plantado nas esperanças férteis de um hoje estéril. Logo, tanto quanto dois mais dois são quatro, o tempo me passa um tanto desbotado.
É como estar perdido em terras estrangeiras correndo em grandes e deliciosas voltas a sessenta km por hora. Você está sempre em movimento, mas nunca sai do lugar. É a Física de viver.
E, falando nisso, aproveito para queixar-me de que nunca consegui viver o exato momento, vivê-lo como se fosse meu último. Talvez isso assim seja devido minha pequena certeza de que saberei quando estiver encontrando esse tal de meu último minuto. Tanto saberei quanto desconhecerei de como vivê-lo. E assim eu permaneço, sempre ansiosa pelo próximo segundo, esperando o grande ápice de minha existência, minha ascensão. O momento em que o mundo saberá quem eu sou e voltará para me contar.Quando todos reconhecerão meu nome e eu possa, enfim, morrer em paz. Espero pelo clímax de minha existência inerte assim como uma criança espera pelo Papai Noel com os olhinhos brilhando de esperança, mas sempre com aquela pontinha de insatisfação pesando no peito... todos nós sabemos a verdade por trás de tudo, apenas tratamos de esquecê-la.
Minha vida não vai pra frente e eu sei o motivo. Sim, sou eu o motorista embriagado de verdades, louco a dar voltas por Minas, por Brasília, por minha cidade natal. Não consigo viver o hoje pois estou muito bem, obrigada! enquanto permaneço ocupada esperando pelo meu doce amanhã que nunca chega. E quando chega, chega Hoje, só Hoje! Apenas Hoje!
Sempre me descontentei com aqueles que não aproveitavam suas vidas e morriam moles e indigentes, mas hoje (hoje, bendito hoje!) finalmente entendo porque voltamos ao pó do qual viemos. Finalmente consigo moldar minha mente ao fugaz ponto em que compreendo a arte de permanecer inerte, vão, sem sentido e sem indagações enquanto os segundos jorram livres de minhas veias. Do pó ao pó, de minuto em minuto.
Se cada minuto me leva cada vez mais perto para o fim do meu mundo (aquele mundo onde o presente não tem vez) então o hoje da minha deliciosa manhã de comerciais de margarina já seria o ontem para o hoje do momento? Se a cada segundo vivo uma nova chance de apertar a mão de um AVC, logo o segundo anterior já é meu ontem, certo?
Então não me peça para viver o hoje, não o seu hoje. Cada um teu seu casulo, seu próprio relógio biológico. Nossos ponteiros apenas estão coordenados para organizar a areia que escorre pouco a pouco, segundo a segundo, pela ampulheta. Cada tic seguido de um tac que seu relógio insiste em fazer durante sua tranqüila noite de sono é um tic seguido de um tac cada vez mais próximo do seu fim. Então pra que dormir agora? Vamos, ainda são três e vinte e sete da manhã, levante dessa cama! Você pode dormir quando estiver morto... carpe diem! Vamos viver esta vida, meu amiguinho.
Meu problema é com o hoje, meu passado está mais enterrado que meus antepassados. Ele não volta nem me incomoda, ele não me machuca. A lâmina está no futuro, amigo. No futuro que nunca chega, no futuro que não se realiza. Nos planos que sua mente arquiteta, nos sonhos que te consomem ainda mais segundos... no futuro. No amanhã que nunca existiu, no hoje travestido de realizações sedutoras que nunca passarão de fantasias. O amanhã não existe, desista.
E assim nos deliciamos nessa doce valsa, seguindo sempre o compasso marcado. Um, dois, três, hoje, hoje, hoje. Dois pra cá, dois pra lá. Hoje pra cá, hoje pra lá. Você perdeu dois compassos, Anita! carpe diem, minha querida! Segundos não voltam, só o seu hoje.
Então lhe peço como uma mãe implora para seu filho ir à escola... não deixe para fazer amanhã o que você pode fazer hoje, neste hoje! No hoje deste exato segundo. O amanhã nunca chega, você pode acabar por nunca fazer o que sua mãe pediu.
Ps.: Tens minhas desculpas sinceras por ter lhe roubado um bocado de da areia de sua ampulheta em vão.
domingo, 19 de abril de 2009
Postado por
qseumabrastemp
Peço-lhe por um pouquinho de atenção. Por qualquer migalha do teu pão. Qualquer toque vão da tua mão. Só não me diga não.
Peço-lhe pela esmola diária. Por um pouquinho da tua caridade. Aceito qualquer represália, meu camarada. Só por um minuto da tua amizade.
Peço-lhe por um pouquinho do teu corpo Tudo bem, tudo bem. Eu me contento com pouco. Mesmo que sejam os restos de outro.
Só não me negue tua compaixão Vamos, perca logo essa razão! Só não me diga não.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Postado por
qseumabrastemp
Se uma coisa eu peço,
é por ver teus olhos entrar
por esta porta do nosso
amor desajeitado.
Se por uma coisa eu peço,
é por teus olhos nos meus,
grudados por superbonder
com ou sem consentimento de Deus.
Se uma coisa eu peço,
é pra segurar a tua mão
quando começar o furacão
que é encontrar em ti minha razão.
Se uma coisa eu peço,
é santo de casa fazendo milagre,
separando nosso amor do vinagre.
Desatando qualquer impasse.
Se uma coisa eu peço,
dificilmente consigo.
Mas uma coisa é certa,
prefiro morrer enlouquecido
se não for viver contigo.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Postado por
qseumabrastemp
Eu nunca soube amar, o que sempre me levou a pensar que talvez eu tenha mesmo nascido de trás para frente, assim ao contrário. Eu nunca soube, mas sempre tentei amar e com a vontade pura e forte feito a de uma criança a tentar andar de bicicleta sem as rodinhas. Eu sempre segui em frente, cambaleante ou não, mas nunca sem o apoio das rodinhas; nunca sem tirar o pé no chão. Eu nunca soube amar, nem papai nem mamãe. Era esse amor sujo e imposto, tão próximo do ódio quanto qualquer outro... mas não era o amor certo, não mesmo. E eu tentava, te juro! Mas nunca era o suficiente e sempre sobrava espaço para mais um, mas nunca para mim. Não que eu não tenha coração! Tenho um sim, desses bem grandões... tão vazio quanto o auditório do teatro municipal da minha antiga cidade. E só para constar não adianta bater na porta, levo a viso a sério: fechado para manutenção. Eu nunca soube amar; sempre amei quem devia odiar e um ódio genuíno borbulhava em minhas entranhas por quem eu deveria amar. É assim e sempre foi, só não queria que assim continuasse. Sei bem que meu coração a mim pertence, mas não consigo controlar a criança teimosa. Ritalina!, alguém grita. Pode deixar, minha ritalina vem em doses de tequila. E foi hoje que eu vi isso. Hoje, num bar decadente em Ipanema; num quiosque em plena Vieira Souto. Eu não sei amar e eu quero tanto... amo quem não me ama, quem está feliz em ouvir que em mim também não respira nenhum sentimento de afeto mais profundo que a camaradagem. Mas é tão mais que isso! Amor não é camarada nem de longe, nem na cama. Ainda mais um amor assim, marfim. Um amor que não proporciona alegria nos afagos, mas nunca perde a oportunidade de plantar alguma dor nos tapas. É aquele amor que não impulsiona sua batida cardíaca ao cruzar os olhos com o amor de sua vida, mas sim aquele que lhe envenena enquanto seu objeto de desejo troca salivas com filhas de chilenas adormecidas. Eu nunca soube amar e hoje, pois bem, desisto de tentar. Não quero mais vestir essa camisa com “altruísta” escrito em negrito na frente, me esqueça pra torcida; não quero mais amar ninguém dessa gente. Não quero fingir me preocupar, não quero mais cuidar de nenhum porre. Não quero tomar mais do que dois goles. Eu nunca soube amar, creio que meus pais também não. E nem os seus e nem você. Amor não é isso, amor não é o que se passa na TV. O amor deveria explodir em você por um preto, um amarelo, um judeu, um nazista, um paraplégico. Mas não, seu amor não chegaria tão longe. Ele alcança uma bonitinha qualquer e pára por aí. Mil perdões, minha querida, mas amor não é isso aí. Eu nunca soube amar, isso mamãe não me ensinou. Em ti tanto tentei aprender e fico feliz que tenha sido em vão. É ao menos reconfortante saber que me sobram as migalhas do seu pão. Eu nunca soube amar e já não vou mais tentar. Pode desistir de esperar.
domingo, 12 de abril de 2009
Postado por
qseumabrastemp
Tu me dás um amor assim,
feito cor de sangue, meio marfim.
Um amor sem eira nem beira
feito pião a girar incertezas.
Nosso amor é bem assim,
brilhando em ti, ofuscando em mim.
Feito pecinhas de lego se encaixando,
de nossos erros se alimentando.
Então me diz se me amas,
se me queres em tua cama.
Se vais alimentar a maldita chama.
Porque meu coração é teu
por cada sol que já nasceu
e cada amor que já morreu.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Postado por
qseumabrastemp
São tantas pessoas para se esquecer e tão poucas vidas para se viver... Depois daquele dia foram duas semanas de agonia. Certas barreiras você simplesmente não consegue manter, elas caem. Seja pela força do outro ou sua própria vulnerabilidade. Mas é tão doce. É como o aspartame e sua falsa doçura preenchendo as lacunas em sua língua que o amor deixou. São aquelas barreiras que você mantém; elas enferrujam. Não é mais tão doce. É tudo sobre saber viver para se saber morrer. Saber quais barreiras derrubar e quais se manter. Sobre saber amar. A quem se entregar e de quem se proteger. O atalho está em saber se retirar quando o amor morrer. Pena que não há ninguém nesse mundo que sinta mais do que eu. Mas é tão doce. Você morde a vida e saboreia cada amor que viveu. Cada dia que chorou. Cada sol que viu nascer. Não é mais tão doce. O sangue que pulsava, jovem e quente, em suas veias, fortes, progressivamente substituído pelo álcool, a saída mais fácil para um coração ameaçado. Mas você é tão diluído; apenas uma versão pobre e hipócrita de quem fora um dia. Apenas o registro triste e envelhecido de um intenso amor vivido; vendido. São tantas pessoas para se amar e tão poucos dias para nascer. É como uma caixa de fósforos. Tantos amantes, tantos iguais. Todos prontos para queimar rapidamente no seu coração, com aquela paixão tão rápida quanto insípida ou indolor. Pois pessoas são tais como fósforos. Doem menos quando queimam de uma vez e suas cinzas desaparecem antes mesmo de tocarem o chão. Mas é tão doce. É como o seu sabor inventado pela carência alimentada pelos filmes hollywoodianos de amor. Não há mais o fervor. Só o tesão maquinal de quem fecha os olhos durantes os beijos insossos para pensar em um outro alguém. De quem se perde em cópias mal feitas de seus fósforos para queimar sem realmente se acender. De quem só quer perder. Não é mais tão doce. Certas barreiras você simplesmente não mantém. É a sua necessidade da cota diária de algum retorno, de amar e ser amado. Pois nenhum ser humano apaixonado é altruísta, meu caro. A paixão não quer amar o outro em vão, quer é ser desejada. Quer apanhar da mão que afaga. Mas é tão doce. Como cada manhã de ressaca que nasce ensolarada. Como ver em cada novo dia, uma nova chance a ser desperdiçada. E encontrar no aspartame a doçura suficiente para sua glicose descontrolada. Você vive para amar. Ama para esquecer. Esquece pra aprender. Você vive para morrer. Se reclamam do meu álcool, que saibam que é de amor que me embriago. A cada um lhe cabe um vício a ser alimentado, seu fardo a ser desprezado. Se reclamam de meus cigarros, pois saibam que é com amor que me estrago. Com cada erro seu em cada respiração. É você que eu trago nessa paixão estragada que explode meus pulmões. Não há ninguém nesse mundo que ame mais do que eu. A cada um lhe cabe seu próprio vício, seu apogeu. Se não se escolhe como vir, está em suas mãos ir. A cada um lhe cabe seu destino, querendo ou não querendo bancar o mártir. E é com amor que eu quero ir. É de amor que eu quero morrer.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Postado por
qseumabrastemp
Não aconselharia nem um cachorro a me seguir na rua.